FERNANDO RICARDO, MOMENTOS
Exposição na Galeria Marca de Água, na Rua da Carreira n.º 119, no Funchal, de 16 de janeiro prevista até 16 de abril de 2020 (suspensa devido ao Covid-19), já reaberta.
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Fernando Ricardo, Momentos – Santuário de Fátima, 1972 – Alentejo, 1974 – Alentejo, 1975 – Elvas, 1975 (2) – Marrocos, 1976 (2) – Chiado, Lisboa, 1988 (2) – Angola 1991 (2) – África.
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O fotógrafo António Sánchez-Barriga escreve que Fernando Ricardo consegue
eliminar a diferença entre a língua falada/escrita e a imagem fotográfica, ambas unindo-se numa só fotografia. Os temas que Fernando expõe estão em contínua actualidade: o fogo, a fé, o trabalho, a notícia, numa etnografia pura que, infelizmente, vem sendo perdida e se perderá na noite dos tempos.
Se sobrevoarmos a fotografia de Fernando, a travessia da história nos converteria no seu anjo da guarda e assim poderíamos concluir que é um ortodoxo na sua forma de ver o mundo que o rodeia. O seu fascínio por aquelas necessidades da vida, aquilo que rejeitamos e aquilo em que nos gostaríamos de envolver – aquilo pelo qual verdadeiramente lutamos – isto é, o que vemos em cada uma das suas imagens, potentes, tridimensionais, permanentes no espaço e no tempo. Qualquer uma das suas fotografias informa e esclarece, com uma única imagem, o olhar para o meio ambiente, não necessitando palavras – talvez uma data e um local – e isto, Fernando sabe-o perfeitamente. São anos de profissão e de luta repartidas por guerras, revoluções, desgraças, por aquilo que esteve sempre no foco das notícias. Fernando procura a imagem integrada, não meras recordações de uma viagem, nem um passeio ao redor de… nem a banalidade de uma interpretação de algo que se passou ao seu – ou nosso – lado, mas a procura da notícia e portanto, da imagem fotográfica. Um significado que não altera a composição, nem o ritmo, nem a perspectiva, nem a estrutura, toda a imagem que ele nos proporciona está concretizada num contexto completo que parece escapar do interior da fotografia.
Fernando conseguiu enriquecer o preto e branco fotográfico através da procura da realidade numa fracção de segundo. É uma antítese do discurso de vários sucessos numa só fotografia, a vida na aldeia, a religião extrema, a guerra, a pobreza, o caos, a desgraça e a perda. Percurso da mesma vida errante da sua fotografia: o ensino da vida numa só exposição. Uma exposição que unifica a arte do instante na arte permanente no tempo e que expressa a brancura, os cinzentos, os meios-tons e o negro profundo, plasmados de um modo como se fosse o traço de um pincel japonês aplicado sobre o branco de um papel de arroz.”
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Galeria Marca de Água, Aspetos da exposição, 2020
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“Momentos”, de Fernando Ricardo, é a exposição apresentada na Galeria Marca de Água, na Rua da Carreira n.º 119, no Funchal, de 16 de janeiro a 16 de abril de 2020 (suspensa devido ao Covid-19), entretanto reaberta; reúne cento e vinte obras fotográficas, desde 1972 até à atualidade.
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Fernando Ricardo, Autoretrato, 2019
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Fernando Ricardo (Lisboa, 1951). É fotojornalista desde 1970. Foi fotojornalista chefe da Agência The Associated Press e repórter fotográfico da Agência Gamma e France Press. Foi Diretor de fotografia do grupo Impresa.
Bolseiro do Conselho da Europa em fotojornalismo. Realizou várias reportagens internacionais para a The Associated Press em cenários de guerra, em África e no médio oriente. Para a Associated Press realizou a cobertura fotográfica de vinte quatro viagens do Papa João Paulo II. Tem reportagens fotográficas sobre os Jogos Olímpicos, Campeonatos do Mundo de Futebol e Grandes Prémios de Formula 1. Tem fotografias publicadas na imprensa mundial, nomeadamente: International Herald Tribune, New York Times, Washington Post, Boston Globe, Time, News Week, Stern, Der Spigel, Paris Match, l’Expresse, Figaro, Times of London, Sunday Times,Guardia, El País, entre outros.
Conta com várias exposições individuais, nomeadamente no MARGS Museu de Arte do Rio Grande do Sul, no Brasil e no Palácio da Galeria – Museu Municipal de Tavira. Está representado em várias coleções públicas, entre as quais a da Assembleia da República Portuguesa. Atualmente trabalha como fotojornalista freelancer, sendo contributer da agência Getty Image.
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