LUÍS PAVÃO, PELA FRESCA SOMBRA DAS ÁRVORES DE LISBOA
Exposição no Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, até 30 de abril de 2022.
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Luís Pavão mostra-nos, a preto e branco, como as cidades também podem ser verdes e como a natureza cresce quer em espaços amplos, quer em espaços mais reduzidos. Árvores de copas frondosas preenchem os espaços de ruas ou alamedas, ou uma simples árvore dá dimensão a um pequeno largo.
Uma árvore é cor, é sombra, é luz, é vida. Sobretudo vida.
Na sua pesquisa pela cidade, fotografando com médio ou grande formato (sim, em película, impresso em papel fotográfico fotossensível, revelado…), Luís Pavão mostra-nos esta Lisboa de um outro modo…
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António Bracons, Luís Pavão, 23.02.2022
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Sobre “Pela fresca sombra das árvores de Lisboa”, escreve Luís Pavão:
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Este projeto começou há vinte anos, quando fotografava as ruas de Lisboa a partir de um ponto alto, uma grua da CML que eleva a sua cesta a 27 metros de altura. Vistas de cima, as ruas são tomadas pela floresta, que tudo tapa e absorve. Estamos noutro mundo. Em algumas ruas, Avenida Elias Garcia, Rua Jau, Avenida Conde Valbom o espetáculo era esmagador.
Circulando pelas ruas de Lisboa encontramos árvores constantemente: nas praças, nos passeios, nos separadores, nos jardins. Árvores são colocadas em pontos estratégicos, como os lódãos colocados na bifurcação de uma rua. Ou colocadas nos separadores centrais, como os novos plátanos na Avenida da República, que a transformam noutra via. Nos anos 50 foram plantadas inúmeras tipuanas nas avenidas novas que hoje oferecem um espetáculo de troncos torcidos acima das nossas cabeças. De inverno são um festival de geometria, no verão refrescam-nos e preenchem todo o espaço. Os dragoeiros nos jardins animam a paisagem com a sua multiplicação de braços e ramos verdes e são um prazer de contemplar. As raízes de algumas árvores prolongam-se à superfície pelos jardins, criando uma teia que parece unir todas as árvores do mundo.
Temos ainda memória dos anos 1960 e 1970, quando a cidade crescia apenas em cimento, estradas, viadutos, bairros sociais e parques de estacionamento. Todo o espaço livre em Lisboa estava pré destinado a parques de estacionamento ou centros comerciais, então considerados os símbolos do progresso urbano. Felizmente esses tempos ficaram para trás. Lisboa tem crescido mais verde nos últimos anos e nota-se uma atenção maior à construção de jardins e à arborização de arruamentos e praças. Quem circula pela cidade apercebe uma nova mentalidade na sua gestão. Quem cuida das árvores, quem desenvolve os parques e os jardins vê o seu esforço reconhecido pelos cidadãos. As árvores estão no centro das necessidades urbanas dos tempos modernos.
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Janeiro 2021
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António Bracons, aspetos da exposição, 2022
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A exposição de Luís Pavão, “Pela fresca sombra das árvores de Lisboa”, apresenta-se no Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, na R. da Palma, 246, em Lisboa, de 23 de fevereiro a 30 de abril de 2022.
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Luís Pavão nasceu em Lisboa, exerce a sua atividade na área de fotografia, processos históricos de fotografia e conservação de coleções de fotografia. Licenciado em Engenharia Eletrotécnica (IST, Lisboa, 1981), tem grau de mestre, Master of Fine Art on Photography, Museum Studies (Rochester Institute of Technology, 1989).
Fundador e responsável pela empresa LUPA, Luis Pavão Limitada, especializada em conservação e digitalização de coleções de fotografia. Desde 1991, conservador das coleções de fotografia do Arquivo Municipal de Lisboa.
Principais Publicações: Conservação de Colecções de Fotografia, Dinalivro, Lisboa, (1997), Tabernas de Lisboa, Assírio e Alvim, Lisboa, (1981), Fotografias de Lisboa à Noite, Assírio e Alvim, Lisboa, (1983), Lisboa, em vésperas do Terceiro Milénio, Assírio & Alvim, Lisboa, 2002, Fado Português, EAR BOOKS, Edel Classics, GmbH, 2005, Pela fresca sombra das árvores de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, 2021.
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Pode conhecer mais sobre a obra de Luís Pavão aqui e no FF aqui.
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