JOÃO SANTANA LOPES, O AVESSO E O DIREITO

Em exposição no Centro de Artes e Espectáculos, na Figueira da Foz, de 2 de agosto a 29 de setembro de 2019.

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João Santana Lopes, O avesso e o direito

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O avesso e o direito

Mostramo-nos pelo direito, mas funcionamos pelo avesso. O avesso é o verso, o reverso, o inverso, o adverso, a outra metade das coisas, o não visível que faz o direito funcionar, o que não se vendo existe, ainda que tantas vezes não o reconheçamos. É onde ficamos quando nos viramos do avesso. Mas também onde existimos enquanto sonhamos, o lugar em que as sombras que persistem do que é vivido se encontram com aquelas que de outros tempos aguardavam e entre elas tecem das coisas as ligações de onde as palavras nascem.

O presente é, do passado, um avesso transmutado e transportado para o futuro; a lagarta o avesso de que a borboleta tentou descartar-se; os bastidores o avesso do espectáculo; a cozinha o avesso do banquete; a placenta o avesso do bebé; o negativo o avesso da fotografia.

Esta é uma reflexão fotográfica sobre diversas facetas da relação com os avessos de nós — o encontro desencontrado com o que não se deixa ver directamente, com o interior que oculta e revela, com os reflexos em que simultaneamente nos revemos e nos escondemos, com o outro em nós, o inquietante duplo, ao mesmo tempo estranho e familiar.

João Santana Lopes

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O trabalho fotográfico que estas imagens integram — “O Avesso e o Direito” — esteve exposto no Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa, em Outubro e Novembro de 2018 e está em exposição no Centro de Artes e Espectáculos, na Figueira da Foz, de 2 de Agosto a 29 de Setembro de 2019.

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cartaz Teresa Carracho II

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João Santana Lopes Nascido em Setúbal em 1965, psicólogo de profissão, foi enquanto estudante, na Secção de Fotografia da Associação Académica de Coimbra, que imergiu na magia da câmara escura. Desde então, a fotografia, enquanto linguagem metafórica de leitura e representação, tem vindo a ocupar um papel central na sua relação com o interior do que lhe é exterior, usando-a para procurar na realidade que os seus olhos veem a forma como se permite sonhá-la. Em 2014 iniciou um projecto em forma de blog, centrado no diálogo entre a palavra e a imagem fotográfica, a que chamou “O chinfrim do silêncio” (pode ver aqui).

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Cortesia do Autor.

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