SUSANA KEKKONEN, FAMILY ALBUM + HAAKON SAND, TWINS FOREVER

Estas séries integram a exposição “The Family in Transition”, do Imago Lisboa Photo Festival patente nas Carpintarias de São Lázaro, em Lisboa, de 2 a 20.10 e de 29.10 a 06.11.2021.

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SUSANA KEKKONEN, FAMILY ALBUM

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Susana Kekkonen, Family Album, Penny, 2014 – Iisis, 2014

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Family Album apresenta uma série de retratos de família, que inclui filhos de famílias divorciadas. A personagem principal de cada fotografia é uma criança cujos pais se divorciaram. As crianças convidaram todas as pessoas que consideravam pertencer à sua família, para se juntarem ao retrato. Foram também elas que organizaram a disposição dos membros da família como acharam melhor. A ideia foi atribuir o poder de definir e organizar a família, à pessoa que não teve essa oportunidade, pela ocasião do divórcio: o filho.

As famílias reconstituídas têm sido algo comum para centenas de milhares de finlandeses durante décadas, porém o conceito de família tradicional ainda prevalece tanto na linguagem quanto na cultura visual. Na língua finlandesa não existem palavras para definir os membros das famílias reconstituídas. Daí a necessidade de representar estas famílias através de imagens. Tradicionalmente, os retratos de família mostravam apenas o núcleo familiar: dois cônjuges e filhos. A série Family Album demonstra que os membros que representam uma família nem sempre vivem sob o mesmo teto, e nem sempre utilizam o mesmo apelido.

O trabalho Family Album torna evidente o facto de o divórcio afetar os filhos até à idade adulta. As imagens e as histórias criadas pelas crianças, despertam pensamentos sobre a importância e a vulnerabilidade dos laços familiares.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2021

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HAAKON SAND, TWINS FOREVER

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Haakon Sand, Twins Forever

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Quando a chuva cai e o céu está escuro, as luzes nas janelas da estrada Treschow em Oslo estão acesas, como sempre acontece quando está a chover. Através das cortinas, quase parece um museu de arte. Mas quando o sol atinge o prédio e a chuva para o som das scooters a circular pela estrada faz-se sentir. 

Bjørn e Ulf Bergerud cresceram em Oslo, no bairro de Torshov, durante os anos 30. Juntos, eles foram para a escola primária de Lilleborg e presenciaram a ocupação alemã na Noruega da varanda do seu apartamento. Eles são os únicos gémeos entre os três irmãos. Desde o nascimento, foram separados apenas uma vez e passaram juntos 79 dos seus 80 anos. Todas as manhãs, ao acordar, eles agradecem um ao outro pela oportunidade de estarem mais um dia juntos. Desde os seus 20 e poucos anos, fazem parte das Testemunhas de Jeová, e pregam regularmente a palavra de Jeová.

Bjørn e Ulf são gémeos idênticos e partilham praticamente tudo. Se um deles tem uma dor no dedo do pé, o outro sente a mesma dor no dia seguinte; eles têm a mesma escova de dentes, o mesmo sabonete, e gostam do mesmo tipo de comida. A sua comida favorita é sardinha em lata, e bolo fofo como sobremesa. Nos fins de semana, passam o dia a jogar monopólio ou saem para passear de scooter. Por causa da doença causada pela polineuropatia, eles não podem andar muito.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2021

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As séries “Family Album” e “Twins Forever”, de Susana kekkonen e Haakon Sand, respetivamente, integram a exposição “The Family in Transition”, com curadoria de Rui Prata, promovida pelo Imago Lisboa Photo Festival, patente nas Carpintarias de São Lázaro, na R. de São Lázaro, n.º 72, em Lisboa, de 2 a 20 de outubro e de 29 de outubro a 6 de novembro de 2021 (5.ª feira a domingo, 12:00 – 18:00), (inicialmente de 2 a 31 de outubro).

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Susanna Kekkonen é uma fotógrafa experiente, que ganha a vida maioritariamente a fotografar para algumas das maiores revistas da Finlândia. Ultimamente tem trabalhado também como editora de imagens para diversos operadores públicos. 

Susanna iniciou o projeto Family Album em 2011, fotografando a sua própria família. Todo o processo de filmagem da série Family Album foi bastante íntimo, mas foi também fortalecedor para Susanna e muitas das famílias. Esta série foi exibida em várias exposições individuais pela Finlândia. Susanna organizou workshops dirigidos aos visitantes da exposição de forma a fazerem um retrato de família usando o método do Family Album. 

A Aalto Photo Books publicou o livro ”Family Album” em 2015. Susanna Kekkonen formou-se como Mestre de Artes na Aalto University, Helsínquia, em 2014.

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Sobre si, diz Haakon Sand:

As minhas histórias são frequentemente desenvolvidas por acontecimentos próximos a mim ou por experiências pessoais.

No meu trabalho, sou fascinado pelos pequenos momentos que surgem no caos do quotidiano, seja um olhar amigo ou um toque amoroso de uma mãe. Para mim, esses momentos são o que revela a humanidade dentro de nós. A minha ambição é fazer fotografia que seja emocional e vulnerável, tendo esperança em assim envolver e inspirar as pessoas. Estudei fotografia em Londres e tenho mestrado em documentário e fotojornalismo.

Atualmente trabalho com documentários na Sandbox productions, onde colaboro com artistas, músicos e autores. Nasci e cresci na Noruega numa pequena ilha no Fiorde de Oslo (Oslofjord).

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Sobre a exposição, “The Family in Transition. A Família na atual sociedade”, escreve o curador, Rui Prata:

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A origem e definição da palavra família não é consensual. Na Wikipédia encontramos como significado, “um conjunto invisível de exigências funcionais que organiza a interação dos membros da mesma, considerando-a, igualmente, como um sistema que opera através de padrões transacionais”. Parece-nos ser uma significação bastante abrangente e satisfatória no quadro das mutações da família contemporânea, contrariamente à definição sugerida por Claude Lévi-Strauss. Aquele antropólogo francês sugere que “a família nasce a partir do momento em que haja casamento, passando, portanto, a haver cônjuges e filhos da união destes”. No nosso entender é um significado ultrapassado na medida em que o casamento, embora constitua um sacramento na maioria das culturas, e onde podemos incluir outros rituais de acasalamento, não representa mais a exclusividade da génese dos laços familiares. Com a evolução da sociedade atual, foram-se gerando novas configurações familiares. É verdade que as famílias monoparentais resultam maioritariamente da rutura de um casamento, mas também surgem da possibilidade da mulher gerar um filho de forma independente. Igualmente, a família arco-íris constituída por um casal homossexual e que possui, ou não, uma ou mais filhos a seu cargo, não passa necessariamente pelo casamento.

Existe o estereótipo da família feliz, que coabita em harmonia, mas também existe a família disfuncional, ou aquela onde, por razões diversas, se geram ódios. Situações de disfuncionalidade são inúmeras, mas não resistimos a recordar a mitologia grega na figura de Erígone, filha de Egisto e Clitemnestra. Reza a lenda que, após Agamémnon ter ido para Troia, Clitemnestra, sua esposa, se torna amante de Egisto. Quando Agamémnon regressa, Egisto e Clitemnestra assassinam-no e depois casam-se. Os filhos de Agamémnon e Clitemnestra, Electra e Orestes, decidem vingar o pai e recuperar o reino, o que os leva a assassinar Egisto e a própria mãe. Mas o horror vai mais longe, quando Orestes viola a meia-irmã, a bela Erígone, por quem acaba por se apaixonar.

Assim, acreditamos no facto que no seio familiar, seja ele qual for, o denominador comum assenta, efetivamente, numa estrutura funcional que gere a interação de cada um dos seus membros.

Estamos conscientes de existirem muitas outras possibilidades de mapeamento das relações amorosas e familiares. Contudo, acreditamos que se alcança matéria suficiente para discussão e reflexão em torno da temática eleita pelo festival.

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Sobre o Imago Lisboa Photo Festival, escreve a organização:

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A 3ª edição do festival IMAGO LISBOA evidencia o seu crescimento consolidado.

O festival organiza-se em torno de duas temáticas: The Family in Transition (integralmente apresentada nas Carpintarias de São Lázaro) e Rethinking Nature/Rethinking Landscape (disseminada em vários espaços), que constituem o mote para reflexão em torno de questões fundamentais da atual sociedade.

Na fusão de ambas as temáticas, apresentam-se três séries de Joakim Esklidsen, cuja obra é exposta pela primeira vez no nosso país e que poderá ser visitada no MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea.

Também numa nova colaboração com o projeto Salut au Monde, apresenta-se na SNBA (Sociedade Nacional de Belas Artes) a exposição We are Family que bebe a influência da mítica exposição The Family of Man, no MoMA em 1955.

A presença portuguesa está a cargo de Pauliana Valente Pimentel cuja obra Ask the Kids, retrata uma franja de jovens portuenses.

Devido à situação pandémica não foi possível, em 2020, realizar o projeto de leitura de portfolios – Lisboa Meeting Point, onde, supostamente, se expunha a obra de Mikhail Bushkov, artista vencedor. Assim, o seu trabalho Zürich bem como da sua mulher Olga Bushkova apresentam-se na novel Galeria Imago Lisboa.

Marginalmente à programação oficial, devemos salientar a crescente colaboração de galerias e outros espaços expositivos que se associam ao evento.

Em paralelo às exposições estão programadas um conjunto de ações tendentes à motivação e participação de públicos diversos.

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Sobre o Imago Lisboa Photo Festival no FF (a Agenda e outras exposições), aqui e no site do Imago, aqui.

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Cortesia: Imago Lisboa Photo Festival.

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