TERESA HUERTAS, ATMÓS, 2018

Exposição na Galeria Diferença, na Rua S. Filipe Nery, 42 C/V, em Lisboa, de 07 a 28 de abril de 2018
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Teresa Huertas

Atmós

Fotografia: Teresa Huertas / Texto: Fernando Rosa Dias / Design gráfico: Raquel Melgue

Edição da Autora / Abril. 2018

Português / 47,5 x 28,0 cm / 2 + 5 fls

Portfólio: capa com costura japonesa no lado esquerdo, sem guardas / 20 ex. numerados de modo manuscrito

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ATMÓS – A respiração da terra

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“Quase se poderia dizer que a verdade depende do tempo, da paciência e da duração do permanecer do indivíduo;(…)”

Th. W. Adorno, Minima Moralia, Parte I, 48

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Segundo Roland Barthes (A Câmara Clara), a fotografia carrega uma evidência (daí «câmara lúcida» ou «clara») que faz dela uma imagem que «não pode ser aprofundada», resistindo à dimensão íntima de mistério e inacessibilidade que marca a imagem tradicional. A fotografia de Teresa Huertas parece resistir a esta tese. Se ela mantém a fatalidade retensiva, debruçada sobre um passado pelo qual a imagem se vincula a um referente, ela também se recusa a ser apenas esse instante em imagem, essa fixação do fluxo de um referente que «desliza». Em ATMÓS o tempo dilata-se num efeito de suspensão que aqui nos desafiamos a entender alguns processos.

Mais que um mero instante captado, as fotografias de Teresa Huertas tendem a assumir uma interrupção desse deslizar do referente. As suas séries sobre lugares – de que destacamos Instalação na Paisagem (2004), Rêveries (2006) ou Lava Walks (2012) – assumem um encontro com um topos como referente privilegiado que suporta, com a sua estabilidade, a captação de instantes enquadrados. A própria autora refere uma «experiência do lugar, amplificado pela percepção ou pela intervenção», como algo em que se demora, de modo que as imagens cativadas não são meros registos, mas resultado de uma escolha a partir da própria opção de nele se instalar. Não se trata apenas de fotografar um lugar, de o dar a ver, muito menos de o identificar, mas de cativar pelo registo fotográfico um tempo de relação com esse sítio.

Se os seus topos referenciais têm sempre uma árida dimensão de inacessibilidade, como uma paisagem natural recôndita à vivência humana, que tem uma história própria obstinada a qualquer presença humana, Teresa Huertas preenche (sem transformar) essa desumanização do lugar, com uma habitação própria, inscrevendo-lhe uma memória. Cada série fotográfica sobre determinada topografia, mais do que um olhar, é uma experiência, um desafio à habitabilidade do lugar que as fotografias tentam conquistar. O que tal relação nos provoca é a sensação de que, nas suas fotografias (e séries), subsiste um habitar do lugar, uma valorização da passagem de uma presença física que o experienciou. As suas fotografias não se centram na mera nostalgia de um instante, mas na expressão dessa experiência.”

Fernando Rosa Dias

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Há algo de mágico nestas fotografias de Teresa Huertas. Recolhidas na Islândia, em torno de um mesmo lugar, num tempo breve, descobrem a paisagem quando a humidade, uma névoa densa, se eleva do solo. A encosta mostra a sua vegetação, as flores brancas que a pontilham, uma vida imensa que se desenvolve para além do branco.

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Teresa Huertas, Atmós, 2018

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“Atmós” de Teresa Huertas encontra-se em exposição na Galeria Diferença, na Rua S. Filipe Nery, 42 C/V, em Lisboa, de 07 a 28 de abril de 2018, englobando duas partes: a que compõe esta publicação (três dos quatro trípticos) e uma outra, em que a natureza é vista em grande plano.

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António Bracons, Aspetos da exposição, Teresa Huertas, Teresa Huertas e Fernando Rosa Dias, 2018

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Teresa Huertas (1953), vive e trabalha em Lisboa. Desenvolve o seu trabalho nas áreas da fotografia e instalação. Foi finalista do Concurso de Fotografía Purificación García (Madrid) em 2008.

Licenciada em Filologia Germânica, estudou Fotografia, História de Arte, Pintura, Desenho e Artes Performativas. Frequenta actualmente o Curso de Mestrado em Arte Multimédia – Fotografia na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

Está representada em colecções institucionais e privadas. Expôs individualmente no Museu Municipal Santos Rocha e Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz (2014), Centro de Artes de Sines (2012), Galeria do Teatro Municipal de Almada (2012), Biblioteca Municipal D. Dinis de Odivelas (2008), Galeria Municipal de Abrantes (2006), Centro de Cultura Contemporânea/C. C. C. de Torres Vedras (2006). Com o Professor João Barrento, apresentou Aparições e Desaparecimentos/Figurações do Rosto no texto de M.G. Llansol na Galeria Diferença (2016).

Integra projectos colectivos desde 1995, de que destaca: O Livro Disperso, Casa das Artes, Porto (2017); Cenas Fulgor, Festival Silêncio, Lisboa (2017); Autorrepresentações de Mulheres, Galeria Municipal de Arte de Almada (2013); Concurso de Fotografía Purificación García, Círculo de Bellas Artes, Madrid / Centro Cultural de la Diputación de Ourense (2008); Poder, Ruptura, Silêncio, Convento de Cristo, Tomar (2006); Caligrafias, Casa Fernando Pessoa, Lisboa (2006); Arte Urbana para Intervenção, Lisboa (2005); Bienal de Fotografia da Moita (2005); Festival Monsaraz Museu Aberto, (2004); Festival Motivos, Almeida (1995).

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