MIGUEL MARECOS, CORPO UM, 2019

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Miguel Marecos

Corpo um. Uma parte de nós não nos pertence

Fotografia: Miguel Marecos / Texto: Miguel Marecos / Prefácio: Edite Amorim / Design: Cristina Braga de Guimarães

Edição do Autor / Dezembro . 2017 (1.ª ed.), Abril . 2019 (2.ª ed.)

Português e inglês / 15,6 x 17,2 cm / 164 pp.

Brochura com sobrecapa / A sobrecapa é em papel vegetal, impresso, dobrado / 50 ex. (1.ª ed.), 50 ex. (2.ª ed.) / Os exemplares são numerados

ISBN: –

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O amor ama os seus limites, pois neles encontra a beleza.

Rabindranath Tagore

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Este é um pequeno livro, intimista, pessoal.

Vazio. Memória. Solidão. Três capítulos. “Uma parte de nós não nos pertence”.

O subtítulo da obra define o Autor, de algum modo. Como tudo o que fazemos nos define. Nós somos com os outros, com a nossa família, os nossos amigos, os nossos colegas de trabalho. Somos nos lugares em que estamos. Na nossa terra e nos lugares por onde passamos. No trabalho, no lazer, nos hobbies, no que pensamos e lemos e escrevemos e publicamos.

“Uma parte de nós não nos pertence”.

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Sobrecapa, desdobrada.

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Para o Autor,

O livro é uma espécie de esboço, de um bloco de apontamentos de imagens que tinha colocado no Facebook, imagens que foram alteradas de um modo propositado.

Comecei a constatar que as minhas imagens com o passar do tempo iam-me provocando sensações diferentes.

Não me considero um fotógrafo, mas tenho uma grande paixão sobre fotografia e livros de fotografia.

É um livro para contemplar, não possui uma narrativa com princípio, meio e fim.

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Edite Amorim escreve o prefácio da obra:

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Uma parte de nós não nos pertence

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Nasce este prefácio no pós-folhear deste corpo que intercala letras e imagens.

Solto na inspiração da luz, do vento na pele, dos sons que se escapam entre pedras e paisagem.

Assim imagino também o processo deste livro que ganhou forma, vida e textura com o tempo de afinação.

Fotografias de fotografias e poemas que são suspiros, captados entre pedras, passeios, paisagens e seres que habitam e que são habitados. Coisas do mundo real, feitas imaterialidade de coisa sentida, por um contemplador de objetiva na mão e palavra pronta.

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Uma câmara captou momentos de contemplação. Pairando por um sentir de dentro, imortalizou sem pressa pedaços de mundo de fora. Feitas as imagens, de novo foram captadas: foto ao ecrã com foto exposta numa “tela cintilante”.

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A tela dentro da tela dentro da tela dentro da tela…

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Em brilho e grão e numa perfeita imperfeição de (re)ver o visto. Como a vida que se aprimora sem efeitos. Crua, pior, às vezes, por ser vista através de. Bela, profunda, por ser revisitada e repetida sem expectativas de.

A vida assim: sentida, metida dentro, revista e revisitada.

Como um olhar que se repete, e não procura só o novo, mas o de novo. Da contemplação se cria o corpo. O primeiro. De muitos, de vários? O primeiro. Um corpo que reúne em forma de olho e poema o sentir de um homem pela cidade, pelo quotidiano.

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“Uma parte de nós não nos pertence”. Talvez seja esta a sensação que se redondeia no que aqui se estende. Uma parte de nós para usufruir sem tempo, alheios aos medos, à confusão, às indecisões do poeta que não se nomeia assim, (nem de maneira nenhuma).

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Fotografou e escreveu e voltou a fotografar a fotografia. E fechou assim, neste corpo um, único e uno, aquilo que venha a ser o momento primeiro em que os sentidos se perdem e o sentir se embala.

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Miguel Marecos, Corpo um, 2019

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Miguel Marecos (1971) natural de Luanda, autodidata em artes plásticas, cedo mostrou fascínio pelo ato criativo. A paixão “obsessiva” da fotografia, apenas se revelou em finais de 2010, ano em que comprou a sua primeira máquina e a partir do qual começou a fotografar.

Frequentou vários workshops nomeadamente com as fotógrafas Ana PereiraSusana Paiva e o fotógrafo espanhol Juan Manuel Castro Prieto.

A fotografia foi apenas um ponto de partida para uma procura interna, de autoconhecimento, um meio silencioso de expressão, uma razão para estar num determinado lugar. Cada descoberta efetuada, transforma-se num mundo infindável de caminhos, no final existe a contemplação.

Participou em algumas exposições colectivas nas cidades de Almada e no Porto.

Membro desde 2012 do coletivo de fotografia, The Portfolio Project.

Atualmente respira e reside no Porto.

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Pode conhecer mais sobre a obra de Miguel Marecos aqui.

Pode folhear o livro aqui.

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