BF20 – BIENAL DE FOTOGRAFIA DE VILA FRANCA DE XIRA . 3 – DANIELA ÂNGELO, ELISA AZEVEDO, FREDERICO BRÍZIDA
Exposição no Celeiro da Patriarcal, em Vila Franca de Xira, de 16 de abril a 16 de maio de 2021.
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A Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira de 2020 apresenta-se de 16 de abril a 16 de maio de 2021, devido à pandemia de COVID-19 e ao estado de emergência.
São nove os artistas selecionados, que apresentam os seus projetos: Ana Janeiro, Beatriz Banha, Daniela Ângelo, Elisa Azevedo, Frederico Brízida, Hugo de Almeida Pinho, Humberto Brito, Stefano Martini e Teresa Huertas.
Ao longo de três publicações apresento os seus trabalhos. Hoje mostro: Daniela Ângelo, “Animais”; Elisa Azevedo, “Rivva” e Frederico Brízida, “Transintimidade”.
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DANIELA ÂNGELO, ANIMAIS
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2021
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Animais é um projeto de exploração, reflexão e reconhecimento da produção e movimento punk no bairro de Alvalade, em Lisboa. Apresentado como um ensaio em torno da vivência, da resistência e da herança deste movimento consagrado, de modo singular, na década de 80, este projeto toma o nome de um dos singles da banda punk portuguesa nativa do bairro, os Censurados. Composto por um conjunto de fotografias que procura evocar e configurar aquilo que é a matéria duradoura, perseverante, tenaz, muito embora, fatalmente breve, das plantas dos canteiros que integram e caracterizam este bairro, a proposta visa pensar a permanente índole de expectativa e alento sobre a erosão trágica da ação no tempo.
O critério de construção destas imagens vincula-se ao legado metodológico da produção punk e thrash, nomeadamente, pelo recurso ao quarto, zona íntima e privada, como estúdio de fotografia, subvertendo as regras cénicas habituais deste último. Este exercício de redirecionamento daquele que é o estúdio tradicional de fotografia, mediante a manipulação das normas e métodos neles exercidos, manifesta-se, de maneira distinta, no controlo e na modulação da luz e das formas, colocando em evidência e realçando a natureza escultórica de cada planta, a sua singularidade e substância, a sua resiliência e continuidade, não obstante a sua condição inevitavelmente evanescente.
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Daniela Ângelo
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ELISA AZEVEDO, RIVVA
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2021
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Rivva é um trabalho colaborativo entre Elisa Azevedo e Rivva. O trabalho vive da sua crescente intimidade. Juntas, criam imagens — sendo Rivva o sujeito perante a câmara e Elisa por detrás. Assim, procuram diluir as estruturas de poder em fotografar e ser-se fotografado; também no ato de olhar e na representação. Ainda que exista uma ação de enquadrar e compor a fotografia, a imagem é concebida mutuamente e nasce dos momentos passados juntas; a premissa é estar juntas, ambas com a mesma agência, num patamar comum. O trabalho lida com estas problemáticas assim como com temas como o género, a identidade e a temporalidade.
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Elisa Azevedo
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FREDERICO BRÍZIDA, TRANSINTIMIDADE
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2021
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A série Transintimidade torna-se um prolongamento da minha investigação em torno da imagem: da forma como estende a nossa perceção, da sua contingência e do poder que encerra em si; como pode incorporar uma sensação de superfície, uma qualidade táctil, e de se tornar um objeto – como uma pintura.
Aprisionadas por detrás de um ecrã, estas imagens relacionam-se a dispositivos digitais e como estes se assumem mediadores de intimidade, da nossa experiência do mundo, proporcionando a conexão e a exploração dos desejos humanos. O ecrã partilha um grau de sensualidade, tal como a pele – na união de corpos, fluídos e outros materiais orgânicos tornando-se uma arena para diferentes tipos de contacto. As imagens apresentam sintomas de manuseamento, marcas de circulação, sobrepõem-se múltiplas camadas de informação, estratificam-se e tornam-se objetos absorventes e passivos das agências de operadores. Capturando momentos de intimidade, e tomando o corpo humano como elemento central, direciono a atenção para a nossa dependência radical com o outro dentro de uma dialética entre presença e ausência, entre revelar e ocultar.
Transintimidade é um elogio ao erótico, ao enigma – nesta sociedade que tudo vê e tudo expõe –, e à sua força, como defendido por Audre Lorde: «O nosso conhecimento do erótico confere-nos poder, e torna-se uma lente onde escrutinamos todos os aspetos da nossa existência, forçando-nos a avaliar honestamente a relação desses aspetos em termos de significado nas nossas vidas» (1).
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Frederico Brízida
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Nota
(1) Lorde, Audre (1984). Sister Outsider. Berkeley, CA: The Crossing Press, p. 57.
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A exposição da Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, está patente no Celeiro da Patriarcal, em Vila Franca de Xira, de 16 de abril a 16 de maio de 2021.
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Sandra Vieira Jürgens, curadora da Bienal, escreve:
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A Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira está de volta com o objetivo de divulgar e incentivar a produção artística nacional no domínio da fotografia. Celebrados trinta e dois anos da Bienal, esta edição privilegia o futuro e a mudança, apresentando-se como um observatório da criação atual, dando a conhecer novos autores e marcando encontro com fotógrafos e artistas que homenageiam a história e reinventam a linguagem fotográfica, considerando novas possibilidades e explorando novos caminhos e o potencial tecnológico e visual do meio fotográfico.
Através da exposição do Prémio, que decorre no espaço do Celeiro da Patriarcal, e de um programa curatorial de exposições que têm lugar no Museu Municipal e na Fábrica das Palavras, estabelece-se um espaço de representação alargado da criação fotográfica portuguesa, o qual pretende obter visibilidade local e nacional, aproximando a comunidade e os públicos diversificados ao mundo da fotografia contemporânea.
A seleção e atribuição dos Prémios temáticos – Bienal de Fotografia, Concelho de VFX e Tauromaquia – privilegiou a qualidade e a transparência, num processo que contou com um Júri de Nomeação, formado por um Conselho de Curadores, e um Júri de Premiação.
O Conselho de Curadores reuniu individualidades e agentes culturais de reconhecido mérito nesta área e teve o papel de avaliar as candidaturas e designar os artistas convidados a apresentar trabalhos originais, em exposição coletiva, no espaço do Celeiro da Patriarcal. Os artistas nomeados foram: Ana Janeiro, Beatriz Banha, Daniela Ângelo, Elisa Azevedo, Frederico Brízida, Hugo de Almeida Pinho, Humberto Brito, Stefano Martini e Teresa Huertas. A partir da exposição dos projetos dos artistas nomeados, o Júri de Premiação delibera o vencedor do concurso.
O Júri de Nomeação foi constituído por Bruno Humberto, Catarina Botelho, Filipa Valladares e Paulo Mendes. O Júri de Premiação foi constituído por António Pinto Ribeiro, Emília Tavares, Liliana Coutinho, Raquel Henriques da Silva e Tobi Maier.
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Pode ver as restantes exposições no FF, aqui e aqui.
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Mais informação aqui.
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