RUI CAMPOS, PROJECTO REFERENTES
Exposição na Galeria de Artes do Palácio Quinta da Piedade, na Póvoa de Santa Iria, até 14 de Maio de 2022.
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O avô paterno de Rui Felizes Campos, Amândio Felizes Tetino, além de fotógrafo, “era relojoeiro e ourives (a arte de ourives aprendeu com um irmão, Abel). Mas era também electricista, com carteira profissional e inscrito num sindicato. Alugava ainda bicicletas.”
Em Vila Nova de Foz Côa, a casa Foto Felizes registou ao longo de muitos anos os momentos importantes da vila, das aldeias em redor e dos seus habitantes. Um tio veio a dar sequência à atividade da relojoaria, e um filho, Victor, foi fotógrafo, esteve em Angola e tinha um estúdio em Linda-a-Velha. No entanto umas caixas com o espólio da casa fotográfica de Foz Côa: câmaras, equipamentos, negativos, fotografias, incluindo fotografias mandadas revelar e não levantadas, foram-se lá conservando, até que, em determinado momento, o neto Rui, já crescido, resolveu começar a explorar aquele mundo maravilhoso… Veio assim a surgir o Projecto Referentes, há cerca de 15 anos.
E, como parte integrante do Projecto Referentes, agregando fotografias da região, de outros fotógrafos e tantos anónimos, criou o Arquivo Fotográfico do Douro Superior.
Um dos projetos é a exposição / apresentação dos retratos do arquivo, consoante vão sendo digitalizados, pelas várias localidades, procurando identificar e localizar os retratados e os seus descendentes. Há a entrega de uma impressão atual aos retratados ou aos seus familiares e a possibilidade de uma fotografia em azulejo.
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Rui Campos, Projeto Referentes.
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Diz Rui Campos:
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O objetivo fundamental do “Projecto Referentes” foi conferir uma utilidade ao acervo fotográfico do Estúdio Foto Felizes, em Foz Côa. É crença do seu criador que quando um acervo desta natureza se torna útil, a sua conservação é uma consequência e não uma necessidade. Depois de iniciado, fruto de circunstâncias diversas e necessidades, este projeto tem divergido para outros sub-projetos que incidem, quer nas características diversas do acervo, quer nas funções da fotografia, quer de oportunidades que têm surgido.
Quinze anos depois, o projecto evoluiu, desenvolveu-se, ramificou-se e em breve irá posicionar-se como um factor de atracção e desenvolvimento regional pela forma como instrumentaliza as fotografias do acervo com a finalidade de mapear a diáspora regional e a partir daí criar as sinergias possíveis com vista ao desenvolvimento económico, cultural e artístico da região (e da diáspora), quer pela forma como utiliza essas mesmas fotografias para criar uma série de pontos de acesso na região (e na diáspora); pontos estes que por um lado guiam os visitantes pela região e por outro divulgam esta forma de descobrir lugares “pela voz daqueles que os habitaram”.
O mapeamento da diáspora é o objetivo mais importante deste “Projecto Referentes”, e o que vai ajudar no desenvolvimento da região pela via da identificação de oportunidades e sinergias entre os locais e a diáspora. Pretende-se adicionalmente desenvolver uma plataforma online para a promoção da região e venda de produtos, ancorada numa rede de azulejos com as fotografias das pessoas e dos lugares, e com um código QR que ligue o azulejo à plataforma. Estes azulejos estarão afixados nos lugares em que as fotografias foram feitas, em que as pessoas habitam ou habitaram e na diáspora, constituindo por um lado uma plataforma de apoio (os azulejos da região) e por outro uma forma de promoção única, barata, sem manutenção e “pela voz dos fozcoenses” (no resto do Mundo).
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Projecto Referentes, azulejo.
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O Referentes, à semelhança do acervo, é colaborativo e aberto a todos os artistas, especialistas de áreas diversas e académicos que desejem nele, ou por ele intervir na comunidade, desde que dessas intervenções resulte o enriquecimento do acervo, da região ou da diáspora.
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A exposição visa a sua promoção, mas também tem o objectivo de demonstrar o quanto se pode fazer com acervos fotográficos antigos que, em vez de aproveitados, estão a desaparecer. E com isto incentivar todos aqueles que conservarem acervos fotográficos antigos à sua divulgação e colocação à disposição de todos os especialistas que os possam enriquecer, ou por via deles enriquecer as comunidades.
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Na exposição apresentam-se diversos núcleos: de eventos, paisagens, retratos: alguns reconhecidos, uns ilustres, outros ainda por reconhecer, mostrando o vasto caminho que se abre a um espólio fotográfico. Um olhar sobre projeto LXV – Sessenta e Cinco: a visita da Virgem Peregrina em 1950 registada por Amândio e 65 anos depois por Rui Campos. Uma vitrine acolhe duas câmeras fotográficas – uma delas que o fotógrafo emprestava a quem queria registar algum passeio ou outros momentos – diversas fotografias, alguns livros por onde Amândio Felizes tomava conhecimento e aprendia algumas técnicas (como esfumados), que depois passava a utilizar, e outras edições recentes, com fotografias do Projeto. Numa das paredes, como em tantas casas de família, um retrato antigo dos antepassados, a moldura já inclinada e que se vai degradando com o decorrer dos anos (ou das décadas)… Os fragmentos vão caindo – cabe a cada um preservar essas memórias ou varrê-las para o lixo…
Um conjunto de correntes suporta as fotografias dos vários núcleos, algumas pontas ressaltam pendentes: como um percurso que não está acabado, um caminho que não está concluído, que aguarda pelo reconhecimento de mais pessoas, que quer unir essas pessoas, que quer encontrar outras pessoas e outras fotografias e as paisagens conhecidas, vistas por outros olhares…
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António Bracons, aspetos da exposição, 2022
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A exposição “Projecto Referentes”, de Rui Felizes Campos, promovida pela Associação Campos d’Arte e por Rui Campos, está patente na Galeria de Artes do Palácio Quinta da Piedade, na Póvoa de Santa Iria, de 02 de Abril a 14 de Maio de 2022.
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António Bracons, Rui Felizes Campos, Póvoa de Santa Iria, 2022
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Rui Campos, o autor do projecto é também fotógrafo. O ser humano é quase invariavelmente o elemento central nos seus trabalhos. Explora não só a relação entre gentes, espaços e lugares, mas também os costumes e os conceitos relativos às questões éticas e morais da sociedade, bem como as modas e os modos de viver. O quotidiano é a sua tela, procurando estabelecer estas conotações por via de cenas reais e sem qualquer tipo de produção cénica.
Consciente de que as imagens gozam de níveis de subjetividade diferentes, valoriza ainda as funções estética e epistémica da imagem fotográfica, procurando, sempre que possível, a sua fusão num mesmo fotograma, procurando desta forma desafiar o observador a interpretar as suas imagens tanto como textos como enquanto signos.
EXPOSIÇÕES, INSTALAÇÕES E PARTICIPACÕES (seleção)
2009 . “Antologias Felizes”, Sala de Exposições do Centro Cultural, Foz Côa; 2013 . “A Pastorícia Contemporânea, ou uma Nova Urbanidade do Rural” (colet.), Trinta e Três Atelier, Guarda; 2017 . “Guarda a Três Cores”, permanente, Restaurante Simple, Guarda – “Nossa Senhora do Campo”, permanente, Junta de Freguesia de Ranhados, Mêda – “Ethos”, Que Viso Eu, Viseu – “A Arte, a Cultura e os Regimes”, Galeria D’Artes do Centro Cultural, Foz Côa; Restaurante Aldeia Douro – “Touça – Terra de Encantos e Afetos”, permanente, Salão Nobre da Junta de Freguesia de Touça – “LXV – Sessenta e Cinco”, Centro Cultural, Foz Côa – “Projecto Referentes”, Apresentação do Projeto à Comunidade, Centro Cultural, Foz Côa; “Fé”, Restaurante Aldeia Douro, Foz Côa; 2018 – “LXV Sessenta e Cinco”, Porto de Mós – “CyPho”, Centro Cultural, Foz Côa; 2019 . “Arte no Feminino / A Mulher Anónima Figueirense”, Centro de Artes e Espetáculos, Figueira da Foz – “LXV Sessenta e Cinco” – Galeria Municipal Orlando Morais, Ericeira – “Ethos”, Museu da Guarda, no âmbito do 30 Simpósio Internacional de Arte Contemporânea (SIAC) – “REPOSITORIUM MMLXVIII”, Cápsula do Tempo, integrada no Conjunto Escultórico do SIAC3, Foz Côa – Itinerâncias do Projecto Referentes: Muxagata, Horta, Chãs, Freixo de Numão; 2021 . “Forma Significante”, festival Diafragma, Covilhã – Itinerâncias do Projeto Referentes: Custóias do Douro, Horta do Douro, Cedovim, Numão – “LXV sessenta e cinco”, Custóias do Douro – Exposição local do Projecto Referentes, Junta de Freguesia, Custóias – Exposição local do Projecto Referentes, Centro Paroquial de Horta, Horta; 2022 . Exposição Local do Projecto Referentes, Junta de Freguesia de Seixas.
Outras Participações (seleção)
2020 . Ensaio “mEtArnOrFoSe” para o projeto “Memória COVID”, uma iniciativa do Laboratório de Humanidades Digitais, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, apoiada pela Fundação Ciência e Tecnologia;
Publicações
2012 . Escape Livre Magazine, 3.º trimestre (portefólio); 2018 . Revista CôaVisão n.º 20 (Artigo e Portefólio); 2019 . Catálogo “As Infâncias Perduráveis”, de Paula Rego (fotografia) – Catálogo do 3.º Simpósio Internacional de Arte Contemporânea do Museu da Guarda (SIAC3) (Conceção, grafismo e imagem) – Catálogo do 3.º Salão Aberto para Obras (Conceção, grafismo e imagem) – Revista CôaVisão n. 0 21 (artigos e portefólio); 2020 . Escape Livre Magazine n.º 80 – Revista CôaVisão n.º 22 (Artigos e Imagem); 2021. “Cadernos do Património”, n.º 1 (ensaio coletivo)
2022 . Revista CôaVisão n.º 23
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Pode conhecer mais sobre o Projeto Referentes aqui.
Atualizado em 06.05.2022.
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