DIANA VELASCO, FAMILY ALBUM II + KATRIN JAQUET, NEG

Estas séries integram a exposição “The Family in Transition”, do Imago Lisboa Photo Festival, para ver nas Carpintarias de São Lázaro, em Lisboa, de 2 a 20.10 e de 29.10 a 06.11.2021.

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Diana Velasco, Family Album II

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Diana Velasco, Family Album II

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Na série Family Album II, uso fotos antigas de família para imaginar quem eu seria se tivesse nascido e vivido em Espanha em vez de o ter feito na Dinamarca. Faço uma amálgama de duas fotos originais do meu álbum de família e, assim, reconstruo a minha história familiar. Ao usar o álbum de família como género, a obra de arte ganha um toque de autenticidade.

A autenticidade é uma invenção, a maioria das fotos foi tirada em 1972 — dois anos antes de eu nascer.

Em muitas das imagens fotográficas criadas, sou vista lado a lado com a minha mãe ou o meu pai, quando eles tinham a minha idade. A série combina retratos do passado e do presente, celebrações especiais, e também da vida quotidiana, e desta forma as fotografias criadas mexem com a noção de memória e realidade como uma coisa estável e imutável.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2021

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KATRIN JAQUET, NEG

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Katrin Jaquet, Neg

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No meu trabalho, exploro a fotografia como um meio, focando questões como a perceção do tempo e da luz, da identidade e da memória. Tenho particular interesse na forma como os aspetos técnicos e psicológicos da fotografia se encontram.

A minha série Neg trata da forma como olhamos as fotos de família. Partindo de um ponto muito pessoal, tento alargar para questões mais gerais.

Quando a minha mãe morreu, há alguns anos, herdei todas as fotos de família: álbuns catalogados ano-a-ano, bem como caixas cheias de fotos não classificadas desde 1870 até aos dias de hoje.

Existem muitas fotografias impressas, mas não há negativos. Os negativos das fotos de família mais antigas foram deitados fora há muito tempo e, das imagens recentes, nunca houve negativos, por serem, apenas ficheiros digitais. 

Tenho interesse no negativo como potencial — tanto no sentido técnico quanto no estético, e até no psicológico: o negativo é o que não queremos ver e não queremos mostrar. Nos álbuns de família, guardamos o que é positivo, os sorrisos e os momentos felizes, não as tensões ou as lágrimas. No entanto, é através do negativo que se obtém o positivo.

Na minha série Neg, eu (re)crio os negativos. Combino-os com aspetos positivos, sobrepondo situações semelhantes das diferentes gerações.

Procuro o ponto onde as camadas e as pessoas parecem fundir-se, onde existe um novo e ambíguo retrato, que é a literal combinação de positivo e negativo. 

As montagens digitais são acompanhadas de imagens das capas dos álbuns.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2021

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As séries “Family Album II”, de Diana Velasco e “Neg”, de katrin Jaquet, integram a exposição “The Family in Transition”, com curadoria de Rui Prata, do Imago Lisboa Photo Festival, para ver nas Carpintarias de São Lázaro, na R. de São Lázaro, n.º 72, em Lisboa, de 2 a 20 de outubro e de 29 de outubro a 6 de novembro de 2021 (5.ª feira a domingo, 12:00 – 18:00), (inicialmente de 2 a 31 de outubro).

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Diana Velasco é uma fotógrafa de belas artes de origem dinamarquesa-espanhola, nascida em 1974.

Velasco investiga as áreas da identidade, memórias culturais e senso de lugar – tudo muito relacionado à sua formação em antropologia, que estudou na Universidade de Washington.

Velasco foi indicada para o Lensculture Emerging Talent Award 2017, e em 2019 foi convidada para a exposição Corner em Sophienholm, em 2021 irá expor no ARoS Museum, e a partir de 2019 o seu trabalho passou a fazer parte integrante da coleção do Museu Nacional de Fotografia na Dinamarca.

Velasco expôs individualmente no Museu do Imigrante Dinamarquês, no Museu da Cidade de West Chicago (EUA), Museu da América Dinamarquesa (EUA), Museu do Património Nórdico (EUA), e na Galeria Hans Alf. Além disso, Velasco participou de exposições coletivas em Charlottenborg, Den Frie Center for Contemporary Art, Overgaden, Brandts, Sophienholm, ARoS, Aarhus Art Museum, NW Gallery, Radar Contemporary’s online e Huset i Asnæs, e no estrangeiro no Landskrona Photofestival (SE) , Reclaim Photography Festival (UK) e, brevemente, participará como convidada no Festival Imago Lisboa (PT), entre outros locais estão, São Francisco, Tóquio, Melbourne, e Buenos Aires.

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Katrin Jaquet é uma artista visual e professora que vive em Berlim, na Alemanha.

Estudou artes visuais numa formação mista de meios de comunicação, com foco em fotografia, vídeo e instalação.

Também estudou filosofia e literatura romântica, o que a levou a passar uma temporada em Paris.

Na escola (Escola Nacional de Belas Artes de Paris), frequentou aulas teóricas que englobavam uma ampla gama de temas, desde estética a arte política. Essas aulas incentivaram Katrin a trabalhar cada vez mais de forma interdisciplinar e a incluir a teoria da fotografia, a psicologia e a filosofia na sua abordagem fotográfica.

Os trabalhos de Katrin foram exibidos internacionalmente e ela recebeu várias bolsas e prêmios. Atualmente, está a trabalhar num projeto de livro utilizando uma visão geral das suas obras.

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Sobre a exposição, “The Family in Transition. A Família na atual sociedade”, escreve o curador, Rui Prata:

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A origem e definição da palavra família não é consensual. Na Wikipédia encontramos como significado, “um conjunto invisível de exigências funcionais que organiza a interação dos membros da mesma, considerando-a, igualmente, como um sistema que opera através de padrões transacionais”. Parece-nos ser uma significação bastante abrangente e satisfatória no quadro das mutações da família contemporânea, contrariamente à definição sugerida por Claude Lévi-Strauss. Aquele antropólogo francês sugere que “a família nasce a partir do momento em que haja casamento, passando, portanto, a haver cônjuges e filhos da união destes”. No nosso entender é um significado ultrapassado na medida em que o casamento, embora constitua um sacramento na maioria das culturas, e onde podemos incluir outros rituais de acasalamento, não representa mais a exclusividade da génese dos laços familiares. Com a evolução da sociedade atual, foram-se gerando novas configurações familiares. É verdade que as famílias monoparentais resultam maioritariamente da rutura de um casamento, mas também surgem da possibilidade da mulher gerar um filho de forma independente. Igualmente, a família arco-íris constituída por um casal homossexual e que possui, ou não, uma ou mais filhos a seu cargo, não passa necessariamente pelo casamento.

Existe o estereótipo da família feliz, que coabita em harmonia, mas também existe a família disfuncional, ou aquela onde, por razões diversas, se geram ódios. Situações de disfuncionalidade são inúmeras, mas não resistimos a recordar a mitologia grega na figura de Erígone, filha de Egisto e Clitemnestra. Reza a lenda que, após Agamémnon ter ido para Troia, Clitemnestra, sua esposa, se torna amante de Egisto. Quando Agamémnon regressa, Egisto e Clitemnestra assassinam-no e depois casam-se. Os filhos de Agamémnon e Clitemnestra, Electra e Orestes, decidem vingar o pai e recuperar o reino, o que os leva a assassinar Egisto e a própria mãe. Mas o horror vai mais longe, quando Orestes viola a meia-irmã, a bela Erígone, por quem acaba por se apaixonar.

Assim, acreditamos no facto que no seio familiar, seja ele qual for, o denominador comum assenta, efetivamente, numa estrutura funcional que gere a interação de cada um dos seus membros.

Estamos conscientes de existirem muitas outras possibilidades de mapeamento das relações amorosas e familiares. Contudo, acreditamos que se alcança matéria suficiente para discussão e reflexão em torno da temática eleita pelo festival.

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Sobre o Imago Lisboa Photo Festival, escreve a organização:

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A 3ª edição do festival IMAGO LISBOA evidencia o seu crescimento consolidado.

O festival organiza-se em torno de duas temáticas: The Family in Transition (integralmente apresentada nas Carpintarias de São Lázaro) e Rethinking Nature/Rethinking Landscape (disseminada em vários espaços), que constituem o mote para reflexão em torno de questões fundamentais da atual sociedade.

Na fusão de ambas as temáticas, apresentam-se três séries de Joakim Esklidsen, cuja obra é exposta pela primeira vez no nosso país e que poderá ser visitada no MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea.

Também numa nova colaboração com o projeto Salut au Monde, apresenta-se na SNBA (Sociedade Nacional de Belas Artes) a exposição We are Family que bebe a influência da mítica exposição The Family of Man, no MoMA em 1955.

A presença portuguesa está a cargo de Pauliana Valente Pimentel cuja obra Ask the Kids, retrata uma franja de jovens portuenses.

Devido à situação pandémica não foi possível, em 2020, realizar o projeto de leitura de portfolios – Lisboa Meeting Point, onde, supostamente, se expunha a obra de Mikhail Bushkov, artista vencedor. Assim, o seu trabalho Zürich bem como da sua mulher Olga Bushkova apresentam-se na novel Galeria Imago Lisboa.

Marginalmente à programação oficial, devemos salientar a crescente colaboração de galerias e outros espaços expositivos que se associam ao evento.

Em paralelo às exposições estão programadas um conjunto de ações tendentes à motivação e participação de públicos diversos.

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Sobre o Imago Lisboa Photo Festival no FF (a Agenda e outras exposições), aqui e no site do Imago, aqui.

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Cortesia: Imago Lisboa Photo Festival

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