LUÍS PAVÃO, ODE AO 31 DE JANEIRO

Exposição no MUHNAC – Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa, de 5 de abril a 5 de maio de 2019.

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Luís Pavão, ODE ao 31 de Janeiro

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Não, não sou mergulhador, nunca o fui. Nem tão pouco pescador. O meu interesse pelos peixes tem muitos anos, resulta das visitas aos mercados. Sempre os achei criaturas misteriosas, bonitos e monstruosos, robustos e delicados. Sempre os apreciei. Não gosto de os ver assim, lançados sobre lascas de gelo, esventrados, rabos e barbatanas cortadas, sangue a escorrer, sem contemplação. Tudo em nome do estômago dos humanos. Há alguns anos decidi fotografa-los. Percorri então os mercados de Lisboa, procurando os mais interessantes, os maiores e os mais bonitos: Alvalade, Campo de Ourique, Ribeira, peixarias de bairro e de grandes superfícies, mas sobretudo o mercado 31 de Janeiro, onde a variedade e dimensão são tentadoras. Escolhido um peixe, regresso ao estúdio de imediato, preparo uma tábua de madeira para suporte, com a forma e a dimensão de peixe e regulo cortinas e reflectores, para ajustar a luz que entra pela janela. Fotografo em negativo a preto e branco de grande formato e imprimo também em gelatina e prata…. fotografia pura. Colocado sobre o suporte e iluminado, o peixe mostra-me, por um instante, toda a sua magnificência: pregado, garoupa, rodovalho, dourada, sargo, raia, peixe-galo, peixe-porco, linguado, é um prazer contempla-los assim, magníficos habitantes dos oceanos do planeta terra, tão abusados e tão pouco compreendidos. Com esta ode pretendo cantá-los, em toda a sua beleza, dignidade e individualidade.

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ODE

Poesia própria para canto.

Composição poética, laudativa ou amorosa, dividida em estrofes simétricas.

“ode”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha]

Luís Pavão

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“ODE ao 31 de Janeiro”, de Luís Pavão, está em exposição no MUHNAC – Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa, de 5 de abril a 5 de maio de 2019.

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António Bracons, Aspetos da Exposição, Luís Pavão, 2019

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Luís Pavão nasceu em Lisboa, exerce a sua atividade na área de fotografia, processos históricos de fotografia e conservação de coleções de fotografia. Licenciado em Engenharia Eletrotécnica (IST, Lisboa, 1981), tem grau de mestre, Master of Fine Art on Photography, Museum Studies (Rochester Institute of Technology, 1989).

Fundador e responsável pela empresa LUPA, Luis Pavão Limitada, especializada em conservação e digitalização de coleções de fotografia. Desde 1991, conservador das coleções de fotografia do Arquivo Municipal de Lisboa.

Principais Publicações: Conservação de Colecções de Fotografia, Dinalivro, Lisboa, (1997), Tabernas de Lisboa, Assírio e Alvim, Lisboa, (1981), Fotografias de Lisboa à Noite, Assírio e Alvim, Lisboa, (1983), Lisboa, em vésperas do Terceiro Milénio, Assírio & Alvim, Lisboa, 2002, Fado Português, EAR BOOKS, Edel Classics, GmbH, 2005.

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Pode conhecer mais sobre o trabalho de Luís Pavão aqui e no FF aqui.

Contacto do autor: <lupa@lupa.com.pt>

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Cortesia do Autor.

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