ANDRÉ PRÍNCIPE, NON-FICTION, 2018

“Non-Fiction” de André Príncipe está em exposição em Guimarães, no Centro Cultural Vila Flor, de 5 de maio a 28 de julho de 2018.

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André Príncipe

Non-Fiction

Fotografia: André Príncipe

Lisboa: Pierre von Kleist Editions, Guimarães: Centro Cultural de Vila Flor / Abril . 2018

Inglês e Português (em suplemento) / 22,8 x 29,0 cm / 140 pp

Brochura com sobrecapa / 650 ex. / Inclui suplemento com o texto e legendas em português, 12,5 x 28,5 cm, 20 págs., agrafado

ISBN: 9789899944596

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Andre Principe-Non Fiction-1

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Certa vez, eu, Chuang-Tzu, sonhei que era uma borboleta, tremulando de um lado para o outro, para todos os efeitos, uma borboleta. Eu estava consciente apenas da minha felicidade como borboleta, sem saber que eu era Tzu. Quando eu acordei e lá estava eu, novamente eu mesmo. Agora eu não sei se eu era então um homem sonhando que era uma borboleta, ou se sou agora uma borboleta, sonhando que sou um homem. Entre um homem e uma borboleta há necessariamente uma distinção. A transição é chamada de transformação de coisas materiais.

Chuang-Tzu (nota editorial)

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No meio do mar, nalgum lugar entre Manhattan e Staten Island, um homem segue-me.

André Príncipe, em “Non-Fiction”

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Em “Non-Fiction” André Príncipe (Porto, 1976) reúne um conjunto de fotografias datadas desde 2000 até aos dias de hoje, paralelamente com entradas de “um diário de sonhos” feito nos últimos vinte e poucos anos, as quais são tratadas como as fotografias, como se tratando de imagens: todas estão identificadas com a pessoa (quando está, por vezes, com a inicial), o local, o ano, pontualmente a situação.

As fotografias oscilam entre interiores e exteriores, em Portugal ou um pouco por todo o mundo, por onde Príncipe tem viajado: Paris, Londres, Xangai, Nova Iorque, Lund, Varna, Istambul, Toquio, entre tantas outras. Algumas imagens são conhecidas, integraram outras obras ou foram já mostradas, outras são novas.

A sequência e o peso que Príncipe dá às imagens, predominantemente a cor, mas também a preto e branco, algumas na página inteira ou no fólio, outras, horizontais, enquadradas na página, noutros casos, 2+1 no fólio, como um álbum de família, bem como aos textos, estes sempre no topo de uma página par, conferem um intimismo à obra, uma vivência pessoal.

“Non-Ficton”, não-ficção é, pois, a realidade.

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Não posso deixar de fazer um paralelismo entre a obra de André Príncipe e a obra de José Pedro Cortes, nomeadamente o livro e exposição “A necessary realism” (aqui). Amigos de longa data, criadores da mesma editora, e um mesmo modo de olhar sobre a realidade: sobre o quotidiano pessoal, as pequenas coisas, as vivências humanas, os afetos. Sobre a realidade, sobre a vida.

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Publicado por ocasião da principal exposição do Príncipe até à data, no Centro Cultural Vila Flor (Guimarães, Portugal), “Non-Fiction” é uma reflexão sincera sobre como usar a fotografia.
O livro combina fotografias com entradas de um diário de sonhos feito nos últimos vinte anos. Juntamente com muitas novas imagens, revisitamos as fotografias de aventura de Príncipe de diferentes séries, e aprendemos mais sobre elas, onde e quando elas foram feitas, e como elas se relacionam umas com as outras.

“Non-Fiction” é o que você experimenta com os olhos abertos, o que você testemunha. É historicamente ou empiricamente factual. Não-ficção é a fotografia do Príncipe. Ficção é o que você vê com os olhos fechados, seus sonhos, o que você imagina. No livro, as fotos e o texto interagem de maneira misteriosa, divertida e significativa. A não-ficção torna-se tão próxima da ficção que só pode ser definida pelo negativo, como um humano é um não-macaco ou um homem, uma não-mulher. As coisas são transitórias. Metade da poesia da vida desapareceria, se não sentíssemos que a vida era um sonho ou um estágio em que os atores raramente percebiam que estavam desempenhando seu papel. É sobre o que chamamos de realidade.

Nota do editor

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O Centro Cultural de Vila Flor, onde se apresenta em exposição, regista:

Com a exposição de André Príncipe, o Centro Cultural Vila Flor pretende dar a conhecer uma obra que, inexplicavelmente, não tem a merecida visibilidade. As fotografias de André Príncipe combinam pensamento, utopia, esperança, consciência, sonho, imaginação… embora assumam estes elementos de forma velada, como sombras informes, fantasmas.

Os temas abordados expandem-se em diversas direções, vestígios de um mundo imperfeito, impuro, injusto, cruel… com o qual o artista se confrontou, por vezes de maneira violenta. A realidade dos factos em cada representação age por contraposição, tentando inverter a ordem estabelecida pelo discurso politicamente correto. As imagens dirigem-se às pessoas, propondo soluções alternativas indiretas ou ideias de mudança invertidas; não podendo escapar ao exterior, misturam-se com ele, ficando anos e anos submersas em composições subjetivadas, num inconsciente escondido, calado, anónimo…

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André Príncipe, Non-Fiction, 2018

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“Non-Fiction” de André Príncipe está em exposição em Guimarães, no Centro Cultural Vila Flor, de 5 de maio a 28 de julho de 2018.

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Mais informação aqui.

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