SHARON LOCKHART, MEUS PEQUENOS AMORES
Exposição no Museu Coleção Berardo, em Lisboa, de 18 de outubro de 2017 a 28 de janeiro de 2018
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Sharon Lockhart, Sem título, 2007 – When You’re Free, You Run in the Dark, Klaudia, 2016 – When You’re Free, You Run in the Dark, Selena, 2016 – Milena, Jaroslaw, 2013-2014 (3 fotografias expostas, 4 apresentadas aqui) – Milena, Debki, 2014 – Port of Grao de Castellon, Spain, 2014 – Sem título, 2010 – Sem título, 2014
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Sharon Lockhart (Norwood, Massachusetts, EUA, 5 de junho de 1964) vive e trabalha em Los Angeles, Califórnia e desenvolve o seu trabalho em torno de questões sociais, envolvendo por vezes comunidades e apresentando com base em filme e fotografia.
Desde 2009, Sharon Lockhart tem trabalhado com meninas, em instituições, em fases diferentes das suas vidas, tendo desde 2013, desenvolvido a sua ação na Polónia, onde se desloca várias vezes anualmente. A exposição espelha este trabalho com crianças e adolescentes. Com uma delas, Milena, que conheceu em Lódź durante a produção de “Podwórka”, e que lhe deu a conhecer Rudzienko, uma pessoa “muito interessante e complicada”, criou uma relação de maior proximidade, sendo reflexo o trabalho conjunto desenvolvido: as várias fotografias que dela apresenta e um vídeo, “Antoine / Milena” (2015), no qual a adolescente recria a cena final de “Os 400 golpes”, de François Truffaut.
Para Sharon Lockhart, “my little loves”, “meus pequenos amores”, o título da exposição, é o nome que dá aos seus “filmes caseiros” que faz no fim de cada ação que desenvolve com as crianças polacas, com quem trabalha desde 2013. Mas que se pode confundir com as “suas” crianças.
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Escreve Pedro Lapa, curador da exposição:
Desde 1990 que Sharon Lockhart se tem dedicado a uma observação atenta da vida quotidiana dos seus protagonistas de forma a realizar filmes, fotografias e instalações, que revelam qualidades humanas únicas através de composições estudadas e coreografadas. A frontalidade com que as mais simples ações de um determinado campo cultural ou comunidade são enquadradas, dão lugar à exposição de quadros vivos, que sintetizam aspetos particulares da vida e manifestam a oscilação entre uma determinante cultural e um comportamento específico que aí se inscreve.
Para esta exposição, que se articula com a apresentação do filme Rudzienko, no festival Doclisboa’17, foi selecionado um conjunto significativo de obras com ele relacionadas. O envolvimento de Sharon Lockhart com as condições da infância, sugerido pelo filme, serve de ponto de partida para esta exposição, que inclui instalações dos filmes Podwórka, e Antoine/Milena, bem como um conjunto de trabalhos realizados em colaboração com Milena, uma rapariga que lhe apresentou o Centro de Socioterapia Juvenil de Rudzienko, na Polónia. Esta seleção de trabalhos, ao percorrer dez anos da produção artística de Lockhart, aborda questões associadas aos direitos das crianças, à efemeridade e à autoconfiança.”
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Sharon Lockhart, Antoine/Milena, 2015. Instalação vídeo monocanal (película de 16 mm transferida para vídeo HD, cor/som), duração: 3:29 minutos, loop contínuo. Cortesia da artista, neugerriemschneider, Berlin and Gladstone Gallery, New York e Bruxelas.
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Sharon Lockhart pesquisou sobre o polaco Janus Korcazk, “pensador radical e pedagogo”, criador e editor de “A Pequena Revista”, suplemento semanal escrito por crianças e publicado com o diário judaico “A Nossa Revista”, entre 1926 e 1939 e também autor do livro Como amar uma criança, editado pela primeira vez em 1919, do qual uma edição em braille faz parte da exposição, bem como um exemplar de 1931 da revista. Integra também a exposição um exemplar de ‘A Pequena Revista’, planeado por crianças com quem a artista trabalhou, estando impressas cópias traduzidas em português e em inglês, disponíveis para o público levar.
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Sharon Lockhart, “A Pequena Revista”, “The Little Review”
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No decorrer de três verões, Lockhart, juntamente com terapeutas filósofos, diretores de teatro e pedagogos, realizaria uma série de workshops com as meninas do Centro Juvenil de Socioterapia em Rudzienko, criando o filme “Rudzienko” (2016), que foi estreado no 67º Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 2017.
A importância do seu trabalho reflete-se na escolha de Lockhart para representar a Polónia na 57ª Exposição Internacional de Arte na Bienal de Veneza 2017.
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Folha de sala, rosto. Pode ver aqui a Folha de Sala.
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Esta exposição, patente no Museu Coleção Berardo, em Lisboa, de 18 de outubro de 2017 a 28 de janeiro de 2018, foi realizada no âmbito do DocLisboa de 2017, onde foi mostrado o já referido filme “Rudzienko” (2016) de Lockhart e onde esta trouxe: “Children Must Laugh” [“As crianças devem rir-se”] (1936), de Aleksander Ford, “um filme propaganda sobre crianças judias na Polónia dos anos 1930, que foi banido naquele país”, conforme ela refere: “Queria ver algo que não tinha visto, conversar sobre o facto de ter sido banido e sobre o título”.
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