ANTÓNIO BRACONS, COLISEU, ROMA, 2019
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António Bracons, Coliseu, 2019
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Coliseu.
Colosseo, em italiano.
Colossal.
Visitei o Coliseu em agosto de 2019. Uma multidão de todas as nacionalidades palmilhava a cidade. Os cidadãos romanos saíam naquele mês, iam para as praias, deixando a cidade para os turistas, menos caótica. Nos últimos meses, temo-la visto uma cidade de ruas desertas.
Regresso ao Coliseu…
A grande estrutura de pedra e tijolo ergue-se imponente, apesar dos danos que o passar dos tempos e dos homens foi infligindo, apesar de em parte faltarem dois ‘anéis’. Em tempos, a pedra exterior fora revestido a bronze. A grandeza do império, sobre todas as formas.
Se do exterior a obra parece grandiosa, parece muito maior quando vista no interior.
Um olhar atento percebe a complexidade da estrutura, da construção, para garantir a estabilidade e a funcionalidade, dos diferentes níveis das bancadas para o público, os corredores, as galerias e escadarias de acesso, o espaço dos lugares…
O levantamento de parte da arena permite perceber a complexidade da infraestrutura subterrânea para homens, animais, artefactos. E a dimensão grandiosa da arena.
O Coliseu foi o palco de espetáculos de luta e de morte, de gladiadores e prisioneiros, de feras, também de muitos cristãos, até ao ano de 313, quando o imperador Constantino, através do Édito de Milão, garantia a liberdade de culto, acabando as perseguições. Poucos anos depois, o catolicismo foi aprovado como a religião do império.
Por isso, todos os anos, na Sexta-Feira Santa, o Coliseu é palco da Via Sacra, a memória do percurso de Cristo até à Cruz, através das 14 estações.
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Este ano a Via Sacra não é feita a partir do Coliseu.
Este ano a Via Sacra é mais longa. Neste tempo de coronavirus, começou no início da Quaresma, ou pouco depois. É feita no silêncio e na dor. No isolamento de cada um, na sua família nuclear, sem o encontro com a família alargada. Nos hospitais, com a dor, a incerteza, o medo, a ansiedade, a solidão, a dedicação e os cuidados de tantos. E fora dos hospitais, nos serviços essenciais. Nas ruas (quase) desertas.
Itália, particularmente. E Espanha. E todos os países da Europa, e nos outros continentes, em maior ou menor grau, percorre-se há muito a Via Sacra. Dolorosa.
Sabemos, também, que a Via Sacra é o caminho que leva à Páscoa, à Ressurreição.
Feliz Páscoa para todos.
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