DIOGO DA CRUZ, LOOKING UP FROM UNDERNEATH

A exposição integra os Encontros da Imagem 2021, em Braga, no Fórum Arte Braga, Av. Dr Francisco Pires Gonçalves, de 17.09 a 31.10.2021.

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Looking up from Underneath propõe uma narrativa de ficção científica, que interliga fragmentos da lenda afrofuturista da chamada civilização Drexciya com preocupações em torno das possíveis consequências da exploração mineira em alto mar.

Tenho vindo a explorar o poder da mitologia e o seu potencial na reactivação e reinvenção de histórias e espaços geográficos. Embora o progresso científico tenha feito com que grandes áreas do planeta Terra se tornassem compreensíveis para a humanidade, partes do nosso planeta ainda permanecem inteiramente misteriosas e desconhecidas. O ambiente do mar profundo em particular, provavelmente onde a vida na Terra tem as suas origens, é ainda um território desconhecido que alberga formas de vida extraordinárias. Estes infindáveis corpos de água, creio eu, são lugares pertinentes para a construção de mitos contemporâneos – são superfícies de projecção para a imaginação e a crítica sócio-política, espaços opacos de especulação e de recordação.

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Diogo da Cruz, Looking up from Underneath

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A exposição “Looking up from Underneath”, de Diogo da Cruz, integra os Encontros da Imagem 2021, encontra-se em Braga, no Fórum Arte Braga, Av. Dr Francisco Pires Gonçalves, de 17 de setembro a 31 de outubro de 2021.

No âmbito da exposição terá lugar o lançamento da revista Umbigo #78 e a apresentação da residência artística em que foi desenvolvida uma parte significativa do trabalho agora exposto – essa que resulta da colaboração entre a UmbigoLAB e a ArtWorks, numa conversa com Diogo da Cruz (artista), Guilherme Braga da Cruz e Duarte Sequeira (Fórum Arte Braga), Elsa Garcia e António Néu (Umbigo) e José Miguel Pinto & Francisca Marques (Artworks), terá lugar no local da exposição, dia 7 de outubro às 18:30.

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Diogo da Cruz (1992, Lisboa) é um artista conceptual que vive e trabalha entre Lisboa e Munique. Recebeu a Licenciatura em Escultura da FBAUL (2012) e um Diploma em Escultura da ADBK München (2016), onde estudou com Hermann Pitz, Ceal Floyer, Andrea Fraser e Tyler Coburn. A sua prática baseia-se na utilização de tecnologias para replicar ou imitar, rearticular e reimaginar estruturas incontestadas na sociedade ocidental. Trabalha em projectos a longo prazo impulsionados por cenários parcialmente fictícios, frequentemente baseados em descobertas científicas e referentes a circunstâncias sócio-políticas passadas, presentes e futuras. 

O seu trabalho foi apresentado em numerosas exposições na Europa, Rússia e Uruguai, incluindo em 2019: Novo Banco Revelação, Fundação de Serralves, Porto; ‘Wisdom Warriors’, Ruine München – Various Others, Munique; NANO//REVOLUTIONS, Espacio de Arte Contemporáneo, Montevideo, Uruguai.

Da Cruz é professor assistente na Academia de Belas Artes de Munique desde 2018.

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Sobre esta edição dos Encontros da Imagem, escreve a Direção:

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Génesis 2:1, foi o tema escolhido para a 31ª edição dos Encontros da Imagem – Festival Internacional de Fotografia e Artes Visuais.2021, que este ano decorre entre 17 de setembro e 31 de outubro. Entre as muitas outras atividades, o Festival engloba 47 exposições distribuídas por 25 espaços distintos, envolvendo a participação de 64 fotógrafos.

 “Génesis 2:1” dá continuidade ao tema do ano passado e, nunca um tema escolhido, se enquadrou tão bem no contexto da atualidade.

Um ano depois, voltamos também nós e todo o mundo – em resultado da crise pandémica provocada pelo Covid-19, de novo, a ter que passar por um confinamento generalizado.

Gerou-se a confusão e o caos. Uma incapacidade coletiva para compreender a desordem das coisas, confrontando a humanidade com desafios cada vez mais complexos e exigentes.

A sociedade contemporânea está desde há muito, perante enormes desafios de carácter global: desde as questões relacionadas com o planeta e os seus problemas ecológicos – perda da biodiversidade, alterações climáticas, aquecimento e contaminação – até às civilizações que o habitam, onde muitas delas geram novas desigualdades e indiferença moral – regimes políticos, religiosos, fronteiras, refugiados, racismo,  questões de género e muitas outras.

Aquilo a que chamamos progresso, não só deixou de coincidir com a humanização do mundo, como pode acabar por ditar o seu fim. Urge encontrar soluções para acabar com as desigualdades e indiferença em relação ao sofrimento de milhões de pessoas.

Uma interrogação se pode colocar: que futuro nos espera?  A crise em que vivemos constitui uma oportunidade para que todos encontremos causas comuns e discutamos as melhores soluções para o que deva ser feito.

Assim, e também com o objetivo de alerta, muitas das exposições agora apresentadas no âmbito dos Encontros da Imagem, para além do seu lado estético, abordam algumas das questões pertinentes que o mundo contemporâneo hoje vive.

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Pode conhecer melhor o trabalho de Diogo da Cruz aqui.

Pode ver no FF a Agenda dos Encontros da Imagem e sobre outras exposições dos Encontros, aqui.

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Cortesia: Encontros da Imagem

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