FORA DE CAMPO. UMA EXPOSIÇÃO EM PLENA NATUREZA
Fotografias de: António Carrapato, José Miguel Soares, Pedro Vilhena, Rui Dias Monteiro, Sofia Berberan e Susana Paiva.
Exposição nas Azinhagas dos Canaviais, Évora, de 16.01 a 20.02.2021 (na natureza, em espaço aberto).
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José Miguel Soares, Azinhagas, Canaviais, 2020
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A Malvada [Associação Artística] tem a sua residência nos Canaviais, o mais periférico bairro da cidade de Évora, uma cidade periférica no interior de um país periférico, que é um dos mais centralizados da Europa. Aquele território a céu aberto que Bruno Vieira Amaral introduz como o retrato do país real que “não pode ser levado à UNESCO para aprovação e saudação, não é fado, nem cante, nem chocalho, nem bonequinhos de Estremoz, não é praia, nem resorts de luxo na costa alentejana, nem hotéis de charme no interior ressequido”. Numa primeira visita ao Antigo Hospital Psiquiátrico, em Março de 2020, no dia em que foi anunciado o primeiro confinamento, realizámos um registo fotográfico que documenta o seu interior, o torna visível e serve o início de uma narrativa performativa que cruza a fotografia, a escrita e o teatro.
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José Miguel Soares, Antigo Hospital Psiquiátrico dos Canaviais, 20.03.2020
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Em REVELA-ME, um movimento artístico de ativação de territórios periféricos e esquecidos, dirigido por Ana Luena e José Miguel Soares, pede-se aos artistas envolvidos no projecto que se impliquem, partilhando um segredo, descobrindo, manifestando-se, denunciando e tornando visível o que parece fora do alcance. REVELA-ME constrói-se por camadas de experiências, em que processo criativo e apresentação se misturam num projecto de carácter transgénico.
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FORA DE CAMPO juntou fotógrafos durante uma semana, vindos de diferentes pontos do país, com linguagens e propostas distintas, numa residência imersiva nos Canaviais, uma freguesia nos limites do perímetro urbano, que já não é rural e ainda não é cidade, é periferia no sentido do que é vago e impreciso.
Um portão fechado a cadeado encerrou, durante mais de uma década um espaço desativado, é deste lugar que emerge todo o projecto e a instalação fotográfica que se expõe num percurso pelas azinhagas do bairro, que desde o confinamento começou a atrair muitos visitantes de outros pontos da cidade que encontram aqui um espaço de respiração e liberdade para as suas caminhadas. Subitamente, nos últimos meses temos assistido a várias transformações neste território que é o centro de criação de Revela-me. Como artistas residentes nesta cidade e nesta freguesia temos registado e partilhado com a equipa artística, a comunidade e o público, o estado de abandono, as idiossincrasias deste bairro e as inesperadas transformações ocorridas. Em Novembro de 2020, durante a primeira residência de criação, realizámos uma segunda visita ao interior deste edifício, desde então parcialmente ocupado pela ARS Alentejo. No entanto, a sua ativação continua a servir propósitos de exclusão e de afastamento, mantendo-se como espaço interdito – Área Dedicada para Doentes Respiratórios COVID. Coincidentemente, a sucata depositada nas azinhagas, nos caminhos, junto a muros e nos ribeiros que ali permaneceram durante anos e meses tem sido recolhida nos últimos dias. Precisamente no primeiro dia da residência Fora de Campo, foram retirados equipamentos obsoletos e amontoados na Antiga Escola Primária dos Canaviais, desde o seu encerramento. Acreditamos que estas movimentações estão ligadas a este projecto artístico, à sua comunicação e à força potenciadora inerente ao acto criativo.
Os fotógrafos que se juntaram a nós nesta residência e com quem partilhámos o projecto, habitaram com as suas imagens e o seu olhar estes caminhos, que com um novo confinamento à porta é espaço desejado de liberdade e de fruição de arte, num acontecimento que para além de refletir sobre a periferia e os seus limites, deseja fazer da periferia o centro.
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Aspetos da residência artística. Fotografias dos participantes.
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Resumo das notas apontadas nos encontros no pátio da Antiga Escola Primária dos Carnavais, durante a residência Fora de Campo:
a abertura simbólica da instalação com um lançamento de imagens no ribeiro; a solidão desse mesmo acto; a natureza efémera da fotografia; as ações de desgaste sobre as imagens impressas; a fragilidade das imagens na natureza; a fotografia como território; o contraste e a convivência de elementos urbanos e rurais; os vestígios das pessoas nestes locais; o frente e o verso do percurso; a botânica como um lugar periférico; o património humano da periferia; imagens abraçadas em sobreiros; os lugares do (des)confinamento; os desvios dos caminhos como periferia; a imagem que fica até ao dia seguinte; uma nova imagem; uma instalação que se regenera e transforma ao longo da sua apresentação pública.
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Fora de Campo, Aspetos da exposição (montagem), 2021
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A exposição “Fora de Campo”, resultante da residência artística, com os fotógrafos António Carrapato, Pedro Vilhena, Rui Dias Monteiro, Sofia Berberan e Susana Paiva, está patente nos Canaviais, Évora, de 16 de janeiro a 20 de fevereiro de 2021, ao longo de um percurso de 3,6 Km em plena natureza. O percurso nas Azinhagas dos Canaviais é o seguinte: Rua das Cinco Cepas > Estrada da Chainha > Rua das Cinco Cepas > Rua da Palmeira > Patão > Estrada da Quinta das Corunheiras > Rua da Palmeira > Rua das Cinco Cepas.
Pode ver a localização aqui.
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Percurso.
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Integra o REVELA-ME um LABORATÓRIO DE IDEIAS com 3 CONVERSAS DA PERIFERIA (on-line): com Álvaro Domingues (16.01, 18:00, pode ver aqui), com Gabriela Moita (30.01, 18:00, pode ver aqui) e com Afonso Cruz (06.02, 18:00).
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REVELA-ME e FORA DE CAMPO têm produção da Malvada Associação Artística e coprodução da Câmara Municipal de Évora, com o apoio logístico da Junta de Freguesia de Canaviais e o apoio da República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes.
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Pode saber mais sobre a Malvada Associação Artística aqui.
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Cortesia: Malvada Associação Artística (textos e fotografias).
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