JOÃO HENRIQUES, RIO, UMA GEOGRAFIA SENTIMENTAL
Exposição integrada no Imago Lisboa Photo Festival, patente na Galeria de Santa Maria Maior, na R. da Madalena, 147, de 30 de setembro a 6 de novembro de 2021.
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João Henriques, Rio, Uma Geografia Sentimental
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Escreve o artista:
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O primeiro álibi que usei para faltar às aulas foi o rio Nabão. Era Junho, o calor, a aborrecida disciplina de Trabalhos Manuais, e uns imprudentes 11 anos de idade, congregaram-se na exploração de águas mais refrescantes, aventura que viria a terminar em previsível reprimenda parental. Passadas três décadas retornei a Tomar, para estudar Fotografia, tendo o território do rio sido agora objecto de mergulho visual, e o objecto da minha tese final de Mestrado. É num percurso entre a nascente, em Ansião, e a foz, a Sudeste de Tomar, ao longo do qual nasci eu e os meus pais, que se desenha esta “geografia sentimental”, título roubado a Aquilino Ribeiro, cujo pendor afectivo e simbólico, pela ligação com as raízes, com a história da família, não exclui uma construção visual de pendor académico e intelectual, na altura fortemente influenciada pelo pensamento de Aby Warburg. Na exploração do território enquanto paisagem, o real e a imagem parecem unir-se nessa linha invisível entre a água e a superfície, entre o rio e a profundidade, entre a matéria orgânica e a imaterialidade conceptual, onde a água enquanto espelho – imagem portanto, parece dar origem a novas figuras e fundos, formas e narrativas. Se na tese aludida apenas existiam fotografias de paisagem, por força de um escopo temático delineado de acordo com os objectivos académicos, na galeria de Santa Maria Maior juntam-se agora um conjunto de retratos nunca antes mostrados. Feitos durante essas caminhadas pelas margens do rio, num exercício, também ele warburguiano, de permanente retorno ao arquivo, talvez permitam continuar a construção visual, experiencial, mnemónica e afectiva, de um lugar que, apesar de familiar, me continua desconhecido.
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António Bracons, aspetos da exposição, 2021
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A exposição de João Henriques, “Rio, Uma Geografia Sentimental”, integra o Imago Lisboa Photo Festival, no tema Rethinking Landscape / Rethinking Nature, está patente na Galeria de Santa Maria Maior, na R. da Madalena, 147, em Lisboa,de de 30 de setembro a 6 de novembro de 2021 (2ª a sábado das 15:00h até às 20:00h).
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João Henriques (Tomar, 1967), é licenciado em Gestão pela Universidade de Évora e mestre em Fotografia pelo Instituto Politécnico de Tomar (2013).
Exposições Individuais: 2021 – Novas Linhas – Galeria Municipal Torres Vedras. School Affairs – Ragusa Foto Festival, Sicilia, Itália. 2020 – Curso em Milagres – Sala Gótica, XXX Encontros da Imagem, Barcelos. Rio, Uma Geografia Sentimental – Câmara Escura, Torres Vedras. 2016 – School Affairs – Fnac CC Colombo, Lisboa. Le Rouge des Autres est Bleu – Livraria XYZ, Lisboa. 2015 – The Face of Another – Oficina de Cultura, Festival Imaginarte, Almada. 2014 – Rio, Uma Geografia Sentimental – Centro de Arte e Imagem, Tomar. The Face of Another – Paços – Galeria Municipal, Torres Vedras. 2012 – Trans.cidade – Centro de Experimentação e Criação Artística, Loulé. Id – Centro Cultural Emmerico Nunes, Sines. 2011 – 180 Graus – Convento dos Capuchos, Almada. Id – Palácio da Independência, Lisboa. 2010 – 180 Graus – Museu Pio XII, Encontros da Imagem, Braga. Id – Casa dos Cubos, Tomar. 180 Graus – Cooperativa de Comunicação e Cultura, Torres Vedras.
Exposições Colectivas: 2018 – Best of Talentos FNAC Fotografia, Silo -Espaço Cultural, Matosinhos. 2015 – Power & Illusion – Silver Night of Photography, Encontros da Imagem, Braga. 2013 – Facing (Un) Reality – Portuguese Photography Now, FotoFestival, Lodz, Polónia. 2012 – Periferia, Mês da Fotografia – Fábrica Braço de Prata, Lisboa. Barreira Invisível – Linha do Nabão, Galeria IPT, Tomar. 2010 – Antisepsys, Colectivo Facção Canalha, CCC – Torres Vedras. Kaunas Photo Nights, Portuguese and Brasilian Photography, Lituania.
Publicações: 2020 – Catálogo, “Génesis”, págs 52-56, ed. Encontros da Imagem. 2016 – Jornal, Le Rouge des Autres est Bleu, 28 pp., 12 imagens a cores, texto de Rui Matoso, ed. autor. 2010 – Livro, 180 graus, 44 pp., 36 imagens a cores, 20.5x20cm, ed. Cooperativa Comunicação e Cultura de Torres Vedras. 2010 – Livro, Id, 48 pp., 27 imagens a cores, 19,8×21,7cm, ed. CMTomar. 2010 – Catálogo, “Transmutações da Paisagem”, págs 62-65, ed. Encontros da Imagem.
Outros: 2021 – Programador de Conversas, Encontros da Imagem – Braga. Desde 2020 – Programador de Conversas no Imago Lisboa Photo Festival. Desde 2020 – Programador em Fotografia no Centro de Estudos em Fotografia de Tomar.
Prémios: 2020 – 10 Finalists Open Call “Desire”, Ragusa Foto Festival, Itália. 2016 – Vencedor Prémio Fnac Novos Talentos Fotografia PT 2015.
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Sobre o Imago Lisboa Photo Festival, escreve a organização:
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A 3ª edição do festival IMAGO LISBOA evidencia o seu crescimento consolidado.
O festival organiza-se em torno de duas temáticas: The Family in Transition (integralmente apresentada nas Carpintarias de São Lázaro) e Rethinking Nature/Rethinking Landscape (disseminada em vários espaços), que constituem o mote para reflexão em torno de questões fundamentais da atual sociedade.
Na fusão de ambas as temáticas, apresentam-se três séries de Joakim Esklidsen, cuja obra é exposta pela primeira vez no nosso país e que poderá ser visitada no MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea.
Também numa nova colaboração com o projeto Salut au Monde, apresenta-se na SNBA (Sociedade Nacional de Belas Artes) a exposição We are Family que bebe a influência da mítica exposição The Family of Man, no MoMA em 1955.
A presença portuguesa está a cargo de Pauliana Valente Pimentel cuja obra Ask the Kids, retrata uma franja de jovens portuenses.
Devido à situação pandémica não foi possível, em 2020, realizar o projeto de leitura de portfolios – Lisboa Meeting Point, onde, supostamente, se expunha a obra de Mikhail Bushkov, artista vencedor. Assim, o seu trabalho Zürich bem como da sua mulher Olga Bushkova apresentam-se na novel Galeria Imago Lisboa.
Marginalmente à programação oficial, devemos salientar a crescente colaboração de galerias e outros espaços expositivos que se associam ao evento.
Em paralelo às exposições estão programadas um conjunto de ações tendentes à motivação e participação de públicos diversos.
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Sobre a obra de João Henriques no FF, aqui. Pode conhecer melhor o trabalho do autor no seu site, aqui.
Sobre o Imago Lisboa Photo Festival no FF (a Agenda e outras exposições), aqui e no site do Imago, aqui.
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Cortesia do Artista.
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