INSTANTES – FESTIVAL DE FOTOGRAFIA DE AVINTES . 2 – ANNIKA HASS, SONIA SEÑORÁNS, CARLA DE SOUSA, ZISOULA NTASIOU
Em exposição em Avintes, na Casa da Cultura de Avintes, Largo do Palheirinho, 32, de 1 a 30 de maio de 2021.
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Ao longo de algumas publicações apresento as exposições que integram a 8.ª edição do INstantes – Festival Internacional de Fotografia de Avintes, este ano dedicada à fotografia no feminino, sob o tema: “Combinações, numa dimensão maior”. A curadoria é de Alice WR.
Hoje apresento os projetos de Annika Hass, Sonia Señoráns, Carla de Sousa e Zisoula Ntasiou, que estão em exposição na Casa da Cultura de Avintes, no Largo do Palheirinho, 32, de 1 a 30 de maio de 2021.
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Annika Hass, Greenhouse effect: the new generation of Estónia [Efeito Estufa: a nova geração da Estónia]
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Annika Hass, Greenhouse effect: the new generation of Estónia
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O projeto fotográfico Greenhouse Effect retrata uma nova geração da Estónia, que herdou dos seus pais os problemas decorrentes do efeito estufa e a eminente catástrofe ecológica. Para as suas fotos, Annika Haas escolheu a paisagem dos arredores de Tallinn, capital da Estónia, uma antiga área de jardinagem, onde as estufas abandonadas e decadentes criam uma atmosfera apocalíptica. O projeto envolve jovens que receiam pelo futuro do planeta Terra e que tentam alertar a geração mais velha para a insustentabilidade de um mundo focado numa cultura de consumo sem fim e de contínuo crescimento económico.
O inquérito internacional PROMISE (“Promover a inclusão social dos jovens”), que terminou na primavera de 2019, revelou que 83% dos jovens dos países da UE se interessam por questões ambientais e ações diretas. Ao mesmo tempo, o estudo refere que a nova geração de estonianos é bastante passiva em comparação com outros países, especialmente quanto à participação em manifestações, boicotes e greves. Os jovens estónios expressam a sua opinião e apoio de outras formas, fazendo doações, assinando petições, expressando as suas opiniões através da música e publicando blogues políticos e postagens nas redes sociais. Os participantes do novo projeto artístico de Annika Haas têm posições claras face a lidar com os problemas decorrentes do modelo de conservação da natureza e da sociedade de consumo. O projeto “Greenhouse Effect” retrata esta nova geração de estónios e a necessidade de resolver questões relacionadas com o aquecimento, o efeito de estufa e a catástrofe ecológica que se avizinha.
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Annika Hass
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Sonia Señoráns, Lo que no ves
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Sonia Señoráns, Lo que no ves
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“O QUE NÃO VES” é um projeto focado em duas doenças, Colite Ulcerosa e Febre Mediterrânica Familiar, patologias que convivem comigo há anos e que são completamente invisíveis para quem não as sofre. Há pouca compreensão por parte da sociedade quanto ao sofrimento que os doentes têm de suportar quando estas doenças estão ativas.
Os sintomas destas condições limitam a capacidade de levar uma vida normal, afetando o estado físico e psicológico, os relacionamentos, as atividades diárias e a vida profissional. É sabido que o que não é visível não existe. Portanto, é necessário dar visibilidade a essas patologias, de forma a alcançar-se uma maior compreensão social, um maior investimento em investigação e para que as pessoas que sofrem de doenças crónicas e raras sejam reconhecidas como parte da sociedade. Nós existimos. Nós somos.
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Sonia Señoráns
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Carla de Sousa, O breviário do decoro
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Carla de Sousa, O breviário do decoro
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O breviário do decoro parte da reflexão sobre o papel da mulher na sociedade actual, assume a sua nota transgressiva ao conceito de decência, ainda eminentemente patriarcal, que lhe é imposto e explora a construção de uma outra matriz, na qual se respeite a mulher, em todas as suas dimensões, incluindo as que lhe são, ainda vedadas, como a afirmação do desejo, o conhecimento do seu corpo, o prazer e o sexo.
Técnica: Videoinstalação.
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Carla de Sousa
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Zisoula Ntasiou, My thoughts shape my future [Os meus pensamentos moldam o meu futuro]
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Zisoula Ntasiou, My thoughts shape my future
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Os nossos pensamentos fazem-nos sentir felizes, entusiasmados, inspirados, tristes, surpresos, irritados, ansiosos, com medo e muito mais. A forma como reagimos a esses pensamentos afeta inquestionavelmente as nossas vidas. Não podemos vê-los, mas carregámo-10s todos os dias. O que manter e o que deixar para trás é uma escolha. Não sabia? Os nossos pensamentos moldam o nosso futuro.
Todos os dias, a mente humana produz quase 60 000 pensamentos. Infelizmente, a maioria são pensamentos negativos e o pior é que 95% são os mesmos pensamentos que tivemos no dia anterior. Se formos capazes de estabelecer novas conexões nas nossas mentes e suscitar pensamentos positivos, podemos dominar-nos. Como afirmou o filósofo estoico grego Epícteto, “Nenhum homem é livre a menos que seja soberano de si mesmo”.
O estoicismo é uma importante escola filosófica da época helenística e romana (300 aC cerca de 250 dC), fundada em Atenas, Grécia, por Zenão de Cítio. É uma filosofia de ética pessoal informada pelo seu sistema de lógica e a sua perspetiva do mundo natural. Segundo os seus ensinamentos, como seres sociais, o caminho para a eudaimonia (felicidade ou bem-aventurança) está em aceitar o momento como ele se apresenta, não se deixando controlar pelo desejo de prazer ou pelo medo da morte, usando a mente para entender o mundo e fazendo a sua parte nos planos da natureza, tratando sempre os outros com justiça.
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Zisoula Ntasiou
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Annika Hass Nascida em 1974, é uma fotógrafa documental radicada na Estónia. Estudou línguas fino-úgricas na Universidade de Tartu (BA 2000) e simultaneamente frequentou de fotojornalismo no Tartu Art College (1999-2000). Fez também cursos de fotografia profissional e fotografia documental em Londres (2003 e 2012), Desde 2015, de retratos e documentários da revista de fotografia estónia Positiiv. Desde dá aulas de fotografia documental na Academia de Artes da Estónia. No início assumiu a curadoria do Museu de Fotografia da Estónia. As obras de Annika forem exibidas e premiadas na Estónia e noutros países. Foi finalista e venceu concursos de fotografia locais e internacionais (selecionada para a exposição Wessing Photographic Portrait Prize 2015, Reino Unido; finalista do Kuala Lumpur International Photoawards e terceiro lugar em 2016 e 2018; Grande Prémio do Press Photo 2014 e vencedora da categoria Feature Photo em 2010 e 2017).
Retratista e documentarista, interessa-se principalmente por pessoas nos seus ambientes restritos e fechados autogerados, que funcionam com base em regras internas. Uma característica particular das comunidades autónomas reside na sua oposição à maioria dominante, por vezes, ao resto da sociedade. Foi essa a razão de Annika Haas escolher a vivência numa situação tão conflituosa como o principal tema de estudo dos seus projetos. Nos seus trabalhos mais recentes, ultrapassa as fronteiras da fotografia, combinando diferentes meios, incluindo vídeo, som e luz.
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Sonia Señoráns Nasceu em 1977, em Vilagarcía de Arousa. Autodidata. Livre. Sem regras.
Em 2013, decidiu entrar no mundo da fotografia. Opta por aprender fazendo e construindo fotografias, teorizando e investigando os múltiplos caminhos da criação. A partir de 2018, começou a participar em diversas exposições coletivas e individuais. Faz autorretratos como terapia, e é a partir daí que o seu trabalho evolui. Usa a fotografia como um canal para transformar a dor em beleza, aprendizagem e aceitação. O seu discurso artístico concentra-se numa única realidade: a intimidade trágica.
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Carla de Sousa Natural de Luanda, Angola, onde nasceu em 1974, a autora reside em Leiria. A fotografia tem sido, desde 2012, a sua principal forma de expressão. Através da luz e dos detalhes, por vezes mínimos, busca a poesia do quotidiano. Utiliza o corpo e a auto-representação, assumindo que a performance do acto de se representar é, em si e, simultaneamente, um processo criativo e um instrumento poético de auto-conhecimento.
O seu trabalho tem integrado, desde 2013, várias exposições colectivas internacionais, de que se destaca a selecção da curadoria do Festival Internacional de Imagem – SiFest Savignano Immagini Festival, em Savignano sul Rubicone, Emilia-Romagna, Itália, nas edições de 2013 e 2014 “Slow Photo” e, mais recentemente, na exposição luso-finlandesa Conexões, que teve lugar em Helsínquia, Finlândia e no iNstantes, Festival Internacional de Fotografia de Avintes, em 2020. Em território nacional, destaca-se a sua participação, em 2015, no Projecto SHE/SHE PROJECT e, em 2016, na exposição internacional “Eu não sou uma ilha”, ambas com a curadoria de Genoveva Oliveira. Em 2018, integra a exposição colectiva de fotografia celebrando Manuel António Pina “Desimaginar o Mundo, Descriá-lo”, que teve lugar no Mira Forum e na Estação de Metro da Trindade, Porto e na Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, com a curadoria Manuela Matos Monteiro. Em 2020, participa na exposição colectiva Fotografar Palavras, sob a mentoria do escritor Paulo Kellerman, no MIMO – Museu da Imagem em movimento e apresenta o vídeo “54”, O que faço com os meus 54”?”, uma iniciativa de promoção e prevenção da violência doméstica do projecto 54 da União de Freguesias de Marrazes e Barosa e da Câmara Municipal de Leiria. A solo, tem vindo a expor regularmente, alguns dos seus projectos, de entre os quais, se destacam, “O livro dos Desconfortos”, em 2017, na Livraria Arquivo, em Leiria e, mais recentemente, em 2019, no cofre do BAG, em Leiria, “Cartografia para um beijo”, com a curadoria de Ana David Mendes. A par das exposições e mostras em que tem participado, o seu trabalho integra, igualmente, algumas publicações colectivas e auto editou, em 2019, o seu ensaio “Cartografia para um beijo” no âmbito da exposição homónima.
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Pode conhecer melhor o trabalho de Carla de Sousa aqui.
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Zisoula Ntasiou. Mora na cidade de Chalkida, muito perto de Atenas, Grécia. Ama e aprecia os seus erros e a sua diversidade. Experimenta tudo, e tudo o que a conquista, principalmente a nível emocional, ela segue instintivamente. Adora a maneira como milhões de pessoas veem o mundo através das suas fotografias, e tenta fazer o mesmo à sua maneira. Retira a sua força e energia das imagens criadas pela luz ao seu redor. Repleta de emoções, considera todas as pessoas especiais, sendo essa a magia do nosso mundo. Para si, a fotografia advém, acima de tudo, da necessidade de compartilhar e comunicar. Qual é o sentido de manter a beleza (como todos a veem) apenas para si própria? Todas as coisas bonitas devem ser compartilhadas, principalmente se as suas ideias ajudarem aqueles em seu redor a ver o mundo de forma diferente, com mais beleza, amor, otimismo e inspiração.
É mãe de um menino de 3 anos. No seu tempo livre, gosta de estar com a sua família, ler, viajar, escalar, tirar fotografias e tocar música.
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O INstantes, Festival de Fotografia de Avintes, foi criado por Pereira Lopes.
Nesta 8.ª edição, apenas com fotografia no feminino, a curadoria é de Alice WR:
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(…) cabe-me contribuir para que o impacto emocional que as imagens possam provocar aconteça, como uma dança entre o lugar e as obras, pelo prazer da arte fotográfica e pelos cruzamentos possíveis, numa dimensão maior.
O primeiro propósito, alicerçado na capacidade que as autoras têm de falar de si e de se constituírem como referentes, é destacar a autoconsciência e reflexão crítica de onde emergem, de vários prismas, diferentes identidades no feminino. Alguns trabalhos são ensaios auto-reflexivos onde as autoras, simultaneamente fotógrafas e performers, nos conduzem pelo território irreverente das suas narrativas de corpos fotografados. Seja pela busca criativa de uma imagem atrevida ou perturbadora da realidade, pela desconstrução pós-moderna, pela revalorização de uma linguagem hibrida ou pela fabricação da imagem na interseção da escultura ou da pintura com a fotografia, os trabalhos apresentados são, simultaneamente, afirmação, resistência e libertação.
O segundo propósito, reside no facto de salientar o domínio do invisível, aquele que está por detrás do que é mostrado e que importa considerar para assim se apreender a obra de forma plena. Inerente ao conjunto das subjectividades e autoralidades dos trabalhos, existe o significado/simbólico que, de forma mais literal ou mais poética, translúcida ou efémera, nos possibilita a dimensão da invisibilidade presente em conceitos universalistas como amor, morte, identidade, sofrimento, incerteza ou esperança.
Por oposição às imagens técnicas e a uma homogeneidade visual asfixiante, repetida à exaustão, o terceiro propósito consiste em refletir e fazer emergir o avesso dos processos criativos, as pontas soltas e os fios e maranhados, que são tornados públicos, nos seus lados direitos. A enfâse está na importância do processo das artistas, que experimentam diferentes procedimentos, alinhavando-os criativamente e dando lugar a um inesgotável repertório de combinações.
Por último, o propósito de afirmar a presença das mulheres no mundo da Arte e da Fotografia em particular. Tal como em tantos outros países, também em Portugal, várias mulheres fotógrafas se dedicam (e dedicaram) à Fotografia como hobby, criação artística ou meio de subsistência. (…) Os seus trabalhos, não são compatíveis com a ausência, a invisibilidade ou o silêncio.
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Pode saber sobre os eventos e as exposições na Agenda do Festival no FF, aqui e no site aqui.
Sobre as restantes exposições no FF: aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
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Cortesia: iNstantes / Alice WR.
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