MÁRIO NOVAIS, EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS 1940, 1998
80 anos da inauguração da Exposição do Mundo Português (23 de Junho de 1940)
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Mário Novais
Exposição do Mundo Português 1940
Fotografia: Mário Novais / Textos: Pedro Támen, José Sarmento de Matos, Maria Clara Pedro Serra, Maria José Massano Cachola, Maria do Rosário Ricardo, Rita da Fabiana, Luís Pavão, Jorge Calado, RPaui Afonso Santos / Design gráfico: TVM Designers – Luís Moreira
Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian / 1998
Português e inglês / 27,9 x 28,1 cm / 134p.
Brochura
ISBN (10): 9726780276
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A Exposição do Mundo Português teve lugar entre 23 de Junho e 2 de Dezembro de 1940, já em plena II Guerra Mundial, comemorando o oitavo centenário da Fundação de Portugal (1140) e o terceiro da Restauração da Independência (1640), sendo considerado o acontecimento político-cultural mais marcante do Estado Novo e a maior exposição do seu género realizada no país antes da Expo’98. Recebeu cerca de três milhões de visitantes.
A Exposição teve lugar na zona de Belém, em Lisboa, frente ao Mosteiro dos Jerónimos, em redor do Jardim do Império, junto ao Rio Tejo, próximo da Torre de Belém, ocupando uma área de 56 hectares e implicou a renovação urbana da zona ocidental da capital.
O certame era composto por secções de História, Etnografia e do Mundo Colonial. Entre os inúmeros pavilhões destacavam-se os da Honra e de Lisboa, do Arqt.º Luís Cristino da Silva; da Fundação, Formação e Conquista, da Independência, do Arqt.º Rodrigues Lima; dos Descobrimentos, do Arqt.º Porfírio Pardal Monteiro; da Colonização, do Arqt.º Carlos Ramos; dos Portugueses no Mundo, do Arqt.º Cottinelli Telmo e ligado a este, o Pavilhão de Portugal de 1940 dirigido por António Ferro; o de Etnografia Metropolitana com a Reconstrução das Aldeias Portuguesas, do Arqt.º Jorge Segurado, da Vida Popular, do Arqt.º Veloso Reis, o colonial com a reprodução da vida ultramarina e o Pavilhão do Brasil, país convidado, do Arqt.º Raul Lino.
Junto da Torre de Belém foi montada a Nau Portugal, na verdade, réplica de um galeão da carreira da Índia do século XVII, da responsabilidade de Leitão de Barros e Martins Barata, e o “Padrão dos Descobrimentos” da autoria de Cottinelli e Leopoldo de Almeida. O atual Padrão dos Descobrimentos foi edificado já após a exposição, em 1960, por ocasião da comemoração dos 500 anos da morte do Infante D. Henrique.
A exposição contou com a participação da maioria dos artistas modernistas: 12 arquitetos, 19 (24?) escultores, 43 pintores e muitos decoradores, com a exceção de Soares, Mário Eloy, Cassiano Branco e Keil do Amaral, sendo excluídos os artistas académicos, o que provocou duras críticas destes, liderados pelo Coronel Arnaldo Ressano Garcia, presidente da Sociedade Nacional de Belas-Artes.
Dos pintores, merece destaque: Fred Kradolfer, Bernardo Marques, Thomaz de Mello, Carlos Botelho, José Rocha, Emmerico Nunes, Paulo Ferreira, Almada Negreiros, Jorge Barradas, Lino António, Martins Barata, Manuel Lapa, Sarah Afonso, Estrela Faria, Clementina Carneiro de Moura, Mily Possoz, entre outros. Dos escultores, refira-se: Canto da Maia, Leopoldo de Almeida, António da Costa, Barata Feyo, Ruy Gameiro, António Duarte, Martins Correia, João Fragoso, Raul Xavier, etc.
A comissão especial foi dirigida por Augusto de Castro (Comissário-Geral), secundado por Sá e Melo (Comissário-Geral-Adjunto), tendo Cottinelli Telmo como Arquiteto-Chefe. Gustavo de Matos Sequeira encarregou-se da coordenação histórica, José Leitão de Barros dos serviços externos e Gomes de Amorim do ajardinamento dos espaços.
A Exposição coincidiu ainda a efetivação de um vasto plano de obras públicas, com o arranque de diversos projetos, especialmente em Lisboa e arredores, e a inauguração do Estádio Nacional, entre outras obras.
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Para fotografar oficialmente a exposição foi escolhido o fotógrafo Mário Novais, criador e responsável do Estúdio com o seu nome, um dos fotógrafos mais reputados da capital, trabalhando não só em fotografia de arquitetura, mas também retrato, reportagem, fotografia publicitária, comercial e industrial e obras de arte, de que era considerado o melhor estúdio ao tempo. Mário Novais já fotografara a representação portuguesa na Exposição Internacional de Paris de 1937 e seria também escolhido para fotografar a Exposição de Arte Portuguesa na Royal academy, em Londres, em 1956 e a Exposição Henriquina, em 1960.
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Mário Novais, Exposição do Mundo Português 1940, 1998
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Este livro é o catálogo da exposição realizada na Antiga Fábrica de Rações do Beato (Convento do Beato), na R. do Beato, 36, em Lisboa, de 19 de fevereiro a 19 de abril de 1998, antecedendo a EXPO’98, numa iniciativa do Arquivo de Arte do Serviço de Belas Artes da Fundação Calouste Gulbenkian e do Caminho do Oriente.
A obra conta com os textos institucionais de Pedro Támen (FCG), José Sarmento de Matos (Caminho do Oriente) e os ensaios: “Mário Novais. Exposição do Mundo Português 1940”, de Maria Clara Pedro Serra, Maria José Massano Cachola, Maria do Rosário Ricardo e Rita da Fabiana; “O tratamento da Colecção Mário Novaes. Fundação Calouste Gulbenkian”, Luís Pavão; “Rectas e curvas”, Jorge Calado e “A Exposição do Mundo Português, celebração magna do Estado novo salazarista”, Rui Afonso Santos. Inclui ainda a lista das “Publicações das Comemorações Cnetenárias ilustradas por Mário Novais”, a identificação das peças apresentadas na “Mostra Documental” e o “Álbum”, composto por 41 fotografias.
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Mário Novais (Lisboa, 2 de março de 1899 – Lisboa, 7 de outubro de 1967). Filho do fotógrafo retratista Júlio Novais (1867 – 1925), sobrinho de António Novais (1855-1940) e irmão de Horácio Novais (1910 – 1988), Mário Novais nasceu no seio de uma família de grandes fotógrafos com atividade em Lisboa desde o último quartel do século XIX.
Iniciou a atividade profissional como retratista, no início dos anos de 1920, na Fotografia Vasquez. Participou no I Salão dos Independentes, em 1930, e na 1.ª Exposição Geral de Artes Plásticas, em 1946. Em 1933 abriu o seu próprio estúdio, Estúdio Novaes, em Lisboa, que se manteve ativo durante meio século.
Para além de fotografia de obras de arte e arquitetura, em que se especializou, Mário Novais fez foto-reportagem, fotografia publicitária e fotografia comercial e a industrial. Colaborou em periódicos como a Ilustração Portuguesa, o Boletim dos Museus Nacionais de Arte Antiga (1939-1943), o semanário Mundo Literário (1946-1948), a revista Panorama, na Mocidade Portuguesa Feminina: boletim mensal (1939-1947) e ainda na revista Litoral (1944-1945).
A “Coleção Estúdio Mário Novais” foi adquirida em 1985 pela Fundação Calouste Gulbenkian e os seus 80.309 documentos fotográficos de diversos tipos (negativos, diapositivos, interpositivos, preto e branco e cor) abrangem os 50 anos de atividade do Estúdio Novaes.
Fonte: Fundação Calouste Gulbenkian, aqui e Wikipédia, aqui.
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Pode saber mais sobre a Exposição do Mundo Português aqui (Wikipedia) e aqui (Youtube).
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