MARTA MACHADO, NOS TXON
“As fotografias, a memória e as possibilidades de uma narrativa no discurso pós-colonial”.
Uma dissertação de mestrado e também uma exposição, na Galeria Imago Lisboa, de 7 de abril a 21 de maio de 2022.
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São já várias as dissertações de mestrado e as teses de doutoramento elaboradas em torno da fotografia: como imagem, de eventos ou dos seus autores.
Marta Machado, defendeu em 2021 a dissertação “Nos txon : as fotografias, a memória e as possibilidades de uma narrativa no discurso pós-colonial”, a qual dá origem a uma exposição, constituída pela reprodução de 7 fotografias, acompanhadas de anotações biográficas e vários objetos pessoais: álbuns, câmara fotográfica, fotografias, documentos, registos.
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Na folha de sala, Marta Machado apresenta o projeto [e a dissertação]:
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O projeto tem como objetivo estudar e entender as relações entre sujeito e lugar quando confrontados com uma nova geografia. Neste caso específico, da minha mãe cabo-verdiana e a sua relação com a geografia que habita, a experiência de “lugar” numa geografia desconectada, e a procura identidade.
Nos txon, é uma expressão cabo-verdiana que significa o nosso lugar ou a nossa terra. O cerne dado ao projeto, surge como alusão à ideia de perda do sujeito e de perda da geografia ou do chão (se lermos a palavra txon literalmente) introduzindo uma ideia de pertença e de melancolia em relação ao local. Ao mesmo tempo, evoca uma relação direta de um sujeito com uma geografia como um sentimento de pertença, i.e., a ideia de que dois elementos que constituem o indivíduo são separados, gerando a referida sensação de perda, de sodade.
Perante um território e uma realidade que me é familiar pela minha mãe cabo-verdiana que viajou para a Europa, pretende-se instrumentalizar a memória revisitada do corpo com a parte da paisagem, e da câmara fotográfica como ferramenta e instrumento social na leitura do sujeito na sua inserção no lugar. Procura-se uma leitura, um entendimento de lugar enquanto fenómeno concreto constituído por “coisas” concretas que se relacionam com o indivíduo e que se interrelacionam entre si, por vezes com um sentido de pertença.
Cativa deste desejo de aproximação, entendo esta necessidade de compreensão do Outro enquanto uma construção cultural que desafia concetualizações totalitárias das relações entre ser humano e ambiente físico/ geografia.
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in, Relatório de Projecto Final apresentado à Universidade Católica Portuguesa para obtenção do grau de Mestre em Fotografia, Porto, dezembro 2020.
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2022
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“Nos Txon”, de Marta Machado, está em exposição na Galeria Imago Lisboa, Rua do Vale de Santo António, 50C, de 7 de abril a 21 de maio de 2022.
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A dissertação de mestrado de Marta Machado, “Nos txon : as fotografias, a memória e as possibilidades de uma narrativa no discurso pós-colonial”, orientada por Carlos Paulo Henriques Catrica da Silva e Daniel Ribas de Almeida, apresentado à Universidade Católica Portuguesa, no Porto, para obtenção do grau de Mestre em Fotografia, foi defendida em 15.03.2021 e pode ser consultada aqui.
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Marta Machado (1988), enquanto artista a metodologia que usa é a da arquitectura, isto é, a de relação ao contexto, não atuando sobre um assunto antes de o compreender. Significa que para ter um conhecimento responsável antes de agir, precisa responder ao contexto de que também faz parte.
Formada em arquitetura em 2013 e mestre em fotografia em 2021, interessam-lhe temas como arquitectura e território. Além de estudar o contexto autobiográfico de um território, encontro na fotografia a ferramenta de significação, através do palimpsesto de lugares que me são familiares.
O trabalho desenvolvido gira em torno de um conjunto de circunstâncias, sociais, externas orgânicas, transitando por diferentes temas e histórias que pretendo contar sobre um determinado assunto, que não é definido por uma estética ou forma específica. Conceitos como melancolia, memória, lugar, identidade e colonialismo são os principais temas em torno do seu corpo de trabalho.
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