BRUNO SAAVEDRA, NA TERRA DE JACÓ, 2019
Livro e exposição, na Galeria da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, na R. da Madalena, 147, ao Largo do Caldas em Lisboa, de 4 a 28 de abril de 2019.
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Bruno Saavedra
Na terra de Jacó
Fotografia de Bruno Saavedra / Texto de Nuno Verdial Soares, Sónia Figueiredo (curadora) / Design gráfico: Margarida Mateus (Misturado) / Tratamento de imagem: Helena Gonçalves (Black Box Atelier)
Autor / abril . 2019
Português / 17,5 x 24,6 cm / 64 pág., não numeradas
Brochura / 100 ex. numerados e assinados (verso da contracapa), abaixo de fotografia a cor, impressa em papel fotográfico, em bolsa plástica
ISBN: 9789892093673
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Na terra de Jacó
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[Aos 22 dias de abril,] houvemos vista de terra! Primeiramente, dum grande monte, mui alto e redondo.
(…) Ao monte alto, o capitão pôs o nome – Monte Pascoal e à terra, Terra de Vera Cruz.
Carta do Achamento do Brasil, Pêro Vaz de Caminha
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A Jacó foi dada a graça do seu nascimento, mas o seu legado foi o da perseverança. A terra do leite do mel, o paraíso perdido, não se alcança sem trabalho árduo, sem exílio, sem viagens de longas distâncias em percursos iniciáticos.
A armada topou com o Jardim do Éden sem querer, diz-se. Em tempo de Páscoa, de renovação, de celebração da aliança com o criador. E o verde-azul paradisíaco era sonho, libertação, reencontro com as origens, reconhecimento da identidade.
Jacó fora escolhido. Ele sabia-o, mas estava consciente do poder da Providência e da lei de Deus. E assim gerou filhos – José e Judá e Benjamim e Levi e… e… E Wilson. E então, em tempo de esperança e de demanda, toda a Terra viu de perto o sol e os tons de amarelo a aclarar o azul e o verde luxuriantes do jardim da madeira incandescente.
Quando Deus viu que a sua obra era boa, descansou. Quem descansaria se assim não fosse? E que fez o homem? E Jacó, e Wilson, filho do homem? Aprendeu a olhar para Deus e viver com Ele? Fez d’Ele seu irmão? Nesta tarefa imensa de observar e aprender, o miúdo fez-se gente de procura. Tornou-se homem a testar perseverança, na busca de sonhos e de verdades, nos sentidos e nos significados que cada imagem (ou fragmento) pareceu querer exprimir.
E foi-lhe dada uma graça: a da visão. Para a ir ganhando, sete anos foi vivendo pelo mundo e mais sete foi servindo a sua arte. Como Jacó. Arduamente. E de Wilson a Wilson, de Silva a Silva, de Silva a Bruno, de Wilson a Saavedra ou, por recomposição, de Silva a Saavedra, de Wilson a Homem. E a terra de Canaã? E a terra de Jacó? Onde ficou essa origem, essa raiz de identidade?
O mundo inicial, de que ficaram sinais, cheiros e cores, memórias de rostos e de expressões, visitado e revisitado na memória, chamou-o. E ele foi Bruno para contar Wilson. Ao encontro do que nunca deixou, de olhos cheios de um amor que não se explica. – Eu fui ver Wilson e o Bruno viu-se nele…
A terra abriu-se como uma flor da manhã, numa luz intensa intrínseca. Captar um raio de luz, como? Nas caras, na terra, nas casas daquela (minha) gente, dir-se-ia. E a história refez-se e, em si mesma, fez história.
Silva, Wilson, o Neto, por Saavedra, Bruno, o mesmo outro. Com amor,
Da terra,
Pela terra,
Na terra de Jacó.
Nuno Verdial Soares
16 de março de 2019
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Nesta série desenvolvida ao longo de dois anos, “Na terra de Jacó”, nome do seu pai, Bruno Saavedra viaja até Piragi, uma aldeia próximo de Itamaraju, na Bahia, nordeste do Brasil, onde nasceu em 1987, onde tem as suas raízes.
Chegou a Portugal em 2004. Viajou com a irmã, Jaqueline, a avó, Maria, a tia, Mônica e a sua família. Na bagagem, trazia muitos sonhos, muitas ilusões e a vontade de reencontrar a mãe, que não via há quatro anos. O objetivo era estudar, mas a necessidade forçou um desvio de caminho e Bruno viu-se obrigado a ir trabalhar.”
Hoje é fotógrafo.
Esta série é
Um trabalho em que o artista se torna personagem, que mostra o vazio deixado pela partida, revelando uma identidade e preenchendo a vida com o retorno. Um trabalho intimista”
, em que Bruno mostra as suas origens, a terra, a família e os amigos, o espaço que foi de brincadeiras e de trabalhos. Como dia a curadora, Sónia Figueiredo:
“Terra de Jacó” mostra o vazio deixado pela partida, revela uma identidade e preenche a vida com o retorno. Este trabalho traz o mais íntimo do Bruno Saavedra, traz a sua origem e parte da sua vida!”
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Bruno Saavedra, Na terra de Jacó, 2019
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Além da série fotográfica e do texto de Nuno Verdial Soares, o livro inclui um texto de Sónia Figueiredo, curadora: “O reencontro com o que sempre esteve presente”, e os “Agradecimentos Especiais” do autor, a todos os que ajudaram à concretização do projeto, à sua família – individualmente a vários familiares – e a um conjunto de pessoas que financeiramente contribuíram para a concretização da obra (através de uma campanha que realizou, com o sorteio de uma fotografia original).
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Esta série está em exposição na Galeria da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, na R. da Madalena, 147, ao Largo do Caldas em Lisboa, de 4 a 28 de abril de 2019.
Há todo um conjunto de detalhes no livro e na exposição que definem um autor e dizem muito sobre a importância que o trabalho, a fotografia, o projeto diz para si. Também aqui, neste projeto. No cuidado da impressão (não consegui nesta publicação reproduzir as cores exatas do livro), das cores, da paginação, da pequena fotografia do jovem Wilson, sem dúvida tão importante e significativa para ele.
Na exposição, além das fotografias, uma caixa de luz, como um visor, a fotografia de Wilson Neto, quando jovem. Temos de nos aproximar e encostar para ver a imagem. É uma intimidade que Bruno nos pede. Quer mostrar aquela imagem individualmente a cada um. Como que pessoalmente. É ela a última fotografia do livro, como reprodução original.
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2019
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Como folha de sala, marcou um envelope com um carimbo que fez para a exposição, onde inclui: um duplo postal com duas fotografias da série e o texto de Nuno Verdial Soares no verso, e um postal com fotografia (de Leonor Fonseca) e apresentação dos “John Douglas e os Jungle Boys”, grupo brasileiro que tocou na inauguração da exposição (e lança um EP a 13 de abril no Anjos70, em Lisboa), bem como uma fita de “Lembrança do Senhor do Bonfim da Bahia”.
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“Folha de sala”
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Bruno Saavedra nasceu em 1987 em Itamaraju no Brasil (Bahia).
Reside em Portugal desde 2004.
Inicia o estudo da fotografia, em Macau, cidade onde residiu entre 2011/2014, com António Duarte Mil- Homens. De regresso a Lisboa, continua os seus estudos fotográficos na Restart- Instituto de Criatividade, Artes e Novas Tecnologias (2015/2016), workshop Food Photography com o fotógrafo Jorge Simão (2016) e o 5º Workshop Narrativas Fotográficas do Intendente com a fotógrafa Pauliana Valente Pimentel (2016/2017), que resultou na exposição MADE IN CHINA.
Frequenta atualmente o curso avançado de fotografia da Ar.Co.
Desde 2015 tem vindo apresentar a exposição FLAVORS em diversas galerias e espaços culturais em Portugal. Em novembro de 2017 apresentou o projecto POSSIBILITY, no espaço Deleme Artes, em Lisboa, tendo seguido para o Centro Comercial Dolce Vita Tejo, inserido no projeto Tejo Art Gallery. Em março de 2018 apresentou “ANA”, com curadoria do fotógrafo Valter Vinagre, na Capela do Centro Cultural de Cascais, num projeto inserido no ciclo “oitoxoito”, para a afirmação e visibilidade de jovens artistas emergentes, promovido pela Fundação D. Luís I e a Câmara Municipal de Cascais, no âmbito da Capital Europeia da Juventude 2018. Ainda em 2018, a convite do festival LUSOMIA, expõe FLAVORS na Wentworth Galleries em Sydney, Austrália. Em fevereiro de 2019 apresentou “ESPERANÇA” no espaço Misturado em Lisboa. Trabalha como fotógrafo free-lancer.
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Pode ver uma reportagem sobre a exposição no programa “Rumos”, aqui.
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Pode conhecer melhor o trabalho de Bruno Saavedra aqui e no Fascínio da Fotografia aqui.
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Atualizado em 19.04.26 (programa “Rumos”).
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