JOSÉ MANUEL COSTA ALVES, LISBOA W-E, 2017

“Lisboa W-E”, de José Manuel Costa Alves, está em exposição no jardim do Museu Cidade de Lisboa – Palácio Pimenta, no Campo Grande, 245, em Lisboa, de 24 de março a 20 de maio de 2018

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José Manuel Costa Alves

Lisboa W-E

Fotografia: José Manuel Costa Alves / Texto: José Manuel dos Santos

Casal de Cambra: Caleidoscópio / 2017

Português, francês e inglês / 31,1 x 22,1 cm / 80 pp., não numeradas

Cartonado

ISBN: 9789896584832

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José manuel Costa Alves-Lisboa WE (1)

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José Manuel Costa Alves (1950) nasceu, estudou arquitetura e vive em Lisboa. Esta é a sua cidade.

Lisboa estende-se ao longo do Tejo, acompanha o rio, desde a foz, a Oeste (W), quando encontra o Atlântico – por onde as naus e caravelas largaram com o horizonte do mundo – até Este (E), quando depois de curvar na zona da Expo / Parque das Nações virando-se a cidade a nascente, e o rio vem de norte, aproxima-se já de Sacavém, no vizinho concelho de Loures. É sobretudo para esta zona que a cidade tem crescido – e para o interior.

José Manuel Costa Alves quis ver – e mostra-nos – a cidade desde o rio. É assim que a vemos, a cidade virada ao rio, que poucas vezes vemos – por vezes parcialmente, quem faz a sua travessia de barco. É a cidade para além da Ponte 25 de Abril e para lá da Ponte da Vasco da Gama.

Foi a 24 de novembro de 2016 que estendeu o seu olhar sobre Lisboa.

O percurso fez no Svitzer Sines, um rebocador do Porto de Lisboa, de 28,80 m de comprimento e 9,05 de largura extrema, com o porte bruto de 179 t e tonelagem bruta de 256 t, construído em 1986, numa marcha suave e lenta – é uma embarcação de força e não de velocidade –, seguindo a 400 m da costa, desde frente ao Bugio até que os baixios próximo de Sacavém, a ver-se a foz do Trancão, no extremo da intervenção da Expo’98, impedem a navegação.

Ao longo de uma hora e meia fez o percurso. A objetiva, 50 mm, fixa, f11 de abertura, a linha de água a eixo da imagem (com um acerto final em trabalho digital). Das cerca de 250 imagens recolhidas, Costa Alves escolheu 33 que compõe o livro: ver a cidade, desde o rio. Definem o percurso, pelos espaços mais significativos: do Oceano Atlântico, Pedrouços, a Fundação Champalimaud, a Torre de Belém, a Praça do Império, o MAAT, a Cordoaria Nacional, a Ponte 25 de Abril, Alcântara, Av. 24 de Julho, o Cais do Sodré, o Terreiro do Paço, Santa Apolónia, Xabregas, Beato, a Marina do Parque das Nações, o Passeio de Neptuno, a Doca dos Olivais, a Ponte Vasco da Gama e o Rio Trancão… São apenas alguns desses espaços.

Vemos a cidade, por um lado, como a conhecemos, por outro, como não a vimos.

Uma viagem a Lisboa…

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O texto do livro é de José Manuel dos Santos:

A RÉGUA

A fotografia é a insónia do olhar. Esta arte dá aos olhos uma febre fria que os não deixa fechar. Como na insónia, é dentro da fotografia que o fotógrafo fotografa. Fotografar é procurar aquele momento em que Aquiles é apanhado pela tartaruga.

Estas fotografias de José Manuel Costa Alves são um vaticínio sobre Lisboa. Nelas, o presente é o lugar onde o que foi e o que será se enfrentam numa batalha (cronomaquia) em que os vencedores são os vencidos. Fotografar Lisboa é esperar sempre o regresso de Ulisses, de que ela é, não a Ítaca, mas a Penélope sem pressa e já sem memória.

Nestas imagens, há a exactidão óbvia, seca e obsessiva do metal a cortar o metal. Há a sequência que dá à continuação uma continuidade de electrocardiograma. Aqui, passam vultos verticais e horizontes horizontais. Aqui, passam sombras atiradas como pedras ao rosto da cidade. Aqui, passam céus que vão de Vermeer (”Vista de Delft”) a Magritte (”O Império das Luzes”). Aqui, passa a luz que não se ergue de si-mesma senão da parte do rio que se vê do silêncio.

José Manuel Costa Alves fotografou como quem ergue o dedo e aponta o que vê, num movimento de W a E, que atravessa Lisboa até onde ela nos foge.

Estas fotografias são uma régua do olhar. Medem, mostram, mencionam, comparam, confrontam, confirmam. E configuram, como quem responde a uma pergunta que não foi feita.”

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José Manuel Costa Alves, Lisboa W-E, 2017

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Folha de sala (1)

Folha de sala (5)

 

 

“Folha de sala”

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As imagens do livro “Lisboa W-E”, de José Manuel Costa Alves, formando uma sequência com 50 m de extensão, estão em exposição no jardim do Museu Cidade de Lisboa – Palácio Pimenta, no Campo Grande, 245, em Lisboa, de 24 de março a 20 de maio de 2018.

É objetivo de Costa Alves levar esta exposição até outras cidades ribeirinhas.

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António Bracons, Aspetos da exposição, José Manuel Costa Alves, Abril.2018

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Pode conhecer melhor o trabalho de José Manuel Costa Alves aqui.

Atualizado em 2018.05.14.

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