ANTÓNIO JÚLIO DUARTE, ECLIPSE

Exposição na Galeria Bruno Múrias, na Rua Capitão Leitão 10-16, em Lisboa, de 13.11 a 30.12.2020.

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António Júlio Duarte, Eclipse

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Esta exposição

coincide com um momento inédito da história contemporânea que colocou os homens no limbo, na esfera e na atmosfera de um espaço transitório que a instabilidade do tempo parecia anunciar. Embora a exposição não se coloque, de todo, nessa esfera ilustrativa, ela traz para o espaço da galeria algumas situações e também impressões que reativam essa experiência da perturbação que hoje se joga sobre o campo da transitoriedade e que faz sobressair as expressões mais elementares da sobrevivência, do medo e da incerteza – a atualidade nutre, por assim dizer, a leitura de Eclipse.

As nove fotografias, com origem em três territórios distintos – Taipei (Taiwan), Hong Kong (China), Colorado (EUA) – (embora pudéssemos considerar mais do que os apenas três territórios) sugerem um voyeurismo sobre a condição de se estar no mundo: homens, animais, natureza, que aqui se confundem. Há uma luz que se acende sobre o acontecimento, um olhar que vê, mas sem nenhum julgamento, somente encaminhando à contemplação do espectador essa condição natural de habitante e de sobrevivente, daquele que se move – quer por via do ócio, quer por via do medo –, ou daquele que aí está, simplesmente, e em qualquer dos casos, sempre elementarmente sujeito à sua condição primária de habitante da terra. Como se se não pudesse escapar a ela, porque atravessa o mundo, sucede na floresta e também na cidade, no âmbito do primitivo e do civilizado, na esfera pública e na esfera privada.

Em conjunto, as imagens apontam o momento da transformação, esse espaço que se estende entre uma coisa e outra coisa, entre um estado e outro estado, entre um tempo e outro tempo; um momento, que não é um instante, mas um fenómeno passível de ser notado, porque algo se altera por dentro ou em volta, uma variedade de hipóteses que dá corpo a uma ideia ou à própria visão do eclipse.

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“Eclipse” de António Júlio Duarte está em exposição na Galeria Bruno Múrias, na Rua Capitão Leitão 10-16, em Lisboa, de 13 de novembro a 31 de dezembro de 2020.

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António Júlio Duarte (Lisboa, 1965) vive e trabalha em Lisboa.

Verdadeiramente comprometido com a fotografia, ao longo de trinta anos de trabalho, participa com uma das vozes mais singulares e consistentes na compreensão da fotografia hoje.

O seu trabalho é exibido regularmente, em Portugal e no estrangeiro, desde 1990. Uma seleção de exposições individuais recentes inclui: White Noise no Quartel da Arte Contemporânea de Abrantes, Coleção Figueiredo Ribeiro, Abrantes, 2017; América na Galeria Pedro Alfacinha, Lisboa, 2017; Suspension of Disbelief, CAV, Coimbra, 2016; Mercúrio na Galeria Zé dos Bois, Lisboa, 2015; e Japão 1997 no Centro Cultural Vila Flor, Guimarães, 2013.

É autor de vários livros, entre outros: White Noise (2011), Deviation of the Sun (2013), Japan Drug (2014) e Against the Day (2019) publicados pela Pierre von Kleist Editions.

A sua obra integra coleções como: Colecção Nacional de Fotografia / C.P.F.; Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian; Musée de la Photographie, Charleroi, Bélgica; Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa; Fundação Portuguesa das Comunicações; Encontros da Imagem / Museu da Imagem; Encontros de Fotografia de Coimbra / Centro de Artes Visuais; Fundação e Museu do Oriente; Fundação P.L.M.J.; Fundação Carmona e Costa; Fundació Foto Colectania; Colecção BES Art; Colecção Mário Teixeira da Silva; Colecção de Fotografia Américo Marques; Centro Cultural de Lagos; Amorim Turismo Tróia; Colección Madrid Foto; Colecção de Arte Fundação EDP; Colecção Jorge Gaspar; Colecção António Cachola – MACE; Centro Cultural Vila Flor; e Colecção Figueiredo Ribeiro – Quartel da Arte Contemporânea de Abrantes.

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Pode conhecer mais sobre a obra de António Júlio Duarte no Fascínio da Fotografia, aqui.

Pode saber mais sobre a Galeria Bruno Múrias aqui.

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