RUI PEDRO ESTEVES, ZACCHAEE, FESTINANS DESCENDE, NAM HODIE IN DOMO TUA OPORTET ME MANERE, 2019
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Rui Pedro Esteves
Zacchaee, festinans descende, nam hodie in domo tua oportet me manere
Zaqueu, desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa
Lisboa: barba ao vento / Junho 2019
Português e Inglês / 14,8 x 21,0 cm / 49 pp.
Brochura / 115 ex.
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Uma cinta estreita, em papel, com o sinete sobre o lacre vermelho, a letra “B” de ‘barba ao vento’, a chancela do Autor, envolve o livro e dá-nos o título em português. No verso, uma fotografia da igreja ao longo de uma celebração.
Retiro-a para abrir entrar no livro.
Como Zaqueu decidiu subir ao sicómoro, também eu tenho de decidir entrar no livro.
Entro e caminho por ele.
O formato horizontal, pequeno (A5), torna-o intimista, pessoal. As fotografias não têm negros densos, mas suaves. Registam a vivência, o ambiente da Comunidade da Igreja da Graça, em Lisboa.
Como refere o Autor,
Este não é um trabalho sobre religião. Também não é sobre a fé. Menos ainda sobre arquitectura. Zaqueu não é um estudo social. Também não é um comentário político. Menos ainda sobre território. Não é auto-biográfico. Também não é ficcional. Menos ainda abstrato. Zaqueu é um observador, curioso, não interveniente (na maioria dos seus dias), estenopeico, paciente, exterior.”
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Zaqueu é uma personagem da Bíblia, cobrador de impostos, feio e mal amado. Um dia sobe ao cimo de uma árvore, para ver a chegada de Jesus Cristo, tal era a multidão que o rodeava. É nessa altura que Zaqueu recebe um convite que irá colmatar com uma mudança na forma como este é percepcionado pelo resto da história.
“Zaqueu, desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa”
O convite feito por Jesus Cristo a Zaqueu intitula este trabalho sobre a Igreja da Graça e da sua comunidade. É um convite também a ti, o leitor, de entrar nesta simbiose entre o espaço e os seus ocupantes. Um convite a testemunhar a forma como esta comunidade congrega ao espaço da Igreja da Graça, unidos pelas suas crenças, potenciados por muito mais.
Um trabalho sobre comunidade e a sua relação com a Igreja da Graça. Pessoas e espaço.
Esta é “Uma comunidade que tem na fé religiosa o fio comum entre si, mas que existe para além dessa dimensão. Que popula um espaço que cresce para além da religião, que transborda para a cultura, companheirismo e até para o banal com esta relação.”
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Escreve Rui Pedro Esteves:
É o início do Outono. No piso de cima, perto das salas da Catequese, em frente à cozinha, mesmo antes de se chegar ao Coro, congregam um grupo de amigos. Uns trazem bebidas, outros comidas. Uns ajudam a o organizar as cadeiras e a mover as mesas, outros montam a tela e o projector. A ocasião do dia é mostrar as fotografias do casamento de dois membros do grupo, ao qual muitos não puderam comparecer, mas todos querem comemorar.
Na igreja da Graça, paróquia de Santo André e Santa Marinha, o espaço é amplo. A existência de diversas salas, cozinha e até diversos sanitários permitem que a comunidade usufrua destes espaços para finalidades que não as que trouxeram o espaço à existência. Esta comunidade, que se expande por diversas gerações, dá sentido a esse espaço, enche-o de vida e propósito. Sendo a fé católica aquilo que os juntou, a sua envolvência com este espaço vai além do culto da fé.
Assim, neste dia de Outono, nasce a ideia de observar a relação entre esta comunidade e o espaço que compõe a Igreja. Sem julgamentos, crenças, políticas e ideais. Uma observação ingénua, directa e anónima. Naturalmente envolvida na retórica católica, não fosse este o veio transversal e unificador desta comunidade.
Passam pouco mais de dois anos desde esse dia de Outono. Com a colaboração da comunidade, dos crentes, dos escuteiros, dos actores, dos músicos, dos cantores, dos catequistas, dos padres e todos os demais que abriram as partas, tanto figurativas como literais, da Igreja, este trabalho é construído. Uma janela para a relação da comunidade com o espaço.
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Rui Pedro Esteves regista os eventos em fotografia estenopeica. Se nalgumas imagens temos o espaço paroquial, da igreja ou das salas, na maior parte são vivências da comunidade. As exposições variam, são longas: duram a duração do evento, prolongam-se de cerca de uma até cinco horas. Cada evento, todo o evento, está registado em cada imagem. Cada imagem, mais que um momento, é um acontecimento: uma celebração, uma festa, um encontro.
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O Pe. Jorge Dias regista:
O Rui Pedro Esteves propôs-se, com o seu olhar e o seu trabalho fotográfico, captar vida de uma comunidade paroquial e mostrar o mistério que ela encerra.
A vida de cada comunidade mostra-se no desenrolar das suas atividades. Porventura revela-se nas pequenas e grandes ações do seu acontecer quotidiano e aí nos aponta o sentido maior do seu existir. A Igreja não será exceção! Ela é em cada tempo, no concreto da sua existência, manifestação da presença e da vida de Cristo. Ela é, no dizer do Concílio Vaticano II, “o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano” (LG 1). E, por isso mesmo, ela é mistério! Quanto mais se revela e se mostra, tanto mais se dá a conhecer como insondável e inexplicável. Mostra e apresenta o seu Senhor sempre tão próximo, tão junto a nós, tão incarnado; e ao mesmo tempo tão transcendente, tão inatingível!
[…]
A fotografia ajuda a entender isto mesmo. As imagens que contemplamos encerram sempre maior realidade do que aquela que vemos! Mostram mas escondem! Apontam, por isso, para novos horizontes! Pelo que vemos, tocamos o que não conseguimos ver! Este tipo de fotografia do Rui Pedro Esteves, em concreto, pelas suas características, é prova disso. O que as imagens nos mostram aparece sempre envolvido por uma atmosfera misteriosa que a sensibilidade, o tempo e a arte permitem captar. E projetam-nos para uma presença, sempre maior, escondida e simultaneamente revelada naquilo que nos é dado ver e experimentar!
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Rui Pedro Esteves, Zacchaee, festinans descende, nam hodie in domo tua oportet me manere, 2019
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Rui Pedro Esteves (1980) Fotógrafo amador, autodidata. Curso de História da Fotografia e Workshop de Laboratório no MEF – Movimento de Expressão Fotográfica e Curadoria na EIFE – Escola Informal de Fotografia do Espectáculo.
Publicações: “5 Dias em Havana” (auto-publicado), “por favor, não alimente os cavalos”, “Narrativas” (em conjunto com mais autores), “a insustentável leveza do Spritz, ou como recuperar a alegria de se andar perdido” (auto-publicado), “não vão daqui a pensar mal disto” (auto-publicado, no Fascínio da Fotografia, aqui), “Zacchaee festinans descende, nam hodie in domo tua oportet me manere” (auto-publicado), “contos do pontão” (auto-publicado).
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Pode participar numa conversa com Rui Pedro Esteves, sobre o seu trabalho, organizado pelo Atelier Popup, sábado, 21.11.2020, pelas 17.00, on-line, via Zoom.
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Pode conhecer melhor a obra de Rui Pedro Esteves no Fascínio da Fotografia, aqui e no espaço do autor, “barba ao vento”, aqui e aqui, onde pode adquirir algumas das edições.
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Atualizado em 29.12.2020.
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