FRED HUENING, DREI – THEM AND ME + JOHAN BÄVMAN, SWEDISH DADS
Estas séries integram a exposição “The Family in Transition”, do Imago Lisboa Photo Festival patente nas Carpintarias de São Lázaro, em Lisboa, de 2 a 20.10 e de 29.10 a 06.11.2021.
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FRED HUENING, DREI – THEM AND ME
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Fred Huening, Drei – Them and me
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Era uma vez um homem e uma mulher. Eles estavam loucamente apaixonados, passavam o tempo todo juntos, partilhavam as mesmas ideias e sonhos. Mas um dia, um outro homem apareceu. Muito mais jovem, mais bonito, mais giro. A mulher apelidou-se então de mãe e designou o seu amante e homem, como pai. A mulher partilhava agora, cada minuto do seu tempo com o jovem rapaz. Ela alimentou-o: deu-lhe os seios para que bebesse, e o seu corpo para que se aquecesse. O homem passou a sentir-se desenquadrado e estranho. Não existia mais ELA e ELE, agora eram ELES e ELE. Mas como o homem era fotógrafo de profissão, fez o que melhor sabia: tirar fotografias. Ele estava sempre por perto da mulher e do jovem rapaz. O homem observava cada respiração deles, cada movimento que faziam, cada passo que davam, cada palavra que diziam, cada jogo que jogavam.
DREI é a palavra alemã para “três”.
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2021
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JOHAN BÄVMAN, SWEDISH DADS
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Johan Bävman, Swedish Dads
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Swedish Dads é uma série de retratos baseada num grupo de pais, pertencentes a uma pequena percentagem de progenitores que optam por ficar em casa com os seus filhos, por um período de seis meses ou mais. Com este projeto, Johan Bävman pretendia descobrir a razão que levava estes pais a ficarem em casa, por muito mais tempo do que a maioria.
O que ganham eles com essa experiência? De que forma a decisão de usufruir da licença de paternidade muda a relação com o/a parceiro/a e com a criança? Que expetativas tinham antes de a iniciar?
A política de licença parental da Suécia é considerada uma das mais vantajosas do mundo.
O sistema atual permite que os pais fiquem em casa com os seus filhos, por um total de 480 dias, período durante o qual recebem um subsídio do estado. São noventa dias designados para cada pai e não podem ser transferidos.
O objetivo de incentivar os pais a tirarem mais licenças parentais é o de promover a igualdade de género.
Apesar de ser um subsídio generoso, apenas parte dos pais suecos utiliza a totalidade da licença parental atribuída, e apenas catorze por cento dos casais divide essa licença equitativamente.
Johan Bävman tem dois objetivos neste projeto fotográfico. Em primeiro lugar, pretende apresentar esta singular política parental existente na Suécia. Em segundo lugar, deseja inspirar outros pais — da Suécia e de outros lugares — a perceber as vantagens de assumir um papel mais ativo na vida dos seus filhos. A sua intenção com esta série fotográfica não é a de glorificar os pais. Por outro lado, procura envolver-se num debate sobre o porquê de esses pais serem considerados especiais.
O projeto Swedish Dads foi fotografado ao longo de um período de dois anos. Foram retratados 45 pais com os seus filhos, e o trabalho foi publicado pela primeira vez em 2014. Com esta série Johan Bävman ganhou inúmeros prémios, na Suécia e noutros países, e as fotos foram exibidas em vários festivais de fotografia em todo o mundo. A exposição Swedish Dads também fez uma digressão internacional através do The Swedish Institute.
Até ao momento, as fotografias foram exibidas em sessenta e cinco países, e mais estarão por vir.
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2021
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As séries de Fred Huening, “Drei – Them and me” e de Johan Bävman, “Swedish Dads”, integram a exposição “The Family in Transition”, com curadoria de Rui Prata, promovida pelo Imago Lisboa Photo Festival, patente nas Carpintarias de São Lázaro, na R. de São Lázaro, n.º 72, em Lisboa, de 2 a 20 de outubro e de 29 de outubro a 6 de novembro de 2021 (5.ª feira a domingo, 12:00 – 18:00), (inicialmente de 2 a 31 de outubro).
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Fred Hüening estudou na Escola Ostkreuz em Berlim.
O seu trabalho trata maioritariamente de assuntos ligados à intimidade humana, natureza, e o que ele chamou de „The Things of Life“. Em 2007 recebeu o Prémio Art Prize for Photography Berlin-Brandenburg pelo seu trabalho de graduação “einer”. A sua trilogia de livros fotográficos “einer”, “zwei” e “drei” foi publicada em 2010/11 pela Peperoni Books de Berlim. Em 2013, a trilogia foi convidada pela curadora Susan Bright para a sua exposição coletiva e livro ‘Home Truths: Photography and Motherhood’.
Em 2013, a sua monografia “one circle” (baseada na trilogia) foi publicada. Em 2017 o seu segundo livro trilogia, “two mothers” foi publicado.
O seu trabalho foi exibido em festivais de fotografia em toda a Europa, incluindo Reggio Emilia, Darmstadt, Leipzig, Łodz, Kaunas e Arles. As exposições individuais incluem Gallery Brotfabrik Berlin e Westwerk Hamburg. As exposições coletivas incluem ‘Home Truths’ na The Photographers´ Gallery London, MoCP Chicago e Belfast Exposed. Em 2019 “einer” foi destaque no livro “Photography Decoded”, publicado pela TATE London.
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Johan Bävman (nascido em 1982) é um fotógrafo / cineasta independente que vive em Malmö, Suécia. Combina os seus próprios projetos de fotografia com atribuições jornalísticas em todo o mundo. Entre os anos 2008 e 2011, Johan Bävman trabalhou como fotógrafo no Sydsvenskan, um dos maiores jornais da Suécia. Formou-se na Nordens Fotoskola, Estocolmo em 2007. No passado foi membro da Moment Agency [2007–2015]. O seu trabalho foi premiado pela World Press Photo, POY, Sony Award, NPPA, UNICEF Photo Award, TT Photography Award e Picture of the Year (Suécia).
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Sobre a exposição, “The Family in Transition. A Família na atual sociedade”, escreve o curador, Rui Prata:
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A origem e definição da palavra família não é consensual. Na Wikipédia encontramos como significado, “um conjunto invisível de exigências funcionais que organiza a interação dos membros da mesma, considerando-a, igualmente, como um sistema que opera através de padrões transacionais”. Parece-nos ser uma significação bastante abrangente e satisfatória no quadro das mutações da família contemporânea, contrariamente à definição sugerida por Claude Lévi-Strauss. Aquele antropólogo francês sugere que “a família nasce a partir do momento em que haja casamento, passando, portanto, a haver cônjuges e filhos da união destes”. No nosso entender é um significado ultrapassado na medida em que o casamento, embora constitua um sacramento na maioria das culturas, e onde podemos incluir outros rituais de acasalamento, não representa mais a exclusividade da génese dos laços familiares. Com a evolução da sociedade atual, foram-se gerando novas configurações familiares. É verdade que as famílias monoparentais resultam maioritariamente da rutura de um casamento, mas também surgem da possibilidade da mulher gerar um filho de forma independente. Igualmente, a família arco-íris constituída por um casal homossexual e que possui, ou não, uma ou mais filhos a seu cargo, não passa necessariamente pelo casamento.
Existe o estereótipo da família feliz, que coabita em harmonia, mas também existe a família disfuncional, ou aquela onde, por razões diversas, se geram ódios. Situações de disfuncionalidade são inúmeras, mas não resistimos a recordar a mitologia grega na figura de Erígone, filha de Egisto e Clitemnestra. Reza a lenda que, após Agamémnon ter ido para Troia, Clitemnestra, sua esposa, se torna amante de Egisto. Quando Agamémnon regressa, Egisto e Clitemnestra assassinam-no e depois casam-se. Os filhos de Agamémnon e Clitemnestra, Electra e Orestes, decidem vingar o pai e recuperar o reino, o que os leva a assassinar Egisto e a própria mãe. Mas o horror vai mais longe, quando Orestes viola a meia-irmã, a bela Erígone, por quem acaba por se apaixonar.
Assim, acreditamos no facto que no seio familiar, seja ele qual for, o denominador comum assenta, efetivamente, numa estrutura funcional que gere a interação de cada um dos seus membros.
Estamos conscientes de existirem muitas outras possibilidades de mapeamento das relações amorosas e familiares. Contudo, acreditamos que se alcança matéria suficiente para discussão e reflexão em torno da temática eleita pelo festival.
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Sobre o Imago Lisboa Photo Festival, escreve a organização:
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A 3ª edição do festival IMAGO LISBOA evidencia o seu crescimento consolidado.
O festival organiza-se em torno de duas temáticas: The Family in Transition (integralmente apresentada nas Carpintarias de São Lázaro) e Rethinking Nature/Rethinking Landscape (disseminada em vários espaços), que constituem o mote para reflexão em torno de questões fundamentais da atual sociedade.
Na fusão de ambas as temáticas, apresentam-se três séries de Joakim Esklidsen, cuja obra é exposta pela primeira vez no nosso país e que poderá ser visitada no MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea.
Também numa nova colaboração com o projeto Salut au Monde, apresenta-se na SNBA (Sociedade Nacional de Belas Artes) a exposição We are Family que bebe a influência da mítica exposição The Family of Man, no MoMA em 1955.
A presença portuguesa está a cargo de Pauliana Valente Pimentel cuja obra Ask the Kids, retrata uma franja de jovens portuenses.
Devido à situação pandémica não foi possível, em 2020, realizar o projeto de leitura de portfolios – Lisboa Meeting Point, onde, supostamente, se expunha a obra de Mikhail Bushkov, artista vencedor. Assim, o seu trabalho Zürich bem como da sua mulher Olga Bushkova apresentam-se na novel Galeria Imago Lisboa.
Marginalmente à programação oficial, devemos salientar a crescente colaboração de galerias e outros espaços expositivos que se associam ao evento.
Em paralelo às exposições estão programadas um conjunto de ações tendentes à motivação e participação de públicos diversos.
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Sobre o Imago Lisboa Photo Festival no FF (a Agenda e outras exposições), aqui e no site do Imago, aqui.
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Cortesia: Imago Lisboa Photo Festival.
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