FERNANDO LEMOS, FERNANDO LEMOS. PH04, 2019
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Fernando Lemos
Fernando Lemos. Ph04
Fotografia: Fernando Lemos / Texto: Filomena Serra / Coordenação: Cláudio Garrudo / Design: Paulo Condez/Ateliê NADA
Lisboa: Imprensa Nacional / Junho . 2019
Coleção Ph., n.º 4
Português e inglês / 16,7 x 23,7 cm / 132 págs.
Brochura / 1.000 ex.
ISBN: 9789722727501
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Quanto mais desejo
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quanto mais desejo
mais invento o que vejo
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quanto mais vejo
mais invento o que desejo
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quanto mais invento
mais desejo o que vejo
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Fernando Lemos
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Neste livro, o 4.º volume da coleção Ph., coordenada por Cláudio Garrudo (o número 3, dedicado a Helena Almeida, entretanto falecida, ainda não saiu), apresenta-se além do texto de Filomena Serra, amiga de lemos e diretora da Galeria Ratton (na Rua da Academia das Ciências, 2C, apresenta a exposição Fernando Lemos Azulejaria de 4 de junho a 6 de setembro), um conjunto das suas fotografias surrealistas (1949-1952) e outras inéditas, do Japão, de 1963.
Esta obra percorre a obra fotográfica de Lemos, desde a sua primeira imagem, “A Rua do Sol ao Rato, 1949-52” (p. 111), obtida desde a casa onde nasceu e viveu, até trabalhos mais recentes, na parte final. A abrir, um retrato do seu amigo José-Augusto França, de 1951, em Paris, na Catedral de Notre-Damme. Segue-se a sua obra surrealista, essencialmente os retratos dos amigos: de Agostinho da Silva, Arpad Szénes e Vieira da Silva, Mário Cesariny, o jovem escritor José Cardoso Pires, Vespeira e Fernando Azevedo, com quem expôs em 1952 na Casa Jalco, Sophia de Mello Breyner, António Pedro e tantos outros.
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Lemos expôs pela primeira vez na Casa Jalco, em 1952, em Lisboa, conjuntamente com Marcelino Vespeira e Fernando Azevedo.
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Lemos, Marcelino, Vespeira, 3 Exposições, Casa jalco, Lisboa, 1952. Catálogo
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Numa entrevista a Luís Almeida D’Eça, publicada na Agenda Lisboa, em 28.05.2019, a propósito da inauguração da exposição da sua obra de design, organizada pelo MUDE e que se apresenta na Cordoaria Nacional, de 7 de junho a 6 de outubro, recorda a propósito da “exposição Azevedo-Lemos-Vespeira que em 1952 provocou grande polémica e escândalo, arrastando multidões ao Chiado,” a Lisboa dessa época:
A nossa Lisboa tinha várias caras mas, de certa maneira, nós considerávamos que a única autêntica era a dos Armazéns do Chiado. Era uma Lisboa provinciana, e assim permaneceu durante muito tempo. A nossa exposição rompeu, de certa maneira, esse provincianismo lisboeta, meio snob ao mesmo tempo, tendo como imagem o padrão meio classe-média pobre dos Armazéns do Chiado, onde nos inspirámos nos próprios manequins e dos quais fizemos emblemas. Mas, essa Lisboa era para nós um lugar difícil porque a censura era maior do que tudo isso. A arte era a do SNI (Secretariado Nacional de Informação) onde não tínhamos participação. Foi por isso que eu considerei a Lisboa desse tempo como a cidade onde os portugueses vão embora. Uma cidade só com automóveis e escritórios. Uma cidade que o 25 de Abril veio mudar. Vai ser muito bom voltar outra vez a Lisboa tantos anos depois e senti-la muito diferente de outrora.”
Sobre as fotografias, apresentadas na exposição na Casa Jalco, diz:
No grupo surrealista ninguém estava muito interessado em usar a fotografia. Eu procurava captar, através de um meio oculto como é a fotografia, o rosto dos portugueses porque achava que não havia nada que nos desse a cara da nossa gente. As primeiras fotografias focaram-se no rosto dos meus amigos do grupo.”
Diria ainda, questionado, “A esta distância, lhe parece ter sido o legado mais importante do movimento surrealista?”, que
O surrealismo trouxe no pós-guerra um momento de alegria e teve a vantagem de ser o único território onde os sonhos falavam a verdade. Veio para promover a desocultação da realidade. A realidade para nós não existe, existe aquilo que, de novo, todos os dias colocamos nela. Foi uma corrente nova que trouxe essa desocultação da ocultação que é a vida e que nalguns lugares é uma forma política de organização para tomar o poder. O surrealismo parece mentira e é, como toda a arte é uma mentira.”
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Sobre si, diz Fernando Lemos:
Nasci na Rua do Sol ao Rato, em Lisboa, em [3 de maio de] 1926. Fui para o Brasil em 1952. Fui estudante, serralheiro, marceneiro, estofador, impressor de litografia, desenhador, publicitário, professor, pintor, fotógrafo, tocador de gaita, emigrante, exilado, diretor de museu, assessor de ministros, pesquisador, jornalista, poeta, júri de concursos, conselheiro de pinacotecas, comissário de eventos internacionais, designer de feiras industriais, cenógrafo, pai de filhos, bolseiro, e tenho duas pátrias, uma que me fez e outra que ajudo a fazer. Como se vê, sou mais um português à procura de coisa melhor.
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Fernando Lemos, Fernando Lemos. Ph04, 2019
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Este livro foi lançado na biblioteca da Imprensa Nacional, em 5 de junho de 2019, com a presença de Fernando Lemos.
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António Bracons, Fernando Lemos, Lisboa, Imprensa Nacional, 05.06.2019
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Este livro integra a homenagem que inclui três exposições em Lisboa: “Mais a mais ou menos”, que engloba fotografia e desenho, com curadoria de Rosely Nakagawa e que se apresenta na Galeria 111, no Campo Grande, 113, de 8 de junho a 14 de setembro de 2019, “Fernando Lemos Azulejaria”, na Galeria Ratton, na Rua da Academia das Ciências, 2C, de 5 de junho a 6 de setembro e “Fernando Lemos Designer”, no Torreão Poente da Cordoaria Nacional, na Av. da Índia, de 7 de junho a 6 de outubro de 2019.
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Fernando Lemos faleceu em S. Paulo, em 17 de dezembro de 2019.
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Pode ver a exposição na Casa Jalco, em 1952, no Fascínio da Fotografia, aqui.
Pode conhecer mais sobre Fernando Lemos no Fascínio da Fotografia, aqui.
Pode ver o programa da RTP, “Fernando Lemos, como não é retrato?”, emitido em 09.05.2018, aqui.
Pode ler a entrevista a Fernando Lemos na Agenda Lisboa de Junho, aqui.
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Atualizado em 28.01.2020.
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