IMAGO LISBOA PHOTO FESTIVAL 2020. NOVAS VISÕES – PAULO CATRICA, PROSPECTUS

Integra a exposição “Novas Visões na Fotografia Contemporânea”, do Imago Lisboa Photo Festival 2020, patente nas Carpintarias de S. Lázaro, na R. de S. Lázaro, 72, de 01.10 a 08.11.2020.

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Paulo Catrica,prospectus

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(prospício), m. 1. Acção de olhar ao longe: vista ao longe. 2. Vista, olhos, olhar. 3. Vista, perspectiva. 4. Eminência, lugar elevado. 5. Aspecto exterior. 6. Previdência.// esse in prospectu: estar á vista // prospectu metiri: medir com a vista.

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Documento, contexto e paisagem, esta série/sequência de fotografias opera como uma arqueologia visual de Lagoa como território económico e social. Compreende a paisagem como um enunciado cultural afirmando o ponto de vista das fotografias como deliberado, aculturado e político. Fotografar estes “lugares comuns” esclarece a hipótese de contrariar as categorias visuais estereótipo da paisagem, os monumentos, a história, a natureza sublime ou a arquitetura como objeto.

A pretensão destas fotografias é construir um dispositivo crítico e estético que confronte assunto e imagem, convocando o argumento de Jacques Rancière que refere os lugares comuns como instigadores de uma revolução estética: “On the one hand, the aesthetic revolution is first of all the honour acquired by the commonplace, which is pictorical and literary before being photographic or cinematic. (…) What is cast aside – which was reappropriated by film and photography – was the logic revealed by the tradition of the novel (from Balzac to Proust and Surrealism) and the tradition of ‘critical thought’ inherited: the ordinary becomes beautiful as trace of the true.” 1

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Paulo Catrica, Lisboa, 25 de dezembro de 2019

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1“(…)Por um lado a revolução estética é, antes de tudo, a dignidade adquirida pelo lugar-comum, que é pictórica e literária antes de ser fotográfico ou cinematográfico. O que foi colocado de lado – que foi reapropriado pelo cinema e pela fotografia – foi a lógica revelada pela tradição do romance (de Balzac a Proust e do Surrealismo) e a reflexão sobre a verdade de que Marx, Freud, Benjamin e a tradição do ‘pensamento crítico’ herdaram: o comum torna-se belo como traço da verdade.”

Rancière, Jacques. (2004). The politics of aesthetics: the distribution of the sensible (London: Continuum, 2014), pp 31–34.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2020

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Paulo Catrica, artista escolhido por Rui Prata, apresenta “prospectus”, elaborado para os “Encontros Internacionais da Política e da Imagem de Lagoa, 2020”, que integra a exposição “Novas Visões na Fotografia Contemporânea”, do Imago Lisboa Photo Festival 2020, patente nas Carpintarias de S. Lázaro, na R. de S. Lázaro, 72, em Lisboa, de 1 de outubro a 8 de novembro de 2020.

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António Bracons, Marco Godinho e Paulo Catrica , 2020

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Paulo Catrica nasceu em 1965 em Lisboa, Portugal. Estudou Fotografia no Ar.Co (Lisboa, 1985) e História na Universidade Lusíada (Lisboa, 1992). Recebeu o mestrado em Imagem e Comunicação pelo Goldsmith’s College,(Londres, 1997) e recebeu o título de PhD na Escola de Arte e Mídia da Universidade de Westminster (Londres, 2011). Bolsas de investigação do Centro Português de Fotografia (1999), Fundação Calouste Gulbenkian, Londres (2001) e Fundação da Ciência e Tecnologia (2006/2010 e 2014/2017).

Expõe e publica regularmente o seu trabalho desde 1997. As exposições recentes incluem Galeria Presença (Porto, 2016), Centro Internacional das Artes José de Guimarães (Guimarães, 2015), Museu Nacional de Arte Antiga (Lisboa, 2015), C.A.A.A. (Guimarães, 2014), Modern Art Centre, Gulbenkian Foundation (Lisbon, 2013), FruitMarket Gallery (Edinburgh, 2012), The Bluecoat (Liverpool, 2012), Milton Keynes Art Gallery (2011), EDP Museum (Lisboa, 2011), Carlos Carvalho Contemporary Art Gallery (Lisboa, 2011), Circuit Gallery (Toronto 2010) e The Mews Project (Londres, 2011). Fundacio Foto Colectania (Barcelona, 2010) e Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa, 2010). Com Luisa Costa Dias foi curador do projeto Uma Cidade de Futebol, exibido na Cordoaria Nacional, Lisboa (2004) e com Pedro Bandeira a exposição Missão Fotográfica Paisagem Transgénica, exibida no Centro Cultural Vila Flôr, Guimarães (2012), no âmbito do Capital Europeia da Cultura 2012. Principais publicações, monografias, Memorator (2015), Mode d’emploi (2014), TNSC (2011), Liceus (2005), You are Here (2003) e Periferias (1998). As suas fotografias fazem parte de coleções públicas e privadas em Portugal, Espanha, Finlândia, Reino Unido, França, Alemanha, Brasil e Canadá. O documentário televisivo Entre Imagens (episódio 7), RTP2 (2014) um projeto coordenado por Sergio Mah e dirigido por Pedro Macedo é dedicado à sua obra.

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O núcleo “Novas Visões na Fotografia Contemporânea” surge, pois

Desde sempre que a fotografia teve uma expressão multifuncional, que se estende do campo científico ao campo das artes. Porém, nas duas últimas décadas a fotografia, e particularmente no âmbito dos projetos artísticos, adquiriu novas liberdades e formas de se apresentar.

Procurando espelhar a diversidade e criatividade que se tem vindo a expandir, o festival Imago Lisboa, através do convite a reconhecidos curadores da área, dá a conhecer alguns exemplos das narrativas atuais.”

Os curadores desta 2.ª edição são: Paul di Felice, Rui Prata, Beate Cegielska e Gabriella Csizek.

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António Bracons, Rui Prata, 2020

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Rui Prata, Diretor Artístico do Imago Lisboa Photo Festival, regista:

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A fotografia constitui uma forma de representação artística e de registo muito relevante da atual sociedade. Para além do seu uso nas artes visuais, e mais concretamente na chamada fotografia de autor, a imagem fotográfica dá roupagem a um vasto campo de territórios que se expandem das ciências às redes sociais.

A 2ª edição do festival Imago Lisboa pretende dar continuidade a um acontecimento regular que potencialize as diferentes práticas fotográficas contemporâneas, sem esquecer a apresentação de autores de reconhecido valor histórico, cujo conhecimento é essencial para a compreensão das atuais narrativas.

Ao longo da última década, Lisboa tornou-se uma cidade de referência, com acentuado crescimento económico e cultural. Pululam os acontecimentos nas mais diversas áreas e a urbe é palco de uma efervescente atividade nos mais diversos domínios. Não obstante algum abrandamento em virtude da recente pandemia, importa retomar a dinâmica anterior e criar condições para uma confiança e atração crescente de públicos.”

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Pode saber mais sobre o Imago Lisboa Photo Festival aqui e no Fascínio da Fotografia, aqui.

Pode saber mais sobre a obra de Paulo Catrica, aqui, e no Fascínio da Fotografia, aqui.

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Cortesia: Imago Lisboa Photo Festival.

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