A AMÉRICA DE ANTÓNIO JÚLIO DUARTE

Exposição na Galeria Pedro Alfacinha, Lisboa, de 13 de outubro a 16 de dezembro de 2017

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AJD-America-Web

António Júlio Duarte, série América, 2017

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Sua Magnificência deve saber que o motivo que me trouxe ao reino da Espanha foi negociar mercadorias; e que persegui essa intenção por cerca de quatro anos, durante os quais vi e conheci as viradas inconstantes da fortuna e como esta persiste em tornar aleatórios aqueles benefícios frágeis e transitórios; e como, num momento, eleva o Homem ao cume da roda, e noutro o afasta de si e o despoja daquilo a que se podem chamar as suas riquezas emprestadas; de modo que, sabendo do contínuo fardo que o Homem acarreta na sua procura, submetendo-se a tantas ansiedades e riscos, resolvi abandonar o comércio e consertar o meu objetivo em algo mais digno de louvor e estável; foi então que me preparei para sair a ver parte do mundo e das suas maravilhas…”

Amerigo Vespucci

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Amerigo Vespucci chegou ao território e deu-lhe o seu nome: América.

António Júlio Duarte esteve e viu.

A galeria Pedro Alfacinha, pela sua dimensão física, obriga Duarte a uma depuração do olhar, a uma seleção rigorosa, seis fotografias. O formato, quadrado, sempre. O flash presente, direto, (re)forçando as formas e as sombras.

No primeiro espaço, 3 imagens opõe-se a uma: o algodão em rama face a um casino – e um caixote de lixo em primeiro plano, como um monumento –, um alguidar com uma cobra e um “objeto de design estranho” – também aqui a referência ao oriente – nas cobras dos restaurantes orientais e nos casinos que fotografou em Macau. Estas imagens são visualmente divididas por uma linha vertical, deixando o olhar ler as duas partes da mesma realidade.

Na passagem, a fotografia de uma porta fechada, uma faca presa, como que a forçar uma abertura impossível. Ou a cortar a linha vertical que divide a imagem.

Na última sala, grande como a primeira, apenas uma fotografia, de um quarto, uma cama amarfanhada, alguém dormindo, meio descoberto; a solidão num país vasto.

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António Bracons, Aspetos da exposição América de António Júlio Duarte, 2017

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Refere Pedro Alfacinha a propósito da presente exposição, seis novas fotografias de António Júlio Duarte:

 

Profundamente comprometido com a fotografia, ao longo de quase trinta anos de trabalho tem vindo a desencadear sucessivas acções de emancipação das suas tradições — narrativa e realidade vêm sendo permanentemente desafiadas através da observação afirmativa e de uma consistente obsessão pela alienação — contribuindo com uma das mais singulares e coerentes vozes para o misterioso entendimento do paradigma da fotografia hoje.”

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Não resisto a incluir a crítica (ou análise) de Jorge Calado no jornal Expresso, de 11 de novembro (e subscrevo “A.J.D. deve-nos agora um livro sobre a ‘sua’ América”):

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António Júlio Duarte nasceu no Poço dos Negros, Lisboa, em 1965. Estudou no Ar.Co em Lisboa e no Royal College of Art, em Londres. Expõe regularmente desde 1990 e é autor de nove livros, dos quais se destacam White Noise (aqui) e Japan Drug (aqui), ambos publicados pela Pierre von Kleist Editions.

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“América”, de António Júlio Duarte está patente na Galeria Pedro Alfacinha, na Rua de São Mamede 25 C, em Lisboa, de 13 de outubro a 16 de dezembro de 2017.

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