GUILLAUME PIETRI, TERESA RIBEIRO, MARIANA DELGADO, LAWRENCE SEMENZA, CATARINA GUERREIRO, INÊS VENTURA. XI NARRATIVAS FOTOGRÁFICAS NO INTENDENTE
Exposição em Lisboa, na Casa Independente, no Largo do Intendente, de 04.11.2020 a 15.02.2021.
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Apresenta-se na Casa Independente 6 séries resultantes do XI workshop “Narrativas Fotográficas no Intendente”, orientado por Pauliana Valente Pimentel.
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O Intendente, bairro histórico lisboeta, foi sempre uma zona popular, de comércio, onde o espaço público é intensamente vivido. Este bairro sofreu muitas conotações negativas, com problemáticas ligadas à prostituição, ao tráfico e ao consumo de droga e às sucessivas vagas de imigração. Hoje o processo de transformação deste bairro é muito rápido, em parte devido ao plano urbano implementado pelas políticas públicas, que pretendem revitalizar o tecido urbano e social desta zona. Este workshop leva os alunos a explorar o Intendente durante dez dias, nas suas variadas vertentes, os habitantes, a dinâmica da rua, o comércio local, o dia e a noite, de forma a criar um projeto pessoal de acordo com a visão de cada um.
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Guillaume Pietri / Intendente 100 feet under
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Guillaume Pietri, Intendente 100 feet under, 2020
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Na entrada, acolhe-nos a exposição de Guillaume Pietri, “Intendente 100 feet under”:
“Intendente 100 feet under” é uma imersão no metro entre as estações do Intendente e as estações vizinhas na tentativa de dar uma resposta poética a estas questões:
– 0 que distingue uma viagem na rua de uma viagem no metropolitano?
– Existe alguma diferença, para além da estatística, entre os passageiros da estação do Rossio?
– Alameda abaixo da Avenida Almirante e os restantes utilizadores do metro em Lisboa? De forma mais geral:
– Não é a alteridade que fundamentalmente dissocia o transporte público no metro do simples passeio pela rua?
– A própria escala de tempo não se vê misteriosamente virada de cabeça para baixo, em que vê o espaço do passageiro “congelar” mesmo quando a velocidade aumenta?
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Teresa Ribeiro / Oficinas do Intendente
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Teresa Ribeiro, Oficinas do Intendente, 2020
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Na escadaria, Teresa Ribeiro apresenta “Oficinas do Intendente”:
Percorri, ao longo de vários meses, as oficinas mais emblemáticas do Intendente. As mais antigas datam de 1947. Provavelmente, são as últimas a sobreviver aos irreversíveis avanços tecnológicos, à competição das muitas empresas que apareceram na periferia, e aos serviços oferecidos por grupos de marca. Também sobreviveram às várias crises económicas das últimas seis décadas e, mais recentemente, aos efeitos de uma inesperada pandemia global. Os homens com quem falei são homens algo esquivos, quase sempre ocupados nas suas tarefas e compromissos. Mas, nos dias melhores e menos agitados, dispõem-se a partilhar velhas memórias e gostam de contar as suas histórias. Histórias das suas oficinas que são também as histórias das suas vidas.
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Teresa Ribeiro editou o livro “Oficinas do Intendente”, onde apresenta este projeto. Pode ver no Fascínio da Fotografia, aqui.
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Mariana Delgado / Largo Bem-Formoso
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Mariana Delgado, Largo Bem-Formoso, 2020
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Nas escadas para o andar de cima, vemos o “Largo Bem-Formoso” pelo olhar de Mariana Delgado:
Num dos locais mais movimentados e vibrantes do Intendente manteve-se fixo um dispositivo fotográfico com uma câmara e tripé. O cenário incluía ainda um banco e um enorme mural com uma figura feminina Oriental. Uma grande diversidade de personagens passava. Andando, olhando e parando para telefonar, descansar, comer e beber ou apenas para conversar e alguns, claramente posam para a câmara. Dessa forma as fotografias captam fragmentos da vibração daquela rua. Vibrações criadas pela grande variedade de origens das pessoas… são Residentes, Trabalhadores ou Turistas a fazer uma pausa nas suas jornadas por Lisboa. Uma espécie de tira de quadradinhos em que, cada um, faz parte de uma cena. Um hibridismo entre a banda desenhada e a fotografia e que também faz lembrar o cinema, como uma série de fotogramas.
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Lawrence Semenza / Moorish Quarter 2020
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Lawrence Semenza, Moorish Quarter 2020, 2020
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No salão, vemos o olhar de Lawrence Semenza sobre “Moorish Quarter 2020”:
Esta série retrata a vida diversificada de residentes e visitantes do Bairro Mouro de Lisboa, o Intendente. Os vários elementos de estilo desta zona: vão desde áreas bloqueadas, proibição de entrada; à mangueira de rega em espiral precisa, meticulosa e demorada: uma verdadeira obra de arte, à venda de mercadorias danificadas. As expressões faciais, ou a falta de expressão definida, evitando o contacto visual com os transeuntes ou ignorando os outros na rua, criam perguntas nos espectadores sobre quem são estes seres humanos e que papéis eles devem desempenhar na vida dos outros e no mundo? Estes desconhecidos, mães, pais, avós, trabalhadores, amigos, amantes, zeladores ou ocupantes solitários anónimos num mundo incerto e assustador.
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Catarina Guerreiro / Some things are just perfect
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Catarina Guerreiro, Some things are just perfect, 2020
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Na cafeteria encontra-se “Some things are just perfect”, de Catarina Guerreiro:
Esta série capta uma nova geração de artistas de todas as partes do mundo que estão a rejuvenescer o bairro do Intendente, em Lisboa. Uma explosão de movimento estimulada por viajantes, músicos artistas, dançarinos e jovens empreendedores que trazem novas cores e ritmos à paisagem urbana, onde o antigo lisboeta e os seus habitantes ora se misturam, ora chocam com o novo ambiente. São retratos da energia, cor, poesia e fantasia de pessoas que vivem como quem deseja que a vida seja mais do que apenas trabalhar para ganhar a vida. Às vezes, o seu olhar transporta-nos para um qualquer lugar de melancolia.
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Inês Ventura / Mundano
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Inês Ventura, Mundano, 2020
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Inês Ventura escolheu as casas de banho para apresentar “Mundano”:
Diz-nos o Dicionário da Porto Editora que mundano é um adjectivo relativo ao mundo, do ponto de vista material, do profano, do temporal. O que é contrário à espiritualidade, dado aos prazeres do mundo. E é isso que este trabalho pretende retratar no Intendente, através da noite. Não pretende retratar o que mais directamente nos remete para o Intendente, de (pre)conceitos e memórias antigas que não estão assim tão distantes no tempo. Mas, sim, o que +assa por nós, os locais e as pessoas por onde e por quem passamos, mas não olhamos. Ou olhamos e não vemos. Mas que estão lá todos os dias, sem certo nem errado, sendo apenas o que é. O mundano do dia-a-dia, o esquecido, o rejeitado, o terreno. Porque na noite ninguém vê o que está sempre lá.
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A exposição do 11.º workshop Narrativas Fotográficas no Intendente, orientado por Pauliana Valente Pimentel, está em Lisboa, na Casa Independente, no Largo do Intendente Pina Manique, de 4 de novembro de 2020 a 15 de fevereiro de 2021 (2.ª a 6.ª feira, das 16:00 às 22:00).
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Atualizado em 06.01.2021 (prolongada de 08.01 para 15.02.2021).
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