AURÉLIO DA PAZ DOS REIS, ENTERRO DO GRAU, COIMBRA, 1.6.1905
114.º aniversário do Enterro do Grau, percursor da Queima das Fitas de Coimbra
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Aurélio da Paz dos Reis, Enterro do Grau, 1.6.1905
Cortejo no Largo da Feira (Monumento à Borla, uma das insígnias dos doutorados, perante a qual os bacharéis faziam a petição do grau) – Cortejo no Largo da Sé Velha – Cortejo na Rua Larga – Cortejo junto à Igreja de S. Pedro – Cortejo no largo com destaque para o Manuel das Barbas – Carro “Assassinos de Dª Inês de Castro” no Largo da Sé Velha – Cortejo no Largo da Sé Velha com o carro do 4º ano dos enfermeiros do Hospital – Cortejo no Largo da Sé Velha com o carro fúnebre – Cortejo no Largo da Sé Velha com o carro fúnebre – Cortejo no topo da Padre António Vieira – Carro “Congresso Cientifico” no Largo da Porta Férrea – Junto à República da Rua de São João – Carros das Finanças e do 4º ano dos enfermeiros do hospital da Rua da Couraça à Rua dos Coutinhos – Cortejo no início da Rua da Couraça – Cerimónia do enterro do Grau junto à Igreja de São Pedro (grande grupo afastado)
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O Enterro do Grau foi uma festa académica que teve lugar em Coimbra em 31 de maio e 1 de junho de 1905, poucos anos depois do “Centenário da Sebenta” (1899, pode ver no Fascínio da Fotografia, aqui) e que foi das percursoras da atual Queima das Fitas.
Um exemplo da irreverência e do humor que carateriza a academia coimbrã. Um período de festa a que adere a população da cidade, que ocorre a assistir e participar: nas ruas, das janelas…
Alberto Sousa Lamy, em A Academia de Coimbra 1537-1990, Lisboa: Rei dos Livros, 1990, págs. 168 – 170, narra o que foi o Enterro do Grau e a sua origem. Destaco uma parte:
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A Reforma de 1901 dos cursos universitários (decreto n.º 4, de 24 de dezembro), do dr. Abel de Andrade, acabando com a distinção entre bacharel e bacharel formado (a aprovação no exame do último ano dava direito ao título bacharel formado), e passando o grau de bacharel a ser dado no último ano, foi motivo para a realização, em 1905, do Enterro do Grau.
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Em Abril foi afixado o cartaz anunciador das festas, que se vieram a efetuar a 31 de Maio e 1 de Junho.
No sarau realizado, a 31 de Maio, no Teatro-Circo, foi representada a farsa em verso Auto do Grau, do estudante do 4.º ano de Direito António Gomes da Silva. Justino Cruz fez o papel de Grau, Luís Carlos, o da Sebenta, sua esposa; António Gomes da Silva o de espectro de D. João I, António Mexia, o do Manuel das Barbas; e Augusto Moreira o de Abel, enviado de el-rei.
A 1 de Junho, teve lugar o cortejo fúnebre, com mais de uma dúzia de carros alegóricos, destacando-se entre eles, o ataúde do Grau; e foi posto à venda o folheto intitulado História genealógica do Grau por um grupo de sábios do Instituto de Coimbra.
Com letra de Gomes da Silva e música de Henrique Corte Real, quartanista de Medicina, foi divulgado, então, o Hino do Enterro do «Grau»:
Coro
Requiescat in pace,
Nas sempiternas alturas,
Valho Cabo Tormentoso
Das antigas formaturas
Voz
Caia o pranto derradeiro
Na sepultura do Grau
Morreu mais triste e mais seco
Do que um seco bacalhau
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O primeiro livro dos quartanistas, com 136 caricaturas de todas as faculdades, foi publicado nas festas do Enterro do Grau, a 31 de Maio. (…)
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Tal como na festa do Centenário da Sebenta, o fotógrafo portuense Aurélio da Paz dos Reis, registou o cortejo do Enterro do Grau. Usou negativos estereoscópicos, em vidro, a preto e branco, de 18 x 8 cm, emulsão de gelatina e sal de prata. O cpf – Centro Português de Fotografia tem na sua coleção 33 imagens (PT/CPF/APR/001-001/000056 a PT/CPF/APR/001-001/000088), das quais apresento algumas; pode ver todas aqui (clica “001 [Fotografias em vidro e película]” e clica em cada uma das imagens para ver).
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