FRANÇOIS ROUSSEAU, AMOR CAUSA, 2005

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François Rousseau

Amor Causa [Les Béatitudes]

Fotografia e texto: François Rousseau

Paris: Fitway Publishing / 2005 / Edição para a Renova©

Inglês, Francês / Citações: hebreu, grego, latim, espanhol, português, francês, italiano, inglês / 25,9 x 36,6 cm / 140 págs

Cartonado

ISBN: 9782752802521

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François_Rousseau-Amor_Causa-Renova (3)

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Paris: Fitway Publishing / Fevereiro 2006 / Edição commercial

ISBN: 9782752802484

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As Bem-Aventuranças … mostrar actos de amor realizados por belas pessoas.”

François Rousseau

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Trago hoje este livro: Amor Causa. Fotografar as Bem-Aventuranças (em francês, Béatitudes)! O resultado é uma obra notável!

O fotógrafo é francês, as fotografias foram realizadas no Rio de Janeiro, Brasil. Mas este projeto surge de uma encomenda portuguesa: de Paulo Pereira da Silva, presidente da Renova©, a “fábrica de papel do Almonda”, de Torres Novas: os valores como promoção para a marca.

Entendo pois esta ser uma razão para integrar esta obra na fotografia portuguesa. 

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Em francês e inglês o fotógrafo apresenta a génese do projeto (tradução livre minha):

Foi em dezembro de 2004 que o Sr. Pereira da Silva, presidente da Renova©, me pediu para refletir sobre um projeto fotográfico que se inspirasse nas oito Bem-Aventuranças que Cristo ensinou aos seus doze apóstolos.

Esta encomenda surpreendeu-me. Eu tinha trabalhado dois anos antes para a marca Renova© : este fabricante de papel higiénico tinha-se destacado ao mostrar as minhas fotografias ligeiramente provocantes nalguns países da Europa. Uma vez ultrapassada a surpresa e aceite a ideia que uma marca possa utilizar um projeto artístico de inspiração religiosa – e para mais como campanha institucional – aceitei o desafio.

As Bem-Aventuranças na arte cristã foram representadas ao longo de dois mil anos pelo que é representável: o Sermão na montanha onde Jesus está rodeado pelos doze apóstolos. Mas a sequência que constitui as oito Bem-Aventuranças, nunca foi, que eu conheça, sujeito de obras marcantes da pintura de inspiração religiosa… temas muito abstratos, sem dúvida, e sujeitos a tantas interpretações subjetivas…

Assim, repito, este projeto foi-me encomendado. E insisto, porque é o caso, no espírito do Sr. Pereira da Silva, de colocar-se não como um industrial desejoso de fazer conhecer os seus produtos, mas como um mecenas desejando associar os seus valores humanistas à sua marca, que ele representa. Aceitei o trabalho com uma condição:  que o possa realizar como fiz para o meu trabalho anterior – quando fui laureado do programa “Villa Médicis hors les murs” em 2002, em Nova Iorque: eu queria estagiar numa cidade estrangeira, ficar um mês, e propus a populosa Rio de Janeiro. Foi a primeira cidade que me veio à cabeça.

Eu nunca tinha estado no Rio. Conceber um projeto desta envergadura, numa cidade totalmente desconhecida, revela certamente inconsciência. Mas eu tinha confiança nos conselhos dos meus amigos que conheciam esta cidade que, seguindo de perto o meu trabalho e percebendo as diferentes origens dos meus modelos, não compreendiam como é que demorei tanto a descobrir o Brasil, «a minha futura terra de inspiração» segundo eles!

A natureza do projeto, a mensagem universal das Bem-Aventuranças, falando de perdão, de pureza, de pacifismo, de pobreza, de doçura… impôs a encenação de uma humanidade contemporânea, com a diferença… Evidentemente, eu não parti para um país onde o racismo não existe. E, graças à reputação violenta da cidade, estava mesmo aterrorizado de ir para lá trabalhar: diziam-me para sair para a rua sem nada, para não despertar a ganância. Todavia, tinha a intuição que todas as misturas que fazem a identidade brasileira iam-me fazer descobrir uma sociedade jovem na qual o conceito de raça havia sido redefinido.

Interrogando um homem e/ou uma mulher negra das favelas; eles falam das suas dificuldades, da sua pobreza e do seu sofrimento face ao racismo. Portanto, a própria fundação da sociedade brasileira e as suas misturas multiétnicas dão o sentimento de um povo que vive com a maior naturalidade a diversidade das cores da pele. (…)

Regresso uma vez mais a esta encomenda: é um homem de um grande fervor e de uma fé religiosa muito profunda que me pede para ilustrar as Bem-Aventuranças. Paulo Pereira da Silva confessou-me estar sensibilizado com as minhas encenações evocando a descida da cruz ou a crucificação: ter como fonte de inspiração durante alguns anos a história de Melville , Billy Budd, marinheiro – narrativa cristã – não é um acaso.

Sem negar esta herança, bem ao contrário, não me reivindico, no entanto, católico e, ainda menos, artista cristão. É, de qualquer modo, quando preparava um projeto de natureza completamente diferente em Los Angeles que as Bem-Aventuranças me foram propostas. Foi-me pedido para representar os valores humanistas, de me colocar a questão do sagrado. Estava intrigado com o modo de encenar, hoje, um «imitador de Jesus» entre os homens, as mulheres, as crianças, os idosos.

Trata-se de mostrar actos de amor realizados por belas pessoas.”

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Entre 21 de março e 18 de abril de 2005, Rousseau realiza este projeto artístico no Rio de Janeiro. É nas favelas do Rio que encontra a pessoa que irá representar Cristo e os doze que figurarão os apóstolos, bem como todas as outras pessoas que preenchem as fotografias. Todos identifica na obra.

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As fotografias abrem-se em fólio ou ao longo de quatro páginas, desdobrando-se cada uma das folhas: uma amplidão, um horizonte. Cada Bem–Aventurança é como um capítulo, registada em oito línguas num fólio, seguindo-se as fotografias, a “imagem” de Cristo e à Sua ação.

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As Bem-Aventuranças, ou Sermão da Montanha, como também é conhecido, está no Evangelho de S. Mateus (5, 3-11) e no Evangelho de S. Lucas (6, 20-23):

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.

Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.

Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.

Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.

Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.

Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.

Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.”

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François Rousseau, Amor Causa [Les Béatitudes], 2005

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Como registado acima, este livro conhece pelo menos duas edições: além da edição para a Renova© (a consultada), foi realizada uma outra tiragem para distribuição comercial.

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Boa Páscoa!

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