W. EUGENE SMITH, PITTSBURGH, 1955-58

Centenário do nascimento de William Eugene Smith (Wichita , Kansas, 30 de dezembro de 1918 – Tucson, Arizona, 15 de outubro de 1978). 60 anos da publicação de “Pittsburgh”.

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Uma fotografia é uma pequena voz, na melhor das hipóteses, mas às vezes – apenas algumas vezes – uma fotografia ou uma série delas pode atrair os nossos sentidos para a percepção. Muito depende do espectador; nalguns, as fotografias podem criar emoção suficiente para ser um catalisador do pensamento.”

W. Eugene Smith

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W. Eugene Smith, Pittsburgh, 1955-58. Photography Annual, 1959.

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William Eugene Smith nasceu em Wichita, Kansas, nos Estados Unidos da América, em 30 de dezembro de 1918.

Eugene Smith foi um importante fotógrafo de reportagem. Para cada reportagem, passava vários meses ou mesmo anos no local, conhecendo, fotografando, procurando a maior fidelidade à realidade.

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Harold Feistein, W. Eugene Smith. In: Photography Annual 1957.

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Os seus principais ensaios fotográficos são considerados obras importantes na história do fotojornalismo. Dos muitos que realizou, destacam-se alguns.

Country Doctor, publicado pela revista Life em 20 de setembro de 1948: fotografou o Dr. Ernest Ceriani na cidade de Kremmling, Colorado, nos Estados Unidos, durante várias semanas, cobrindo o árduo trabalho do médico num ambiente pouco povoado.

A Spanish Village, publicada na Life em 9 de abril de 1951, regista a aldeia de Deleitosa, na Extremadura espanhola, que fotografou ao longo de um mês, em 1950, centrado na pobreza rural. Smith atraiu a suspeita da Guardia Civil local, o que o levou a sair rapidamente através da fronteira com a França.

Em 1954, Smith fez um extenso ensaio sobre o trabalho de Albert Schweitzer na sua clínica em Lambaréné, no Gabão, na África Ocidental. O trabalho foi publicado na Life de 15 de novembro de 1954, A Man of Mercy, mas Smith não gostou porque o editor Edward Thompson usou menos fotografias do que Smith queria, para além de não gostar do lay-out, o que o levou a demitir-se da revista.

Ingressou em 1955 na agência Magnum. Foi contratado por Stefan Lorant para produzir um perfil fotográfico da cidade de Pittsburgh. O projeto deveria levar um mês, para produzir 100 imagens.Smith passou mais de dois anos e produziu mais de 13.000 negativos (22.000, segundo algumas fontes) , dos quais cerca de 2.000 considerava válidos para o seu ensaio.

A expetativa no trabalho era ampliada pelas duas bolsas Guggenheim consecutivas que lhe foram atribuídas, a primeira coincidindo com a bolsa do amigo Robert Frank para o trabalho que se tornou “The Americans”.

Smith considerava que o valor das suas fotografias de Pittsburgh estavam no potencial expressivo do conjunto das imagens e da sua organização. Muitas revistas, incluindo a Life, estavam interessadas no projeto, mas Smith não abandonou o controlo editorial do layout, o que o levou a rejeitar várias ofertas bastante bem pagas (até US $20.000). A revista Popular Photography concordou em disponibilizar 38 páginas (de 242) e o pagamento de US $1.900 a Eugene Smith no seu Photography Annual de 1959, tendo o fotógrafo o controlo total do layout.

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O Photography Annual 1959 anuncia na capa, com destaque: “Exclusive / First publication: / W. Eugene Smith / Monumental / Pittsburgh Story”, embora a fotografia da capa seja de Bob Ritta: “Marcel Marceau”. O título do artigo antevia a grandeza do projeto: “Pittsburgh. W. Eugene Smith’s monumental poem to a city” e sublinhando a grandeza, “Exclusive – for the first time anywere a great photographer’s most ambitious work”.

A edição chegou ao público a 9 de setembro de 1958, três anos e meio após o início do projeto, Eugene ainda não tinha completado 40 anos. Smith insere 88 fotografias, nas 38 páginas (da 96 à 133) de 21,6 x 27,9 cm (a Life tinha 27,9 x 35,6 cm), no geral em pequeno formato (apenas 2 em fólio completo) e bastante texto.

Jacob Deschin, escreveu no New York Times, que o ensaio de Pittsburgh era um “triunfo pessoal” para Smith e um “documento intensamente personalizado e profundamente sentido”. “Sr. Smith usa o layout como um meio adicional de comunicar as suas impressões sobre as variadas facetas da cidade, as suas qualidades humanas e físicas… A abordagem é poética, evocando o caráter da cidade, a atmosfera da sua vida quotidiana, lembrando o passado e apontando alguns dos brilhantes sinais do futuro ”.

Este é um dos ensaios mais importantes de Smith e este é o número mais conhecido do Photography Annual da revista Popular Photography. Pittsburgh tornou-se um ensaio de referência na história do fotojornalismo, pela dimensão, profundidade e amplitude do tratamento do tema, pelo desenvolvimento ao longo do tempo. É um retrato único da cidade no auge de seu poder industrial: Smith passa pela cidade, retrata-a nas várias facetas, mas a indústria do aço merece um destaque especial.

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Falando dos projetos de Eugene Smith, é impossível não referir Minamata. O fotógrafo e a sua esposa, Aileen M. Smith, de origem japonesa, moravam em Minamata, uma vila de pescadores e cidade industrial de “uma empresa” no Município de Kumamoto, no Japão, de 1971 a 1973. Smith fez um ensaio extenso sobre a Doença de Minamata, os efeitos do envenenamento por mercúrio causado pela fábrica “Chisso”, que descarregava metais pesados no mar ao redor de Minamata. O ensaio veio alertar para o drama e para as questões da poluição marítima.

W. Eugene Smith faleceu em Tucson, Arizona, nos Estados Unidos da América, a 15 de outubro de 1978, quase a completar 60 anos.

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Pode conhecer mais sobre W. Eugene Smith no site da Magnum Photo aqui e sobre este projeto no ArtDaily aqui e no Beltmag, texto de Jeremy Lybarger, aqui.

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