ANTÓNIO BRACONS, CATEDRAL DE NOTRE-DAME, PARIS, 1993, 2001
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António Bracons, Catedral de Notre-Dame, Paris, 1993, 2001
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A Catedral de Notre-Dame de Paris é um dos símbolos da França, uma referência da Europa e do cristianismo europeu.
Situada na pequena Île de la Cité, em Paris, a sua construção foi iniciada em 1163 (como referência diga-se que tinha então o Reino de Portugal 20 anos e era rei D. Afonso Henriques!). Em 1182 no coro já têm lugar celebrações religiosas e a nave estará concluída em 1240, a sua estrutura em madeira de carvalho (“la charpente”) é das mais antigas da Europa. Segue-se a fachada ocidental com as duas torres, os braços do transcepto… As obras prolongam-se até 1345.
A sua imponência e dimensão destaca-se do exterior, sendo visível de grande parte da cidade: o pináculo, ergue-se até aos 93 m (construído em 1860, na grande recuperação sob orientação de Viollet-le-Duc), as duas torres de 69 m de altura, que coroam a fachada ocidental, a principal, onde se situa a rosácea de 13 m de diâmetro e à sua frente a estátua da Virgem com o Menino.
A catedral tem 127 metros de comprimento, 48 metros de largura e 35 metros de altura. Domina o esplendoroso estilo gótico, permitindo uma estrutura com grande leveza: as paredes grossas das igrejas românicas são substituídas por colunas altas, ligadas por arcos, capazes de sustentar o peso das estruturas e cobertura, os espaços entre colunas permitem vãos amplos, surgindo os vitrais: com cenas bíblicas ou motivos abstratos, são uma ampla entrada de luz, criando um espaço alto e amplo, espiritual.
O interior convida à interiorização, à oração, à devoção.
Entre tantos momentos significativos da História de França – e da Europa – foi aqui que, em 2 de dezembro de 1804, Napoleão Bonaparte foi coroado imperador, que em 1909 foi beatificada Joana d’Arc e é na catedral que Victor Hugo situa o seu romance “Notre-Dame de Paris”, “O Corcunda de Notre-Dame”, que escreve em 1831.
Visitei em 1993 e em 2001 a Catedral de Notre-Dame. Em 93 haviam começado há pouco obras de conservação que se prolongaram por mais de 10 anos, em 2001 foi possível ver resultados no exterior e também no interior. A sua magnificência e imponência destaca-se ao longe, impressiona na proximidade, é espiritual no interior.
Em 15 de abril de 2019, ao fim da tarde, um violento incêndio iniciou-se na cobertura, que estava a ser objeto de obras, estendeu-se a toda a cobertura, destruindo-a e ao pináculo e causando danos significativos no interior.
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