“LISBOA ESTÁ DE NOVO EM FESTA, 136 ANOS DEPOIS…” – PARTE 1, POR JOSÉ SOUDO
180 anos do nascimento de Carlos Augusto de Mascarenhas Relvas de Campos, mais conhecido como Carlos Relvas (Golegã, 13 de novembro de 1838 – Golegã, 23 de janeiro de 1894)
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José Soudo, apaixonado pela vida e pela obra de Carlos Relvas, escreveu para o Fascínio da Fotografia um texto sobre este importante fotógrafo “amateur”, da Golegã, nascido faz agora 180 anos. Escrito com o coração, dá-nos a conhecer a sua obra – fotográfica e o seu estúdio – e o importante trabalho que conduziu à sua classificação e preservação. O texto é composto por duas partes, que publicamos hoje e na próxima publicação.
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Auto-Retrato de Carlos Relvas – c. 1870
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Sob o olhar de Carlos Relvas, nascido na Golegã, a 13 de novembro de 1838, e também de acontecimentos aos quais este fotógrafo esteve directamente ligado em 1881 e 1882, pode afirmar-se que Lisboa está de novo em Festa, passados que são 136 anos.
Há acasos e coincidências felizes, embora quando se fala de felicidade, a mesma pareça ter andado algo arredada da vida deste homem.
Sobre isso, escreverei um pouco mais adiante.
Os interessados pela História da Fotografia e da sua Cultura, estão garantidamente em festa, assim como gratos, com a inauguração da exposição, “Carlos Relvas (1838/1894) — Vistas Inéditas de Portugal. A Fotografia nos Salões de Lisboa, Paris e Viena (1868-1874)”, acontecimento este, ocorrido a 26 de Setembro, no MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado e cuja Direcção está a cargo da Doutora Emília Ferreira.
A curadoria conjunta, desta parte menos conhecida da obra de Carlos Relvas, coube a Victor Flores, da Universidade Lusófona, Emília Tavares, do MNAC, Ana David Mendes, Directora do MIMO – Museu da Imagem em Movimento, de Leiria e Denis Pellerin, membro da direcção da “London Stereoscopic Company”. Como nota à margem lembro que esta instituição foi fundada em 1854, no mesmo ano em que em França se fundaria a “Societé Française de Photographie” e da qual Carlos Relvas virá a ser membro, a partir do ano de 1869 e perante a qual se apresentará sempre, como fotógrafo “amateur”.
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Diploma de membro da SFP atribuído a Carlos Relvas em 1869
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Divulgação da exposição “Carlos Relvas (1838/1894) — Vistas Inéditas de Portugal. A Fotografia nos Salões de Lisboa, Paris e Viena (1868-1874)”
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Carlos Relvas, trabalhou enquanto fotógrafo, durante cerca de 3 décadas, de 1862(?) a 1894.
O período que esta exposição agora presente no Museu do Chiado pretende abarcar, está compreendido entre os anos de 1868 a 1874, no tempo em que Carlos Relvas trabalhou no primeiro estúdio que fez então construir na Golegã. Este estúdio situava-se a escassas dezenas de metros da sua mansão de grande Senhor, a Casa do Outeiro.
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Carlos Relvas em auto-retrato no seu 1º estúdio – c. 1864
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Casa do Outeiro – c. 1875
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Neste estúdio e nesta primeira fase da sua actividade enquanto fotógrafo “amateur”, desenvolveu e produziu muitas fotografias estereográficas, processo de captação de imagens muito em voga nessa época do séc. XIX.
Nesta exposição, que me atrevo a dizer de ida “obrigatória”, quem a puder visitar com tempo, irá deliciar-se com a visão à escala real e em imagem virtual 3D, deste seu primeiro estúdio.
Percorrendo as diversas salas, ir-se-á ler e ver tudo o que está proposto, com informação bastante, para permitir uma excelente contextualização das influências, dos conceitos e dos critérios de Carlos Relvas, nas suas abordagens fotográficas, durante este período do seu trabalho.
Há por lá vistas inéditas de Portugal e entende-se a fotografia nos salões da Europa de então, nomeadamente em Lisboa, Paris, Viena, Madrid e não só.
Este primeiro estúdio, foi entretanto mandado demolir por Carlos Relvas, que posteriormente e com o apoio do arquitecto Henrique Carlos Afonso, fez construir um novo estúdio, cuja obra se iniciou em 1871 e foi dado como concluída em 1876.
Este novo espaço, autêntica catedral de homenagem à fotografia, é considerado peça de arquitectura única no mundo.
Coincidência ou não, no ano de 1875, Carlos Relvas passou a integrar a ”Real Associação dos Arquitectos Civis e Arqueólogos Portugueses”.
Os custos deste novo estúdio foram enormes e quase inimagináveis, mas quanto a isso Carlos Relvas, além de só desejar ter o melhor, gastou como se sabe, fortunas a promover e a divulgar a Fotografia na sua época, assim como o seu atelier na Golegã.
Quem não terá visto em 2004, na série dos programas da RTP2, “A alma e a gente”, o professor José Hermano Saraiva, dissertar sobre a família de Carlos Relvas, introduzindo a peça, falando de seu pai, José Farinha Relvas e concluindo com o suicídio do seu neto, o filho de José Relvas.
“Os Relvas – quatro gerações” (pode ver aqui) foi o mote proposto. Neste episódio, Hermano Saraiva considerou Carlos Relvas um esbanjador desmesurado.
Quem não terá também, ouvido falar ou lido já, o livro do Professor Doutor António Pedro Vicente – Carlos Relvas – fotógrafo. Contribuição para a História da Fotografia em Portugal no século XIX. Edição: INCM – Colecção Arte e Artistas. 1984 – onde este refere, que a 21 de Junho de 1885, Alphone Davanne, então presidente da “Societé Française de Photographie“, na cidade de Chalon-sur-Saône, no discurso evocativo dos 52 anos da morte de Joseph Nicephore Népce (1765/1833), considerado o “inventor da fotografia”, durante a inauguração do respectivo monumento de homenagem, alude ao facto de Carlos Relvas, o “photographe amateur” – da Golegã – Portugal, ter contribuído com um “compte rendu“ de 1400 francos, por ele generosamente oferecidos para a sua execução. Valor este muitíssimo significativo, quando comparado com o contributo menor de outros nomes relevantes da Fotografia Europeia de então, tais como Hornig e Luckhardt, da Áustria, Vylder e Rommelaere, da Bélgica, Abney e Harrison da Inglaterra e Vogel da Alemanha.
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Este segundo estúdio, é agora um Museu na Golegã, conhecido por “Casa-Estúdio Carlos Relvas” e ao qual por razões de afecto, costumo chamar-lhe a “Casa de Vidro da Fotografia”.
Há quem o referencie como o “Templo da Fotografia do séc. XIX”.
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Carlos Relvas, Estúdio de Carlos Relvas, cerca de 1876
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Carlos Relvas, Interior do Estúdio de Carlos Relvas, cerca de 1880’s
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Irei levantar pequenas pontas dos véus, das muitas infelicidades que envolveram a vida de Carlos Relvas e que o acompanharão muito para além da sua morte.
Por razões pouco claras, mas que parecem ligadas ao drama que foi para a respectiva família, o seu segundo casamento com D. Mariana Correia, casamento este que aconteceu muito pouco tempo depois de enviuvar da primeira esposa, D. Margarida de Vasconcellos (1838/1887), filha dos Condes de Podentes e do qual nasceram 5 filhos.
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Carlos Relvas, D. Margarida Relvas e os seus quatro filhos, 1867-68
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Francisco (1856/1876), que se presume, num acidente por ele provocado, se tenha suicidado, quando cavalgava pela lezíria ribatejana.
Clementina (1857/1928), a filha que irá descompensar, ao ser posta fora de casa por seu pai e enviada para Lisboa, após um casamento fracassado e de pouca dura, com o Conde José Cunha de Eça e Azevedo, quando perante este teve a sinceridade de lhe manifestar a paixão platónica que tinha pelo capataz da Casa do Outeiro, figura essa que desapareceu então da Golegã e cujo corpo emparedado, só irá ser encontrado em pleno século XX.
José Relvas (1858/1929), futuro Primeiro-Ministro de Portugal, o qual veio, já depois da morte de seu pai, a contestar a Monarquia Portuguesa, tendo sido ele o escolhido pelo Directório do Partido Republicano – PRP, para proclamar a vitória da República no dia 5 de Outubro de 1910, na varanda da praça do Município, na sequência do assassinato do Rei D. Carlos e do Príncipe Filipe, filho e neto do seu grande amigo, o Rei D. Luís I, a 1 de Fevereiro de 1908.
Liberata (1864), que faleceu poucos meses depois de nascer.
Margarida (1867/1930) – “eléve de son pere” – a filha que Carlos Relvas quis trazer para o seu mundo da fotografia, mas com um sucesso bastante curto e muito efémero.
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Alves Redol, no livro “Barranco de Cegos”, editado em 1961, ficciona sobre a vida deste fidalgo e deixa transparecer a vida em ambiente de luxo e fausto em que este homem viveu momentos plenos, assim como outros, muito infelizes de facto, tanto em vida como na sua morte.
Como se constatará, mesmo após o seu falecimento, alguns desses dramas, continuaram e chegaram à actualidade.
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Voltando ao segundo estúdio, lembremo-nos que o filho José Relvas, em 1888, exigiu partilhas com seu pai, na sequência da zanga familiar havida, em virtude do segundo casamento deste com D. Mariana Correia.
Na sequência destas partilhas, José passou a administrar as propriedades da família.
Ainda hoje são visíveis no lado exterior do jardim do edifício, os dois marcos de separação de propriedades, com as letras JR de um lado e CR do outro.
Por esta razão, e por outras de caracter técnico, mesmo sendo Carlos Relvas muito rico, viu-se na contingência de ter que fazer uma grande readaptação ao estúdio, para este lhe passar a servir também como casa de habitação e aí poder viver com D. Mariana, o que aconteceu até à data da sua morte, que aconteceu a 23 de Janeiro de 1894, na sequência de um grave acidente que teve após cair de um cavalo e relativo ao qual optou por não se tratar.
Das readaptações acontecidas, uma das mais notórias foi a substituição por telha, dos vidros de controle de iluminação provinda do telhado.
Será este estúdio, readapatado para habitação, que nos chegará ao século XX e que após peripécias muito complexas, em que as mais significativas tiveram a ver com a degradação demasiado acelerada do edificio, mas não só, que provocarão a reacção por parte do IPPAR, que no ano de 1996, toma a decisão de nomear uma Comissão, que foi constituída por Luís Pavão, que presidiu à mesma, Teresa Siza, Victória Mesquita e José Soudo, com a incumbência de dar um parecer sobre o que se deveria fazer quanto à recuperação desta Casa-Estúdio.
Esta comissão assinará um relatório, onde se apensam pareceres de diversas individualidades da área da cultura em Portugal e propõe que a Casa-Estúdio de Carlos Relvas na Golegã, seja restaurada segundo a traça original de 1871, o que veio a acontecer quase que por milagre, após um despacho publicado 5 anos mais tarde, em 2001.
As obras de restauro iniciaram-se em 2003, sob a tutela brilhante, do Arquitecto Victor Mestre.
A Casa-Estúdio devidamente recuperada segundo a traça original, foi re-inaugurada no ano de 2007, pela então Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, depois do restauro concluído.
Se tal restauro não tivesse acontecido, provavelmente hoje teríamos na Golegã apenas uma ruína para ver.
Quem sabe?
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Sobre Carlos Relvas – Fidalgo da Casa Real. Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Comendador da Ordem de Isabel a Católica da Coroa de Espanha. Cavaleiro da Ordem de Isabel a Católica de Espanha, da Legião de Honra de França e da Ordem da Coroa de Itália. Oficial da Ordem de Instrução Pública de França. “Académico honorário” da Real Academia de Belas-Artes de Lisboa – riquíssimo e influente proprietário no Ribatejo.
Agricultor moderno, criador de cavalos, além de criador de gado para comércio, entre muitas outras valências, foi também um homem da política.
Mestre nas artes equestres, quer como cavaleiro, quer no toureio a cavalo.
Excelente atirador com pistola e espingarda, assim como esgrimista com sabre e com espada.
Músico e inventor. Conhecido, no seu tempo, tanto em Portugal, como no Estrangeiro, pela sua actividade enquanto fotógrafo “Amateur” – figura ainda muito desconhecida, em pleno século XXI, que afirmava a seu propósito, “…Não passo de um humilde artista e de um photographo de aldea, mas se me é lícito falar neste assumpto, creio que acima de tudo, é indispensável o sentimento artístico, o perfeito conhecimento da luz, uma prática racional, e finalmente uma grande dedicação pela arte, para estudar e trabalhar constantemente, para não ser arrastado pelas ruas da amargura…”, julgo ser lícito afirmar que para o estudo profundo e analítico do seu legado, “tudo” ou quase tudo, se encontrará por fazer, pois sobre ele há mais incertezas, do que certezas fundamentadas sobre factos.
Continua a ser necessário percorrer muitas outras pistas e procurar muitos mais contributos, possivelmente transdisciplinares, para um debate e conhecimento amplo, sobre a obra deste fotógrafo português, do século XIX.
Quanto à exposição – “Carlos Relvas (1838/1894) — Vistas Inéditas de Portugal. A Fotografia nos Salões de Lisboa, Paris e Viena (1868-1874)” – veio acrescentar, sem dúvida alguma, uma enorme mais-valia ao que já se sabe e ao que já se fez.
Considero no entanto, ser adequado, estabelecerem-se pontes, entre esta exposição e outras exposições muito relevantes com trabalhos de Carlos Relvas, para um ainda melhor entendimento da sua obra.
Uma delas foi denominada “Objects of Eternity”, com inauguração em Agosto de 2013, na Galeria Rudolfinum, da cidade de Praga, e cuja curadoria esteve a cargo de Luís Pavão e David Korecký.
No ano seguinte, em 2014, de novo sob a curadoria de Luís Pavão, mas agora acompanhado por Nuno Faria, inaugurou uma outra exposição “Carlos Relvas / Um homem tem duas sombras”, no CIAJG – Centro de Internacional de Artes de Guimarães, à qual foi associada uma mesa-redonda de reflexão, em Junho desse ano, promovida pelo Centro Cultural Vila Flor, a propósito do lançamento do respectivo catálogo e na qual fizeram comunicações e debate, os curadores da exposição, Luís Pavão e Nuno Faria, assim como a historiadora Raquel Henriques da Silva, o arquitecto Victor Mestre e José Soudo, enquanto oradores convidados.
Na exposição de Praga, as fotografias foram impressas, para serem apresentadas, no que se pressupõe ser o formato final de apresentação, que Carlos Relvas adoptava.
Na exposição de Guimarães, os curadores optaram por fazer uma apresentação com a impressão integral dos negativos, permitindo com isso deixar transparecer todo o jogo cénico, utilizado por Carlos Relvas, na construção das suas fotografias, num acto quase teatral.
Como notas de rodapé, salienta-se que uma parte desta exposição, “Carlos Relvas / Um homem tem duas sombras”, foi apresentada entre Outubro de 2017 e Janeiro de 2018, no CAI – Centro de Arte e Imagem do Instituto Politécnico de Tomar (IPT), numa apresentação algo descaracterizada dos seus propósitos iniciais em 2014, fazendo parte das actividades da “6.ª Semana da Fotografia da Golegã”, projecto este que mais pareceu para adicionar tarefas feitas por parte do quase moribundo CEFGA – Centro de Estudos em Fotografia da Golegã, do que para acrescentar reflexão e divulgação da obra do fotógrafo.
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Sobre este Centro de Estudos, não me alongarei muito, pois iria ferir susceptibilidades, mas para quem não o sabe, o mesmo nasceu por protocolo estabelecido entre o IPT e o Município da Golegã, no ano de 2008.
A sua vida pode dividir-se em duas partes.
A primeira parte abarca os anos de 2008 a 2010.
Em 2008, promoveu a “I Semana de Fotografia da Golegã” e nesse evento, com a intermediação de Luís Pavão, estiveram presentes na Golegã, os dois especialistas em processos históricos do “Photography and Film International Museum” de Rochester, France Scully Osterman e Mark Osterman, os mesmos que virão para participar no filme “Amateur”, de Olga Ramos, estreado em 2015.
Em 2009, promoveu a “II Semana de Fotografia da Golegã” com um conjunto de actividades relacionadas com “A Fotografia nos Museus da Fotografia: Questões para o século XXI”, nas quais estiveram presentes, Grant Romer do Photography and Film International Museum de Rochester, Mattie Boom, do Rijksmuseum de Amsterdão, Silvestre Lacerda, director do Arquivo Central Nacional, Luísa Costa Dias, do Arquivo Fotográfico da CML, Helena Araújo, do Museu de Fotografia Vicentes, na cidade do Funchal, Cármen de Almeida, do Arquivo da CM de Évora, Emília Tavares, do MNAC, entre muitos outros convidados e participantes.
Uma vez mais, quase todos estes convidados compareceram na Golegã, com a intermediação de Luís Pavão.
Nesse ano, o Sr. Presidente do Município suspendeu este protocolo. Não enumerarei as razões, nem os motivos, mas os mesmos são muito dramáticos.
No ano seguinte, em 2010, já fora deste protocolo, Luís Pavão orientará na “3ª semana da Fotografia da Golegã”, um workshop dedicado à “Recuperação de Colecções Fotográficas” organizado pela LUPA – Luís Pavão, Lda.
De 2010 a 2016, tal com disse, este protocolo esteve suspenso.
A segunda parte do CEFGA, reinicia em 2016, através de uma nova tentativa do município e do Politécnico, agora com outros protagonistas e intervenientes, de reanimarem de novo o protocolo que tinha sido suspenso em 2009, mas sem grande sucesso.
Promoveram a 5.ª Semana da Fotografia em Julho de 2016, mas ao que parece, não terão conseguido participantes para a mesma.
Repetiram a proposta da “5.ª semana”, em Outubro, mas com muito pouca adesão e com um programa demasiado modesto.
No ano seguinte, em 2017, os novos dirigentes do CEFGA, fizeram algumas pequenas alterações ao programa de 2016 e apresentaram a “6.ª Semana de Fotografia da Golegã”.
À semelhança do ano anterior, o sucesso desta “ 6.ª semana” foi muito modesto.
O novo presidente do Município, vencedor nas últimas Eleições Autárquicas de 2017, voltou a ser o mesmo de 2009.
O protocolo foi suspenso outra vez, ao que parece, por inadequação na aplicação do mesmo, por parte dos responsáveis da estrutura de ensino superior mencionada.
Nada mais direi sobre isto.
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Voltando às exposições, com as quais se deveria também fazer pontes, relembro que noutro tipo de contextualização, em 2015, aconteceram a “3ª Imagem – Fotografia estereoscópica em Portugal e o desejo do 3D”, com inauguração em Abril, no Arquivo Fotográfico da CM de Lisboa e cuja curadoria pertenceu a Victor Flores e Luís Pavão e os “Tesouros da Fotografia Portuguesa do século XIX”, inaugurada em Junho desse mesmo ano, no MNAC, sendo a respectiva curadoria, assegurada por Emília Tavares e por Margarida Medeiros. [Sobre esta exposição no Fascínio da Fotografia, aqui.]
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Quanto à reflexão sobre as pontas dos véus que mencionei atrás, julgo que as mesmas podem ser encontradas por quem teve paciência para ler o que escrevi até aqui, cruzando com o que passo a descrever na parte 2 deste texto, nesta fita do tempo de acontecimentos.
Uns são excelentes e outros são péssimos, como se constatará.
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A 2.ª parte de “Lisboa está de novo em festa, 136 anos depois…”, por José Soudo, aqui.
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José Soudo (Lisboa, 1950)
Curador. Investigador independente em História da Fotografia. Fotógrafo.
Grau de Mestre em Fotografia Aplicada.
Grau de “Especialista em Audiovisuais e Produção dos Media – Fotografia”, obtido em Provas Públicas, perante Júri constituído por representantes de diversos Institutos Politécnicos.
Docente de Fotografia desde 1983 e de História da Fotografia, desde 1986, no Curso de Fotografia do Departamento de Fotografia do Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual – Associação Cultural sem fins lucrativos, reconhecida pelo Governo Portugês como “Instituição de Utilidade Pública”. Coordenador Técnico com funções pedagógicas, do Departamento de Fotografia do Ar.Co, de 1986 a 2016.
Sócio co-fundador, em 1982, da Galeria e do projecto de Animação Cultural, “Ether-Vale tudo menos tirar olhos”. Membro da Comissão de Estudo para a recuperação da Casa-Estúdio Carlos Relvas, na Golegã, por nomeação do IPPAR, em Junho de 1996.
Formador creditado, da Bolsa de Formadores do “Cenjor – Centro Protocolar para Formação de Jornalistas Profissionais”, em acções de formação para jornalistas, nas áreas da Fotografia e do Fotojornalismo, desde 1992.
Docente na Licenciatura do CSF – Curso Superior de Fotografia, da Escola Superior de Tecnologia do IPT – Instituto Politécnico de Tomar, de 2002 até 2016.
Diretor da Licenciatura em Fotografia da ESTT/IPT no ano de 2015. Co-fundador do referido Curso.
Docente da UC Contextual Studies/História da Fotografia, no HND – Higher National Diploma – Etic 2018-2019.
Membro da Comissão Executiva do CEFGA – Centro de Estudos em Fotografia da Golegã, nos anos de 2008 e 2009.
Enquanto fotógrafo, está representado em diversas colecções oficiais e particulares, quer em Portugal quer no estrangeiro e também através de livros e publicações diversas, assim como em trabalhos coletivos com outros artistas visuais.
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Agradeço ao José Soudo a partilha do seu muito conhecimento sobre Carlos Relvas, a sua história e a história da recuperação e reconhecimento da Casa-Estúdio Carlos Relvas.
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A exposição “Carlos Relvas (1838/1894) — Vistas Inéditas de Portugal. A Fotografia nos Salões de Lisboa, Paris e Viena (1868-1874)” no fascínio da Fotografia, aqui e aqui.
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