JOSÉ MIGUEL SOARES, TOPOFILIAS
Exposição em Évora, no Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, de 04.12.2021 a 16.01.2022.
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José Miguel Soares, Topofilias
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Sobre o projeto ‘Topofilias’, escrevem os organizadores:
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A exposição de fotografia ‘Topofilias’ de José Miguel Soares, apresentada no Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, em Évora, é o culminar de um amplo projeto de criação artística realizado no Alentejo Central, que teve início em julho de 2020. Esta ação de inclusão pela arte, envolveu a população excluída por envelhecimento e isolamento tendo como foco o espaço e o lugar praticado e vivido, como forma de recuperar e produzir memória através da construção de um olhar sobre e a partir do património humano. Assente no conceito de Topofilia, o elo afetivo entre a pessoa e o lugar ou o meio ambiente, explora-se uma associação que promove a ideia de pertença e de identidade cultural que resulta numa série de retratos tornados visíveis nesta exposição.
Realizado nos concelhos de Alandroal, Borba, Estremoz, Évora e Reguengos de Monsaraz, o projeto inclui-se no Transforma – Programa para uma Cultura Inclusiva do Alentejo Central, promovido pela CIMAC. Esta exposição inclui imagens realizadas em todos os concelhos e é a última de um circuito de cinco exposições no âmbito deste projeto da Malvada.
O processo de ‘Topofilias’, com criação e direção artística de Ana Luena e José Miguel Soares, desenvolveu-se quer nas aldeias típicas e nos centros históricos, cujo denominador comum é um passado admirável e extraordinário, quer nos espaços urbanos e periurbanos, simultaneamente polos de desenvolvimento, desordenamento e reorganização do território, bem como nos espaços extensos de paisagens naturais antropomorfizadas, onde a desertificação humana é mais do que uma tendência estatística.
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Projeto Topofilias, Making-of
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Em ‘Topofilias’, realizamos um processo artístico que utilizou a fotografia como instrumento para desenvolver a relação entre os habitantes e o território, impulsionando o exercício de cidadania ativa a que todos temos direito. Este projeto baseia-se na partilha e participação ativa do público-alvo, numa reflexão sobre si e o seu lugar, com quem se constrói ideias, imagens, identidade e cultura.
A exposição inclui retratos e imagens resultantes das diferentes fases das ações artísticas que envolveram o público-alvo: em Sessões de Partilha nas quais se registaram fotografias e objetos e se realizaram retratos junto das suas casas, em jardins e espaços públicos; em Oficinas de Mapas e Roteiros nas quais se identificaram espaços através dos testemunhos recolhidos e das histórias e acontecimentos pessoais partilhados, fizeram-se visitas e passeios fotográficos; em Sessões de Retrato de Estúdio montados em praças, mercados, associações e lares de idosos. Os retratos, o registo dos espaços recordados, dos objetos estimados ou perdidos constituem um depósito de pedaços de memórias e de vidas.
Para muitos dos participantes, as sessões de partilha e de retrato de estúdio marcaram o primeiro encontro depois do período de confinamento a que a pandemia obrigou, constituindo, por isso, um momento de grande alegria e inclusão. Ao mesmo tempo, o ritual de ser fotografado constitui uma valorização das vivências de um segmento da comunidade que é tantas vezes marginalizado, contribuindo para um sentimento de orgulho e pertença. O acompanhamento dos mediadores e parceiros de cada concelho revelou-se de extrema importância para os resultados alcançados. Durante todo o processo, desenvolveu-se com os participantes o exercício da memória, no qual se incentivou o ato de recordar e de estabelecer conexões, a aproximação e a partilha através da fotografia, o empoderamento e a inclusão no ato de ser retratado. Ao longo das várias sessões realizadas nos cinco concelhos, a equipa da Malvada conheceu aprofundadamente o território e criou laços e relações com os participantes, residentes, mediadores, localidades, grupos, associações, restaurantes, comerciantes e com os Municípios. O território é, para além de físico, social e emocional, composto e estruturado por aqueles que o vivem. Todos estes tempos e lugares, e as memórias que lhes estão associadas, ganham corpo naqueles que os habitam e que por eles se deixam habitar.
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A exposição de José Miguel Soares, “Topofilias”, está presente em Évora, no Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, de 04 de dezembro de 2021 a 16 de janeiro de 2022.
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José Miguel Soares (P. Delgada, 1977) Fotógrafo e Psicólogo. Desenvolve projetos artísticos de fotografia e de cruzamento disciplinar. Fundou e dirige a Malvada com Ana Luena. Residiu em Lisboa e em Roma onde trabalhou em fotografia e comunicação durante mais de uma década. Atualmente reside em Évora. Tem as suas fotografias publicadas em dezenas de revistas e publicações de grandes grupos editoriais a projetos independentes.
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O projeto “Topofilias” envolveu uma vasta equipa:
Fotografias: José Miguel Soares
Criação e direção artística: Ana Luena e José Miguel Soares
Impressão e arte final: José Miguel Soares e Pedro Vilhena
Mediadores: Carla Rosado (SCMA), Ricardo Pacífico (CMA), Carina Falé (APIT), Sofia Alexandra Dias, Marta Grilo e Sara Jaques (CMB), André Bacalhau e Manuela Lagoa (SCMB), Carla Correia e Maria João Onofre (CME), Ana Rita Feijão e Cláudio Serra (CMRM), Ana Pedrosa (UPTE)
Assistentes de produção e comunicação: Beatriz Ourique, Rita Boavida e Rita Henriques
Design: Rui Alves
Parceiros: Direção-Geral do Património Cultural, Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, Câmara Municipal de Évora, Junta de Freguesia de Canaviais, Casa do Povo de Canaviais, Polo de Canaviais – Universidade Popular Túlio Espanca, Câmara Municipal de Alandroal, Santa Casa da Misericórdia de Alandroal, APIT – Associação de Proteção aos Idosos da Freguesia de Terena, Câmara Municipal de Borba, Ação Social Município de Borba, Santa Casa da Misericórdia de Borba, Câmara Municipal de Estremoz, Academia Sénior de Estremoz, Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz
Ação incluída no Transforma – Programa para Cultura Inclusiva do Alentejo Central
Promotor CIMAC – Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central
Cofinanciamento: Alentejo 2020, Portugal 2020, Fundo Europeu | União Europeia
Produção: Malvada Associação Artística
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Cortesia: Malvada Associação Cultural / Ana Luena e José Miguel Soares.
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