ANABELA PINTO, PRECIOUS THINGS
A exposição integra os Encontros da Imagem 2021, pode ser vista no Porto, na The Cave Photography, R. 31 de Janeiro, 174, de 17.09 a 31.10.2021.
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Anabela Pinto vê-se rodeada de cassetes vídeo (VHS), cassetes de música, disquetes, jogos Amstrad, joystiks, televisores analógicos com as suas antenas, telefones com fios, os escassos telemóveis ainda uma ‘mala’ enorme… Uma multitude da tecnologia surgida na(s) última(s) década(s) do séc. XX, familiar a quem viveu nos anos 1980 e 1990, entretanto completamente obsoleta, ultrapassada pela evolução tecnológica, desconhecida por quem já nasceu no séc. XXI…
Quanto tempo de lazer- ou de trabalho – proporcionaram? Jogos, filmes, entretenimento, memórias…
Quanta informação, quantas memórias permanecem guardadas nestes dispositivos – ou perdidas – porque já não se conseguem ler, ou foram parar ao lixo?
Anabela Pinto mergulha nesse ‘tempo’, encenando as suas imagens.
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Anabela Pinto, Precious Things
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Baudrillard escreve como o sistema dos objetos é a manifestação da satisfação e da desilusão; como encontramos nos objetos do quotidiano uma ambição de atuar como substitutos das relações humanas. Parecendo resolver um mero problema prático, eles visam, subconscientemente, resolver um conflito social ou psicológico.
Precious Things é uma observação do culto da tecnologia como uma extensão da psique humana, onde objetos de consumo parecem canalizar, refletir e alimentarem-se das emoções do utilizador.
A luz azul que emana do ecrã de televisão permeia as cenas e sublinha essa presença, abrigando as delícias da artificialidade, e a promessa de uma vivência mais harmoniosa.
Envolto em nostalgia e no contexto do ambiente doméstico, objectos e aparelhos electrónicos destacam-se como sujeitos principais em narrativas abertas que incitam a imaginação do espectador, ao mesmo tempo que falam de uma relação sempre em evolução e ambígua, da proximidade humana aos objetos tecnológicos de desejo.
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A exposição de Anabela Pinto, “Precious Things”, integra os Encontros da Imagem 2021, pode ser vista no Porto, na The Cave Photography, R. 31 de Janeiro, 174, de 17 de setembro a 31 de outubro de 2021.
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Anabela Pinto é uma artista e fotógrafa portuguesa que vive e trabalha em Londres. O seu trabalho reflete um interesse na relação entre pessoas e tecnologias, cultura de consumo e desejo, e seu efeito subsequente na estética do espaço doméstico e do quotidiano.
Através do uso de cor e luz, adereços e objetos de interesse, seu trabalho atual joga com o potencial da mise-en-scène e explora as qualidades narrativas e possibilidades da imagem fotográfica. As cenas construídas oscilam entre as tropes visuais da linguagem cinematográfica e aqueles relativos às sensibilidades da fotografia comercial.
O seu trabalho tem sido exposto internacionalmente em festivais e galerias como Les Rencontres d’Arles (França), Photo LA (EUA), Nuit de la Photo (Suiça), Galerie Intervale (França), e Edel Assanti (Londres).
Ela foi reconhecida em vários prémios internacionais, incluindo o Prémio Dior de Fotografia para Jovens Talentos, o Life Framer Series Award, e talento Fresh Eyes da GUP Magazine.
Em 2020, concluiu o mestrado em Fotografia pelo Royal College of Art.
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Sobre esta edição dos Encontros da Imagem, escreve a Direção:
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Génesis 2:1, foi o tema escolhido para a 31ª edição dos Encontros da Imagem – Festival Internacional de Fotografia e Artes Visuais.2021, que este ano decorre entre 17 de setembro e 31 de outubro. Entre as muitas outras atividades, o Festival engloba 47 exposições distribuídas por 25 espaços distintos, envolvendo a participação de 64 fotógrafos.
“Génesis 2:1” dá continuidade ao tema do ano passado e, nunca um tema escolhido, se enquadrou tão bem no contexto da atualidade.
Um ano depois, voltamos também nós e todo o mundo – em resultado da crise pandémica provocada pelo Covid-19, de novo, a ter que passar por um confinamento generalizado.
Gerou-se a confusão e o caos. Uma incapacidade coletiva para compreender a desordem das coisas, confrontando a humanidade com desafios cada vez mais complexos e exigentes.
A sociedade contemporânea está desde há muito, perante enormes desafios de carácter global: desde as questões relacionadas com o planeta e os seus problemas ecológicos – perda da biodiversidade, alterações climáticas, aquecimento e contaminação – até às civilizações que o habitam, onde muitas delas geram novas desigualdades e indiferença moral – regimes políticos, religiosos, fronteiras, refugiados, racismo, questões de género e muitas outras.
Aquilo a que chamamos progresso, não só deixou de coincidir com a humanização do mundo, como pode acabar por ditar o seu fim. Urge encontrar soluções para acabar com as desigualdades e indiferença em relação ao sofrimento de milhões de pessoas.
Uma interrogação se pode colocar: que futuro nos espera? A crise em que vivemos constitui uma oportunidade para que todos encontremos causas comuns e discutamos as melhores soluções para o que deva ser feito.
Assim, e também com o objetivo de alerta, muitas das exposições agora apresentadas no âmbito dos Encontros da Imagem, para além do seu lado estético, abordam algumas das questões pertinentes que o mundo contemporâneo hoje vive.
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Cortesia: Encontros da Imagem
Pode ver no FF a Agenda dos Encontros da Imagem e sobre outras exposições dos Encontros, aqui.
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