JEAN DIEUZAIDE, [YVES BOTTINEAU], PORTUGAL, 1956

Centenário do nascimento de Jean Dieuzaide (20 de junho de 1921 – 2021).

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Yan [Jean Dieuzaide]

Portugal

Fotografia: Yan [Jean Dieuzaide] / Texto: Yves Bottineau / Aguarela (capa): Yves Brayer

Paris, Grenoble: B. Arthaud / Maio. 1956 (1.ª ed.), 08.06.1961 (2.ª ed., reimpressão?)

Coleção Les Beaux Pays, 131

Francês / 17,5 x 22,9 cm / 122 pp (texto) + 166 fotografias em páginas extratexto

Brochura (capa branca) com sobrecapa impressa

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Gosto muito da fotografia de Jean Dieuzaide. O seu olhar humano, inocente, testemunhal. Diria, sorridente, sobre as pessoas e sobre o mundo. Sensível, terno. Maravilhando-se com cada um e com o particular de cada local. “Faz-se o caminho ao caminhar” (diz Manuel Machado) e é assim que Dieuzaide percorre o país e o mundo. E vê.

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Jean Dieuzaide começa a fotografar nos anos 1940. É um jovem de 32 anos que, em 1953, vem pela primeira vez a Portugal. Volta em 1954 e 1956, percorre o país de norte a sul, sempre para o editor Arthaud, dando origem à publicação deste livro, impresso em maio de 1956, “Ouvrage orné de 161 photographies de Yan” – na verdade, 166 fotografias.

O seu olhar varia entre a paisagem e a monumentalidade, que por vezes fotografa com uma câmara Linhof, formato 4X5 polegadas e as pessoas, retratos individuais ou em grupo, no dia-a-dia, nas feiras, no trabalho, na devoção, que fotografa com uma Rolleiflex, formato 6X6 cm. Creio que eram estas as fotografias que mais gosto lhe davam: pelo contacto, pelo diálogo que permitiam com a gente simples: percebemos pelas próprias imagens que os fotografados sabiam que o estavam a ser.

Das fotografias que fez em Portugal, uma parte significativa, vendeu ao SNI – Secretariado Nacional de Informação, sendo utilizadas em diversas publicações oficiais. Não me recordo de ver nestas publicações fotografias de “Yan” que retratem as pessoas, mas apenas a paisagem e o património. Creio que os retratos, por anteverem pobreza, não seriam do interesse do Estado, ou, por outro lado, Dieuzaide não estaria interessado em ‘abdicar’ deles. Os retratos que vamos encontrar noutras obras (Portugal, 1950, 1998) ou que mostrou nalgumas exposições, não os vemos nessas publicações.

Neste “Portugal” encontramos o país da primeira metade dos anos 50 na sua paisagem e nas suas gentes, bem impresso.

Nos primeiros anos da sua atividade Jean Dieuzaide assinava como “Yan”, como era conhecido na Resistência, na 2.ª Guerra Mundial e como acontece nesta obra.

Com as suas fotografias sobre Portugal, Jean Dieuzaide foi, em 1955, o primeiro fotógrafo galardoado com o Prémio Nièpce.

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Jean Dieuzaide, Portugal, 1956

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Jean Dieuzaide nasceu a 20 de junho de 1921 em Grenade sur Garonne, França. Foi o primeiro fotógrafo galardoado com o Prix Nièpce, em 1955, e é o único fotógrafo premiado também com o Prix Nadar, atribuído em 1961 pelo livro «Catalogne Romane» (Gens d’lmages). Foi o criador da Galerie Municipale du Château d’Eau, em Toulouse, em 1975 e é uma das personalidades mais importantes da fotografia francesa.

Aos 13 anos teve a sua primeira câmara: uma Coronet 6 x 9. Durante a 2.ª Guerra Mundial fotografou campos de treino, jovens em Toulouse e começou a assinar como “Yan”, nome como era conhecido na Resistência.

Foi membro do “Le Groupe des XV”, e posteriormente do “Les 30 x 40” e foi o fundador do grupo “Libre Expression”. Começou como fotojornalista, mas foram as suas viagens e fotografia arquitetónica que vieram a dominar o seu trabalho. Fez também fotografia abstrata e retrato.

Em 1969 é nomeado membro de honra da Fédération Française de l’Art Photographique (F.F.A.P) e em 1970 é presidente da comissão artística da Fédération Internationale d’Art Photographique (FIAP) e nesse mesmo ano é um dos fundadores dos Rencontres Internationales de la Photographie d’Arles.

Humanista, defensor assíduo do reconhecimento da fotografia como arte, fotógrafo de luz, autor de vários livros e exposições pelo mundo, construiu uma obra a preto e branco, profunda, essencial e subjectiva, da qual será apogeu “Mon aventure avec le Brai”, publicado em 1972. Em 1983, as edições Contrejour publicam “Voyages en Ibérie” prefaciadas por Gilles Mora, onde encontramos várias fotografias de Portugal.

Foi agraciado em França com o grau de Cavaleiro da Ordem do Mérito, 1966 e em 1981, com o grau de Oficial da Ordem do Mérito e Ordem das Artes e Literatura, entre outros.

Faleceu em 18 de setembro de 2003, em sua casa, no 7, rue Erasme, em Toulouse. A sua obra estima-se em mais de 1 milhão de fotografias. As suas fotografias foram entregues em 2016 à Cidade de Toulouse que tem a responsabilidade da sua conservação, promoção e divulgação.

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Pode conhecer melhor a sua obra aqui.

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