CLÁUDIO GARRUDO, TRINUS
Exposição na Galeria das Salgadeiras, na Rua da Atalaia 12 a 16, em Lisboa, de 24 de novembro de 2018 a 19 de Janeiro de 2019.
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Cláudio Garrudo, Trinus, 2018
(Fotografia: Inkjet print s/ doubleweight 200g. Edição: 3 + 1 PA. 60 x 90 cm)
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Trinus.
Mar e céu. Mar próximo e distante, sempre mar.
E o céu.
O azul. Sempre o azul.
Mais claro ou mais profundo.
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No deserto e em pleno mar, os relógios não andam ao mesmo ritmo dos olhos. No deserto – que é mar em forma de terra – e no mar – que é deserto em estado líquido – o tempo é outro. É um tempo em que o olhar humano se aperfeiçoa, se torna de águia, capaz de ver as mais mínimas diferenças e nessas variações carimbar um nome. Para não ficares louco, para não sentires que o tempo teve um acidente e os destroços estão a cair por cima de ti, necessitas de descobrir diferenças no espaço percorrido…”
“Sobre a esfera impossível e o azul”, Gonçalo M. Tavares, in TRINUS
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Escreve Ana Matos na folha de sala:
Há um lado de expedição, quais navegadores a quem Pompeu terá dito “Navegar é preciso, viver não é preciso”, neste conjunto de obras que Cláudio Garrudo apresenta na Galeria das Salgadeiras e que resultou de uma residência artística em alto mar, a bordo de um cargueiro, com destino a uma terra cujo nome não é o mais relevante. Mantenha-se o mistério da chegada, já que como diz Miguel Torga no poema “Viagem”, que acompanha esta exposição, “O que importa é partir, não é chegar”. Do topo dos contentores ou da torre do navio, Cláudio Garrudo registou, em diversos momentos do dia, o que tinha à sua volta, mar, só mar. Talvez não…
Com o decorrer das horas, as variações da luz, o sol que nasce e se põe, o tempo que passa na contemplação do espaço trouxeram-lhe uma outra leitura do horizonte. E se lá ao longe estivesse terra, a terra nova, a terra desconhecida prestes a deixar de o ser, um porto que se espera seguro e firme? A vertigem da ilusão, da miragem que tantas vezes confunde ou esperanceia os aventureiros assoma-lhe o espírito e leva-o a captar em duplas exposições essa realidade, não literal, antes subjectiva, nessa sucessão ininterrupta e eterna de instantes. Imagens de mar e de um mar que deixa de o ser, passando a ser céu, terra, istmos, cabos, promontórios, a tormenta das águas ou a paz encontrada, que nos falam da viagem física ou simbólica, e do tempo real ou imaginário. Subimos as escadas ou descemos? outra das interrogações que esta exposição nos coloca na única imagem em que o referencial se encontra bem definido e que nos remete para o espaço através do qual a travessia se faz. “Aparelhei o barco da ilusão” e talvez já não seja o general romano a comandar as hostes. Afinal, para Cláudio Garrudo “Navegar é preciso” e navegar é viver.”
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Viagem
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Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar…
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(Só nos é concedida esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos.)
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Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura…
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura
O que importa é o partir, não é chegar.
Miguel Torga, Antologia Poética, Edições D. Quixote, 8.ª ed., 2017, p. 236.
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2018
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Cláudio Garrudo nasceu em Lisboa, em 1976. Fotógrafo, editor e produtor cultural.
É licenciado em Publicidade pela Escola Superior de Comunicação Social – Lisboa, Portugal (1999), efetuou Erasmus na Universitad Autónoma de Barcelona, España (1997/1998) e na Leonardo Da Vinci: Czech Republic (2000). Atualmente está a efetuar o doutoramento na Universidad Complutense de Madrid, Espanha.
É co-fundador do Mapa das Artes (Lisbon Contemporary Art Map) e Bairro das Artes – a rentrée cultural da sétima colina” (Lisbon’s quarter of contemporary art), diretor de “Isto não é um cachimbo. Associação”.
Está representado pela Galeria das Salgadeiras (Portugal) e é artista convidado da H’art Gallery (Romenia).
Diretor da “Série Ph.” (livros de fotografia edição da Imprensa Nacional) e consultor da Imprensa Nacional Casa da Moeda.
Foi artista convidado da Galería Lucía Mendoza (Espanha) e produtor no Flúor design studio ao longo de 5 anos. Foi embaixador da Pampero Fundación em Portugal em três anos e entre 1999 e 2009 foi produtor do Studio 004 e da Egoísta magazine.
Desde 2006 realizou múltiplas exposições individuais e coletivas. Expôs em Portugal, Espanha, República Checa, Eslováquia e Roménia e publicou, além do livro “Trinus” (2018), os seguintes livros: “Luz cega”, com texto de José Manuel dos Santos e “Poster” com texto de Bárbara Coutinho (2018), 2015 “Substantivo feminino” edição de artista (2015), “Quintetos” edição de artista (2014), “Díptico #01” (2010), “Mombeja, aldeia branca” (2007) e “Greetings from Goa” (2006).
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Pode conhecer melhor a obra de Cláudio Garrudo aqui.
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