ALFREDO CUNHA, O TEMPO DAS MULHERES, 2019
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Alfredo Cunha
O tempo das mulheres
Fotografia: Alfredo Cunha / Textos: Maria Antónia Palla
Lisboa: Tinta da China / Novembro . 2019
Português / 23,5 x 23,5 cm / 468 p.
Cartonado com sobrecapa
ISBN: 9789896715083
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Este livro é um grande Hino à Mulher. À Mulher mãe, artista, profissional, à mulher de todas as idades, à mulher de todo o mundo, à mulher de diferentes origens, religiões e proveniências.
Torna-se assim um hino à vida, à humanidade. Celebra a Mulher e, por inerência, o Homem, “já que homens e mulheres são as duas faces do ser humano”, citando a filósofa Sylviane Agacinski, referida por Palla. As fotografias registam o quotidiano, momentos de vivência, de lazer, de trabalho: da vida quotidiana, do lazer, dos momentos especiais: da vida de cada um.
Esta obra, lançada no âmbito da comemoração dos 50 anos de fotografia de Alfredo Cunha, reúne cerca de 400 fotografias, realizadas ao longo da sua carreira, em mais de 20 países dos 4 continentes: Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Timor, Jordânia, China, Argentina, Uruguai, Haiti, Sri Lanka, Índia, Bangladesh, Brasil, Estados Unidos, Roménia, Tunísia, Iraque, Níger, Nepal, Polónia e Portugal.
O livro está dividido em 4 grandes capítulos, do nascimento à morte: a infância, “O sol da vida”, a juventude, “A idade da inocência”, a idade adulta, “O tempo das cerejas” e a terceira idade, “O cair das folhas”.
O texto de cada capítulo – assim como os títulos – e o ensaio que abre a obra, são de Maria Antónia Palla, jornalista e feminista. Entre os dois autores há uma amizade de longa data: Palla era a chefe para quem Alfredo Cunha realizou o seu primeiro trabalho profissional, no jornal “O Século”, em 1972.
Deste texto inicial, “Uma tão longa marcha”, transcrevo uma parte:
Somos mulheres ou homens, por um jogo de acasos, desde o momento da concepção. Mas não é esse facto que nos une, a nós, mulheres. Vivemos em hemisférios diferentes, em continentes, países e sociedades desiguais, trilhamos percursos de vida próprios.
A desigualdade que nos separa não depende da cor da pele, nem da língua que falamos, do traje que usamos, ou sequer da idade. O que nos torna diferentes é a cultura, as tradições, a circunstância de usufruirmos ou não de direitos. Nada disto depende de nós. O que nos torna diferentes é o facto de sermos livres ou não.
Por diversas razões, no passado, no presente e, quem sabe, no futuro, há mulheres vítimas da História, ao passo que outras criam a sua própria História. Este livro de Alfredo Cunha mostra precisamente isto: o que nos diferencia e o que temos em comum enquanto mulheres.
«Este século (o século XX) é o da libertação das mulheres nas sociedades ocidentais. A enumeração das suas conquistas causa vertigem. Para nós, privilegiadas dos países democráticos, está feita a prova de que entramos numa nova era que reconhece a legitimidade do modelo igualitário entre os sexos», escreve Elisabeth Badinter no prefácio ao livro Le XXème siècle des femmes («O Século XX das Mulheres»), de Florence Montreynaud. As mulheres – a «segunda parte da Humanidade» – percorreram uma longa marcha, silenciosa ou silenciada, marcada por derrotas e vitórias, até conseguirem escapar à estrita esfera do lar, até quebrarem o anonimato e até conseguirem afirmar que querem ser reconhecidas como iguais aos homens, em direitos e deveres, sem estarem à espera de que lhes seja concedida a segunda metade do céu. Os caminhos percorridos foram diversos, e nem todas chegaram ainda ao fim da jornada. Um dia, talvez um dia, teremos todas os mesmos direitos. Mantendo a nossa identidade, a nossa herança, a nossa diferença, mas podendo partilhar com outros a nossa opinião e a nossa vontade. Podendo usar efectivamente o poder de decisão, sem sujeição. Livres.
Ao longo da História, algumas mulheres souberam impor-se pela sua beleza, pelos seus dotes artísticos ou pelo seu relacionamento com famílias poderosas. Recebiam benesses e heranças. Mas não tinham propriamente direitos. Aquilo que aos poucos as libertou foi a educação e o trabalho.
(…)”
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Maria Antónia Palla desenvolve no seu ensaio a história da afirmação das mulheres no mundo e em Portugal.
A terminar a obra, um índice reproduz todas as fotografias, identificando o local e o ano de realização de cada uma.
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Alfredo Cunha, O tempo das mulheres, 2019
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O livro “O Tempo das Mulheres”, de Alfredo Cunha, foi lançado no dia 7 de novembro de 2019 no Torreão Poente da Praça do Comércio, com a inauguração da exposição homónima. A exposição, programada para encerrar em 31 de janeiro de 2020, foi prolongada até 29 de março, vindo a encerrar dia 13 de março, na sequência das medidas de confinamento devido à pandemia de COVID-19.
Desde 25 de maio, a exposição pode ser vista em Leça da Palmeira, no Museu da Quinta de Santiago, na R. de Vila Franca, 134.
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Alfredo Cunha, Exposição “O tempo das Mulheres”, de Alfredo Cunha, Lisboa, 2019
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Alfredo Cunha nasceu em 1953 em Celorico da Beira. Começou sua carreira profissional em 1970 e como fotojornalista em 1971, no jornal Notícias da Amadora. Trabalhou no jornal O Século e n’O Século Ilustrado (1972), na Agência Noticiosa Portuguesa (ANOP) (1977) e nas agências de notícias Notícias de Portugal (1982) e Lusa (1987). Foi fotógrafo e editor-chefe no jornal Público (1989 a 1997), quando se juntou ao grupo Edipresse como fotógrafo-chefe e em 2000 muda para a revista Focus. Foi o fotógrafo e editor-chefe do Jornal de Notícias (2003 a 2009) e diretor fotográfico da Global Imagens (2010 a 2012). Atualmente trabalha como freelancer e desenvolve diversos projetos editoriais.
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Pode ver outros trabalhos de Alfredo Cunha no Fascínio da Fotografia, aqui.
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