PAULA ARINTO, OPEN HOUSE, 2020
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Paula Arinto
Open House
Fotografia: Paula Arinto / Texto: Francisco Varela
Lisboa: Huggly Books / Dezembro 2020
Colecção: Cidade Limiar #03
Português / 13,4 x 21,1 cm / 80 pp., não numeradas
Cartonado / 25 exemplares + 5 exemplares HC; numerados e assinados, cada exemplar inclui uma fotografia original e única, assinada pela autora
ISBN: 9781715819866
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Um ensaio fotográfico de Paula Arinto sobre diferentes terrain vague, as periferias, bem como aqueles espaços, por vezes no interior das cidades, abandonados, à espera de uma integração urbana: de construção ou espaço verde. Francisco Varela desenvolve um ensaio sobre como a fotografia veio despertar o olhar dos técnicos para estas áreas.
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Francisco Varela escreve:
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Fotografia – planeamento – fotografia
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“No siquiera en la experiencia directa de los objetos edificados escapamos a Ia mediación fotográfica…”
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Em “Terrain Vague”, o texto profético que Ignasi de Solà-Morales publicou em 1995 em Anyplace (volume que compilava onze conferências multidisciplinares e interculturais sobre a condição da arquitectura no final do milénio passado), descobrimos que aquilo que foi a delimitação de um conceito urbanístico, que sustentou os grandes gestos do planeamento de reconversão espacial das últimas três décadas, se intuiu a partir da fotografia.
Foi nos “indícios territoriais” encontrados nas imagens de John Davies a David Plowden, de Thomas Struth a Jannes Linders e de Manolo Laguillo a Olivio Barbieri, que Solà-Morales identificou a potência wave, vacant y vague dos “espaços vazios”, que se encontravam fora dos circuitos das estruturas produtivas da cidade.
A fotografia instalou-se aqui, tal como o tem sido historicamente, como o instrumento privilegiado para interrogar o mundo e, em concreto, para inquirir o território. Terrain Vague é, assim, um exemplo paradigmático desta inter-relação entre fotografia e experiência do espaço, demonstrando como as intervenções no território são influenciadas pela literatura e pela arte.
É já no interior do esforço de definição do conceito de terrain vague, por Solà-Morales, que se encontra, na sua argumentação, a dúplice condição que estes “espaços vazios” têm na actualidade: o de serem objecto de integração no sistema urbano, quer pela apropriação pelo mercado quer pelo seu reconhecimento como espaços de instauração de uma nova ecologia urbana.
(…)
Segundo o autor de Terrain Vague, o termo terrain em francês tem um carácter urbano, uma condição expectante, potencialmente aproveitável com características em relação às quais somos alheios, enquanto que em inglês tem um significado agrícola e geológico, ao qual vague, na sua origem germânica vagr-woge, acrescenta movimento, oscilação, instabilidade e flutuação, inflectindo a origem latina que o caracteriza somente como vazio não ocupado e disponível.
É esta suspensão do espaço entre o urbano, o biológico e o geológico que identificamos nestas imagens hesitantes de Open House, que o são, porque não nos afirmam categoricamente o carácter destes “espaços vazios”. E não o podem afirmar porque a nossa condição é hoje, como tem sido afirmado, líquida na sua instabilidade e hibridez. Aqui neste ensaio, de novo, experiência física do espaço e projecção fotográfica, se encontram e informam mutuamente, como o que aconteceu com a delimitação do conceito e uso dos terrain vague.
Não é por acaso que os ensaios fotográficos desta colecção escolheram o formato livro para serem comunicados. O livro é um dispositivo que nos transforma de leitores a participantes activos na investigação do território, espelhando, assim, o movimento de inquérito espacial praticado pelo autor e o protocolo de acção que o regeu. Desta forma, o modus operandi do projecto fotográfico se torna visível e lhe confere verosimilhança e legitimidade.
As imagens publicadas nestes livros não são exercícios maneiristas do género paisagem, mas antes verdadeiros inquéritos geográficos, que encontraram no ensaio fotográfico o seu regime de actuação e na publicação o seu mecanismo de induzir maneiras de perceber, de ser afectado e de atribuir sentido.
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Paula Arinto, Open House, 2020
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Paula Arinto (Porto, 1968). Actualmente vive e trabalha em Lisboa.
Desde cedo nutre uma paixão pelo cinema e pela fotografia. Fotografava apenas em viagem, num registo próximo do documental. Sentindo necessidade de ir mais além, frequentou, desde 2010, vários workshops de fotografia e em 2014 começou a frequentar a Escola Informal de Fotografia.
Exposições Colectivas: Polaroid Park, Casa da Avenida, Setúbal (Fev 2017), Galeria Restock, Funchal (2017/18)
Co-curadoria da exposição “Aproximar-nos do Caos – com umas lentes que permitam ver melhor o que isso é” – Galeria ACERT, Tondela – Abril a Junho 2019.
Publicações: “Ponto de Fuga” [ fotozine | 2016 ], “Murmúrio” [ fotolivro | 2017 ]
Autora do ensaio visual da publicação “Portugal Social em Mudança 2019 – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável” do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
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Francisco Varela (1969)
Ainda sou arquitecto, embora tenha estabelecido que sou fotógrafo desde 2012 e cada vez mais outras coisas também. Vagueio por diversos lugares, sendo o livro-de-artista o meu poiso habitual. Entretanto, voltou a reflexão sobre o território e, ligando tudo isto, o interesse pela curadoria.”
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Dia 5 de fevereiro de 2021, às 19:00, no âmbito do Photobook Club Lisboa, há uma conversa com Paula Arinto e Francisco Varela. O evento é on-line, deve solicitar acesso através do envio, até à véspera do evento, de e-mail para: <pbc@susanapaiva.com>.
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Também nesta coleção: Alberto Picco, “Margem”, 2018, no FF, aqui e “Poética”, de Susana Paiva, aqui.
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Para adquirir os livros da chancela Huggly Books faça o pedido através do e-mail <livros@susanapaiva.com>.
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