IRA ROMANT, STILL LIFE
Exposição em Lisboa, no 5D Creative Hub, na R. 2 da Matinha, Lote A – 5D, de 10 a 21 de março de 2020.
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Ira Romant, Still Life
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Sobre esta série escreve R. Garnel:
Que razão tinha Umberto Eco ao dizer que traduzir é tentar «dizer o mesmo quase pelas mesmas palavras»! Há sempre algo que se perde na tradução porque não é possível, na maioria dos casos, dizer exactamente a mesma coisa. Vem isto a propósito do título da exposição. Still Life diz exactamente do que se trata. A tradução clássica do título (Natureza Morta) seria uma traição: não há nada de morto nas composições fotográficas de Ira Romant. O título remete para composições de materiais orgânicos, dispostos, suspendidos, colocados laboriosamente, iluminados e captados e o resultado é a fixação de um instante vital.
As 9 fotografias expostas falam de um mundo suspenso – que pode ser a melhor forma de traduzir o título -, talvez submerso no mais profundo de um qualquer oceano. Olhá-las é penetrar num misterioso mundo mágico que convida e desafia o espectador, nos múltiplos e intricados detalhes, a abrir-se ao inesperado. E, em todas, ramos e luz, surgem como pulmões que alimentam pequenos animais, escondidos, suspeitados ou evidentes, undulando ao sabor das correntes; os plásticos, objectos de uma contemporaneidade não isenta de crítica, também eles se animam ao mesmo ritmo. Em todas as fotografias, um mundo feérico, só aparentemente inanimado, fala de vida. Sim, ela pode ser violenta e caótica, com mais ou menos cor, mas é feita de carne e paixão, pulmões e água (ainda que, temporariamente, congelada). A vida é sempre assim.
E que melhor símbolo se poderia escolher do que os crânios? A sua presença confirma o que atrás de disse: só os vivos falam sobre a morte.
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A exposição “Still life”, de Ira Romant, está em Lisboa, no 5D Creative Hub, na R. 2 da Matinha, Lote A – 5D, de 10 a 21 de março de 2020.
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Ira Romant nasceu em Riga em 1981. Os seus pais eram médicos do exército da União Soviética. Mais tarde, mudou-se para Tallinn, na Estónia, e concluiu os seus estudos em escolas de língua russa. Enquanto crescia, estava interessada em artes visuais e medicina.
Mais tarde, a família regressou a Riga, estudou durante 2 anos na Escola de Arte da Letónia e 1 ano no norte da Índia (História do Hinduísmo).
Depois de se mudar para Portugal, casou-se e dedicou-se à família, criando uma filha. Após um interregno educativo de 10 anos, retomou os estudos no Centro de Arte e Comunicação Visual do Ar.Co, em Lisboa. Nos últimos 5 anos, o seu interesse concentrou-se na fotografia, mantendo um amplo interesse pelas artes em geral.
Em 2019 apresentou a exposição “When no one´s watching” (no FF, aqui).
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Cortesia da Autora.
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