GUILHERME SILVA, NO PLANETA ONDE VIVO

Exposição no Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico, de 20 de julho a 22 de outubro de 2022.

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A fotografia é uma história de amor com a vida.

Burk Uzzle

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Guilherme Silva, Autorretrato

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O Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico apresenta uma exposição que percorre de forma significativa a obra de Guilherme Silva. A curadoria é de José Oliveira, que trabalhou em estreita colaboração com o fotógrafo.

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Guilherme Silva, Sem título, Lisboa, 26 abril 1974 – Sem título, primeiro de Maio, Lisboa, 1980 – Sem título, Saintes-Marie-de-la-Mer, 1984 – Sem título da série Seres de Palha, 1987.

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José Oliveira, curador da exposição, escreve:

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No Planeta Onde Vivo é o título que Guilherme Silva (Lisboa, 1948) deu a um portfolio com cerca de 70 provas impressas pelo próprio (a preto e branco, maioritariamente no formato 30 x 40 cm) que considera o seu trabalho mais representativo.

É um título recorrente no seu trabalho e em exposições, mas que assume como o mais emblemático.

Tendo como base de trabalho este portfolio, a exposição alarga-o através da inclusão de material de arquivo e depoimentos do próprio (escritos e gravados em vídeo), preservando-se os formatos e as impressões originais das imagens feitas pelo fotógrafo.

Com uma atividade desenvolvida essencialmente entre as décadas de 1970 a 1990, o seu trabalho insinua-se na transição de uma estética ligada aos foto-clubes e aos salões fotográficos das décadas anteriores, para a afirmação da expansão do fotojornalismo e de um alargamento da imagem tanto pensada em torno de projetos pessoais de longa duração (sociais ou documentais), como na vertente autoral associada às artes plásticas.

Não foi este último aspeto a interessar o fotógrafo que pautou a sua vida profissional essencialmente em duas vertentes, a captação do acontecimento no âmbito do fotojornalismo e a série fotográfica documental, alicerçada em projetos pessoais.

No entanto, a sua participação nas emblemáticas primeiras edições dos Encontros de Fotografia de Coimbra (1980 a 1982), uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para o desenvolvimento de trabalho pessoal (1985), ou a sua participação na exposição Fotoporto (1988), na Fundação de Serralves, fazem do seu trabalho uma referência importante na mediação entre a reportagem, o ensaio e o projeto fotográfico.

Com uma vida profissional exclusivamente ligada à produção de imagem em película fotográfica, assume-se como um colecionador de histórias de vida, tendo encontrado em alguma vivência nómada e boémia a inspiração certa para encontros e desencontros que registou.

A frase do fotógrafo Burk Uzzle (1938) – A fotografia é uma história de amor com a vida – por si adotada, denota bem a relação que ele próprio sempre manteve com a imagem fotográfica.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2022

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Nas primeiras vitrines da galeria mostram-se diversa peças ligadas à obra de Guilherme Silva, como a sua camera Minolta, o cartão de imprensa, o pin da FIAP, o boletim de inscrição no Fotoclube 6×6, onde veio a ensinar fotografia e criar um grande grupo de amigos, os livros que publicou, alguns convites e folhas de sala de exposições, etc.

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António Bracons, Aspetos da exposição (peças), 2022

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A exposição antológica de Guilherme Silva, “No Planeta Onde Vivo”, com curadoria de José Oliveira, está patente no Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico, na R. da Palma, 246, em Lisboa, de 20 de julho a 22 de outubro de 2022.

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António Bracons, Guilherme Silva, 2022

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Guilherme Silva (Lisboa, 1948)

A atividade fotográfica de Guilherme Silva inicia-se com cerca de vinte anos de idade tendo realizado a sua primeira exposição quando cumpria serviço militar em Moçambique em 1970. De regresso ao continente fez formação no Instituto Português de Fotografia (1970), e tornou-se membro do Foto- Clube 6×6 em Lisboa, uma organização de fotógrafos amadores que, em 1975, tomaria a designação de APAF (Associação Portuguesa de Arte Fotográfica).

Foi no Foto-Clube 6×6/APAF que realizou as primeiras exposições individuais, tendo posteriormente realizado mostras em muitas outras instituições e participado nos importantes Encontros de Fotografia de Coimbra, entre 1980 e 1982.

Foi colaborador da revista Nova Imagem, para a qual fez diversas reportagens, tendo sido o seu enviado especial para fazer a cobertura dos Encontros Internacionais de Fotografia de Arles (1980).

Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian (1985) e viu o seu trabalho premiado pela Organização Mundial de Saúde (1986).

Em Lisboa fez trabalhos para o Instituto Português do Património Cultural e para a Câmara Municipal de Lisboa (Bairros da Graça e Bica).

As suas fotografias foram publicadas em mais de 30 títulos da imprensa nacional e regional e da bibliografia com imagens suas há duas referências que interessa reter, a antologia Fotografia Portuguesa 1970-1980 (Ed. Secretaria de Estado da Cultura, 1982) e a escolha para integrar a exposição Fotoporto e respetivo catálogo, numa edição da Casa de Serralves (1988) com texto introdutório do crítico e curador Fernando Pernes.

As suas imagens fazem parte de diferentes coleções públicas e privadas entre as quais a Biblioteca Nacional de França, Museu do Neo-Realismo, Fundação Dr. Mário Soares, e integram as Coleções Fotográficas do Centro Português de Fotografia (DGLAB – Ministério da Cultura). 

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Cortesia: José Oliveira.

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