ANA CARVALHO, ÁFRICA EM LISBOA E JOSÉ PEREIRA, UBUNTU

Exposições no âmbito da Presidência Portuguesa do Conselho da UE.

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Ana Carvalho, África em Lisboa

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Ana Carvalho, África em Lisboa

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Nas fotos que escolhi, procuro partilhar o sentimento que experimentei ao perceber a presença de África em Lisboa, uma presença que se traduz em imagens coloridas e expressivas, que trazem vivacidade e alegria à cidade. Fiquei imediatamente cativada pelo quadro vivo, sempre diferente e ao mesmo tempo familiar, de um grupo de africanos junto ao Largo de São Domingos. Não consegui resistir à vontade de fotografar esta cena, fascinada sobretudo pelo seu aspecto visual. Mas um dia, revendo as minhas fotografias, perguntei-me: quem são estas pessoas que só vejo aqui e onde vivem? Com ​​o tempo, descobri a presença de outros africanos em Lisboa, já parte integrante do quotidiano da cidade, exercendo várias profissões ou andando pelas ruas com a descontração de quem se sente em casa. Essas são as personagens da minha exposição. E o Largo de São Domingos continua a ser um ponto de encontro e contacto, mas agora está mais vivo pela graça do movimento familiar de um mercado africano onde abundam as mulheres comerciantes.

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José Pereira, Ubuntu

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José Pereira, Ubuntu

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Umuntu ngumuntu ngabantu ou Eu sou, porque tu és”

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Ao mostrar imagens que celebram o muntu / ubuntu, as fotografias revelam a simplicidade, o estar-junto, a celebração, o espírito de comunidade, o “sonho” do progresso comum, o vínculo, as celebrações e a comunhão. É verdade que a filosofia ubuntu constantemente lembra-nos como devemos tratar os outros, que são parte de nós e sem os quais não existimos.

É de notar com interesse que o objetivo do fotógrafo é tentar compreender esta metamorfose dos saberes ancestrais (ao nível da terapia, da religião, da música, do direito e da alimentação) nas resistências e na criatividade humanas características da história de Cabo Verde.

Estas imagens suaves e magníficas, como uma brisa fresca e calma do mar, revelam a vida destes afrodescendentes que, tendo-se tornado cabo-verdianos, lutaram contra todas as estruturas opressoras (escravatura, colonialismo, trabalhos forçados, seca, miséria) pelas suas revoltas, pelos motins, pela emigração e pela criatividade genuína, que lhes permitiu criar um país unido, digno e colorido, apesar da falta de vegetação, e acolhedor, pelo menos utopicamente falando.

Que esta exposição de José Pereira, fotógrafo cabo-verdiano e ativista socio-ambiental, que integra a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, possa trazer o espírito do ubuntu / muntu a mentes curiosas e trazer para ver a excelência de ser, a beleza e a responsabilidade da hospitalidade, bem como a simetria das relações comunitárias e entre os povos.

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Este portfólio integra a exposição conjunta de Ana Carvalho, “África em Lisboa”, que realça a presença e importância da cultura africana em Lisboa, e do artista africano José Pereira, radicado em Cabo Verde, “Ubuntu”, que promove a convivência pacífica e a aceitação das diferenças e a solidariedade.

A exposição promovida pelo Comité Économique et Social Européen, 99 rue Belliard, em Bruxrlas, no âmbito da Presidência Portuguesa do Conselho da UE – União Europeia e dos trabalhos da comissão de acompanhamento UE-ACP (África, Caraíbas e Pacífico) e da secção REX (relações Externas) do CESE, tem lugar entre 1 e 31 de março de 2021 e é on-line.

Pode ver a exposição on-line aqui.

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