ANTÓNIO BRACONS, FLORBELA ESPANCA, COIMBRA, 1998

Em 8 de Dezembro completaram-se 125 anos do nascimento e 89 da morte de Florbela Espanca (Vila Viçosa, 8 de Dezembro de 1894 – Matosinhos, 8 de Dezembro de 1930)

.

.

.

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

António Bracons, Florbela Espanca, Coimbra, 1998

.

.

Em Coimbra, no Parque Manuel Braga, à beira-rio, ergue-se uma estátua de homenagem a Florbela Espanca. Foi inaugurada em 8 de Dezembro de 1994, quando se completou o centenário do seu nascimento, por iniciativa do GAAC – Grupo de Arqueologia e Arte do Centro. Foi executada em pedra de Ançã pelo escultor espanhol Armando Martinez. De um tronco comum surgem duas cabeças. De acordo com o escultor, uma é Florbela enquanto mulher, a outra, é a parte da sua vida, a sua poesia, o seu irmão, o filho que abortou, e tudo o que nos ensinou.

.

.

Tudo é vago e incompleto! E o que mais pesa

É nada ser perfeito.”

Florbela Espanca, “O meu impossível”

.

.

Florbela Espanca nasceu em Vila Viçosa, a 8 de Dezembro de 1894, sendo batizada com o nome de Flor Bela Lobo. Cedo começa a assinar Florbela d’Alma, a que acrescentou o nome de seu pai, com quem sempre viveu, embora fosse fruto de uma relação extra-matrimonial de João Maria Espanca com Antónia da Conceição Lobo. Foi criada pela madrinha, Mariana Espanca, mulher de seu pai.

Os seus primeiros poemas conhecidos datam de 1903, três quadras, «A Vida e a Morte», e um soneto, «A bondade, o som de Deus…»

A mãe faleceria com 29 anos, mal a conheceu.

Em 1907 a família Espanca muda-se de Vila Viçosa, onde Florbela frequentara o ensino primário e secundário, para Évora, para que a menina possa frequentar o Liceu. Tendo ficado reprovada nos exames do 7.º ano, Florbela casa no dia do seu décimo nono aniversário com Alberto Moutinho, colega de escola e de liceu. Dessa época conhece-se o caderno Trocando Olhares, que contém três contos e 144 poemas.

Em 1916 alguns poemas seus são publicados na revista Modas e Bordados, suplemento do jornal O Século, mas com alterações e no Notícias de Évora. Seleciona alguns poemas de Trocando Olhares e envia a compilação, intitulada Primeiros Passos, a Raúl Proença, não hesita em corrigir-lhe a poesia ao mesmo tempo que lhe reconhece talento, o que anima a continuar a escrever

Em 1917 Florbela termina o liceu e passa a frequentar a Faculdade de Direito de Lisboa, embora se tenha sempre referido à vontade de se formar em Letras. Depois de um aborto espontâneo, ela, que sempre manifestara grande desejo de ser mãe, vai recuperar para Olhão, onde o marido leciona. Florbela regressa a Lisboa e à faculdade, mas o marido fica no Algarve e a separação dos dois torna-se definitiva.

Entretanto, a autora continua a corresponder-se com Raul Proença, que em 1919 compila e edita o Livro de Mágoas, introduzindo variantes aos sonetos manuscritos de Florbela. No ano seguinte conhece António Guimarães, alferes da G.N.R com quem vai viver; divorciada de Alberto Moutinho, casa com Guimarães em 1921 e vai viver para o Porto. Regressando no ano seguinte a Lisboa, para onde o marido é transferido, como chefe de gabinete do Ministro do Exército.

Em Janeiro de 1923, é editado o Livro de Soror Saudade. «Soror Saudade» fora a designação que o colega de faculdade Américo Durão tinha dado a Florbela, num soneto publicado n’ O Século dois anos antes, nome com o qual a autora passa a identificar-se. Novo aborto expontâneo debilita a saúde de Florbela, que vai tratar-se para Guimarães. Ali reencontra Mário Lage, médico, que conhecera e consultara no Porto, e vai viver para sua casa. Em 1925 divorcia-se e casa com Mário Lage pouco tempo depois, o seu primeiro matrimónio religioso.

O jornal D. Nuno, de Vila Viçosa, inicia a publicação de alguns poemas de Florbela; em 1927 a autora começa a traduzir romances franceses. O seu irmão Apeles, piloto aviador, morre num acidente de aviação no Tejo, nunca tendo sido encontrado o corpo. Começa a escrever contos que serão publicados postumamente nos volumes Dominó Preto e As Máscaras do Destino, editados postumamente por Guido Battelli, professor da Universidade de Coimbra, com quem começa a conviver no último ano de vida e que publicará postumamente o livro Charneca em Flor, cujas provas Florbela ainda revira, no início de Janeiro de 1931, ano em que surgem novas edições do Livro de Mágoas e do Livro de Soror Saudade, o póstumo Juvenilia e Cartas de Florbela Espanca a Dona Júlia Alves e a Guido Batelli, uma segunda edição de Charneca em Flor, com vinte e oito sonetos inéditos (Reliquiae) e os contos de As máscaras do destino. Todos os seus livros de poesia serão reeditados num só volume, Sonetos Completos, em 1934, com prefácio de José Régio: “Sobre o caso e a arte de Florbela Espanca”, pela Livraria Gonçalves, de Coimbra.

Florbela Espanca morre em Matosinhos, a 8 de Dezembro de 1930, no dia do seu trigésimo sexto aniversário, suicidando-se com barbitúricos.

Quando o seu corpo foi trasladado para Vila Viçosa, parou em Coimbra e Miguel Torga fez um elogio fúnebre.

.

.

.

Pode conhecer melhor a vida de Florbela Espanca, aqui.

.

.

.