IMAGO LISBOA PHOTO FESTIVAL 2020. NOVAS VISÕES – KRISZTINA ERDEI, SOPHIA IOANNOU GJERDING
Integram a exposição “Novas Visões na Fotografia Contemporânea”, do Imago Lisboa Photo Festival 2020, patente nas Carpintarias de S. Lázaro, na R. de S. Lázaro, 72, de 01.10 a 08.11.2020.
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KRISZTINA ERDEI, THE BIRTH OF VENUS AND OTHER STORIES
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Krisztina Erdei,The Birth of Venus 01, 2018 – The Birth of Venus 03, 2018 – The Birth of Venus 06, 2019
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Uma cidade é sempre um mosaico de “mundos sociais” nitidamente distintos ou culturas únicas, como Louis Wirth descobriu ao organizar o conhecimento de sociologia urbana acumulado no final da década de 1930. Ou seja, só podemos afirmar que conhecemos a nossa própria cidade se estivermos familiarizados com o maior número de bairros que representam os vários mundos sociais possíveis.
Esta série investiga a situação atual dos ex-moradores do complexo de edifícios que ficavam na esquina da rua Illatos e a rua Gubacsi, em Budapeste, desde o dia em que se mudaram até hoje. Explora a vida quotidiana diária de uma comunidade já extinta. A protagonista é Venus Sarkozi.
Conheci Venus durante o projeto de pesquisa nos arredores da cidade. No último ano, aconteceram-lhe várias coisas, que me são difíceis de processar. No decurso de poucos meses, perdeu a mãe, depois o patrono e o irmão. Recebeu uma ordem judicial de despejo do seu novo alojamento, para onde se mudara após o Dzsumbuj. Ela tentou mudar-se, mas num alojamento de operários roubaram-lhe a roupa e, num apartamento alugado, roubaram-lhe o dinheiro.
Enquanto perseguia os seus sonhos de cantar e escrever, procurava constantemente um emprego para ultrapassar a insegurança financeira. Ajudei Venus a encontrar as moradas das entrevistas de emprego no Google Maps, enviando-lhe os itinerários para cada uma. Depois de quase um ano, percebi que lhe haviam enviado quase cinquenta locais para audições e avaliações para empregos. Havia lugares onde ela ia apenas à entrevista e outros onde trabalhava alguns dias ou semanas.
É muito complicado e bastante intangível a razão pela qual necessita encontrar um sítio novo, porque precisa de voltar e voltar a nascer. Foi quando decidi que visitaria todos estes diversos locais de Budapeste relacionados com a procura de trabalho de Venus, por uma oportunidade de se encaixar, com uma concha inspirada em Botticelli.
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2020
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SOPHIA IOANNOU GJERDING, HOMAGE TO AIRWAY, THE LUXURY OF CHOOSING PAIN, HAUNTING PROP-BLEM / SUNNY BEAMS
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Sophia Ioannou Gjerding – Homage to Airway – The Luxury of Choosing Pain – Haunting Prop-blem / Sunny Beams
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Homage to Airway tem o seu ponto de partida numa fotografia da década de 1920 que retrata o cão Airway, que era em parte animal de estimação, em parte animal de laboratório para dois anestesiologistas. Os testes ao Airway (via aérea) levaram ao desenvolvimento de um dispositivo que serve para abrir as vias aéreas do paciente. A invenção ficou conhecida como Guedel’s Airway (Via Aérea de Guedel), em homenagem a ambos, médico e cão envolvidos. Airway pode ser uma referência tanto às viagens aéreas quanto à respiração humana, mas também é o nome de um cão. O trabalho também tem o seu ponto de partida numa escultura criada por Friedrich Wilhelm Wolff em 1847: uma escultura de bronze satírica que descreve a primeira experiência da Alemanha com anestesia, realizada num velho urso cego no zoológico de Berlim. No centro da escultura, vemos o urso cercado por vários animais. Vestidos com roupa humana, os animais têm características que apontam para os vários médicos envolvidos na experiência.
The Luxury of Choosing Pain explora a relação entre ser uma imagem, ser um ser e ser um corpo. No filme, seguimos o olhar de uma câmara enquanto paira sobre uma área povoada por personagens virtuais: numa cena, encontramos uma estátua de um ciborgue com um olho de vidro, o olho de vidro tem como modelo um tipo específico de olho de vidro fabricado para os franceses veteranos de guerra chamados Gueules Cassées, os rostos partidos, após o fim da primeira guerra mundial. Noutra cena, somos apresentados a plantas, que usam sons de flauta como principal meio de comunicação. Através de referências a fenómenos históricos e do envolvimento com o que caracteriza os seres orgânicos e sintéticos, respetivamente, Gjerding põe várias questões sobre o olhar não humano e o assombro ou animismo relacionado com as existências virtuais.
Haunting Prop-blem / Sunny Beams investiga a relação entre prótese, imagem e corpo. O espectador encontra um número de personagens que têm um relacionamento alienante consigo mesmos, com seus corpos e membros. O vídeo é acompanhado por um poema, escrito pela própria Gjerding.
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2020
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“The Birth of Venus and Other Stories”, de Krisztina Erdei, artista escolhida por Gabriella Csizek e “Homage to Airway”, “ The Luxury of Choosing Pain” e “Haunting Prop-blem / Sunny Beams”, de Sophia Ioannou Gjerding, artista selecionada por Beate Cegielska, integram a exposição “Novas Visões na Fotografia Contemporânea”, do Imago Lisboa Photo Festival 2020, patente nas Carpintarias de S. Lázaro, na R. de S. Lázaro, 72, em Lisboa, de 1 de outubro a 8 de novembro de 2020.
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Krisztina Erdei nasceu em Szeged, Hungria e atualmente vive em Budapeste. Formou-se na Escola de Filosofia e na Escola de Estudos Políticos, e também estudou teoria do cinema e educação visual. A curiosidade social de Erdei enforma a sua ampla variedade de temas – um elenco incrível de pessoas, lugares e coisas que preenchem moldura. Mas, em vez de serem definidas pelo conteúdo, as suas fotografias evocam uma constelação de qualidades ou humores. Krisztina está atualmente a trabalhar nos seus estudos doutorais em multimédia.
A sua pesquisa concentra-se em estratégias de memória na arte contemporânea.
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Sophia Ioannou Gjerding nasceu em 1989 e vive em Copenhaga, Dinamarca. Tem o mestrado em Belas Artes, pela Jutland Art Academy, Dinamarca.
No seu trabalho, Sophia Ioannou Gjerding esforça-se por entender a produção cultural contemporânea de imagens e como a tecnologia de imagem recente cria novas perspetivas visuais e dimensões espaciais. O seu trabalho investiga correspondência e coincidências entre imagens e ideias diferentes, muitas vezes opostas, tal como o domesticado em relação ao selvagem ou o físico ao metafísico. Gjerding desenha imagens do seu contexto específico e cria novas composições animadas, paisagens sonoras e instalações como parte de um exame e reflexão contínuos sobre o mundo da imagem contemporânea.
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O núcleo “Novas Visões na Fotografia Contemporânea” surge, pois
Desde sempre que a fotografia teve uma expressão multifuncional, que se estende do campo científico ao campo das artes. Porém, nas duas últimas décadas a fotografia, e particularmente no âmbito dos projetos artísticos, adquiriu novas liberdades e formas de se apresentar.
Procurando espelhar a diversidade e criatividade que se tem vindo a expandir, o festival Imago Lisboa, através do convite a reconhecidos curadores da área, dá a conhecer alguns exemplos das narrativas atuais.”
Os curadores desta 2.ª edição são: Paul di Felice, Rui Prata, Beate Cegielska e Gabriella Csizek.
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Rui Prata, Diretor Artístico do Imago Lisboa Photo Festival, regista:
A fotografia constitui uma forma de representação artística e de registo muito relevante da atual sociedade. Para além do seu uso nas artes visuais, e mais concretamente na chamada fotografia de autor, a imagem fotográfica dá roupagem a um vasto campo de territórios que se expandem das ciências às redes sociais.
A 2ª edição do festival Imago Lisboa pretende dar continuidade a um acontecimento regular que potencialize as diferentes práticas fotográficas contemporâneas, sem esquecer a apresentação de autores de reconhecido valor histórico, cujo conhecimento é essencial para a compreensão das atuais narrativas.
Ao longo da última década, Lisboa tornou-se uma cidade de referência, com acentuado crescimento económico e cultural. Pululam os acontecimentos nas mais diversas áreas e a urbe é palco de uma efervescente atividade nos mais diversos domínios. Não obstante algum abrandamento em virtude da recente pandemia, importa retomar a dinâmica anterior e criar condições para uma confiança e atração crescente de públicos.”
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Pode saber mais sobre o Imago Lisboa Photo Festival aqui e no Fascínio da Fotografia, aqui.
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Cortesia: Imago Lisboa Photo Festival.
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