SKARLATH BATISTA, LUÍSA NEVES, HELENA AMARAL, ANA ANTUNES, NEIVA VIEIRA. PROJETO COLETIVO
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Projeto Coletivo é o nome da exposição que reúne os trabalhos de cinco autoras, reflexões em torno da noção de Arquivo: Skarlath Batista, Luísa Neves, Helena Amaral, Ana Antunes e Neiva Vieira, finalistas do Curso Profissional de Fotografia do IPF – Instituto Português de Fotografia, no Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, na Rua da Palma, 246, em Lisboa, de 17 de novembro a 30 de dezembro de 2017.
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Helena Amaral / O que decidimos guardar
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Helena Amaral, série “O que decidimos guardar”
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António Bracons, Aspeto da exposição
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Técnica utilizada: Pinhole / Impressão em jacto de tinta
Em ciências naturais, nomeadamente em geologia, as rochas são arquivos de história natural, que contam parte da história do planeta, incluindo a de outros seres vivos, numa escala temporal muito para além da escala humana, e de um passado antes do nosso. Em busca dessa ideia de que um arquivo conta histórias diversas, consoante o ponto de vista, pretendeu-se abordar situações onde as rochas são o suporte de registos humanos. Essa sobreposição de informação resulta numa espécie de arquivo duplo: o da terra eu nos suporta e o da Humanidade, ainda que à escala local. Das três fotografias fazem-se leituras diferentes mas que também podem ser as mesmas, consoante o ponto de vista.”
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Skarlath Batista / Anarquivo
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Skarlath Batista, série “Anarquivo”
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António Bracons, Aspeto da exposição
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Técnica utilizada: Impressão em jacto de tinta
O Anarquivo desenvolveu-se através do embaralhar de imagens e a possibilidade de inverter, reatualizar e reinterpretar situações do passado. Construído com despojos de arquivos pessoais, aspira à condição de novo arquivo, onde cada imagem é um nó de encontro de associações aparentemente dispares e temporalmente descontinuadas, alterando a história, a memória seja pela via da adição de informação, seja pelas opções de disposição, ou pelo contexto, pelos olhos de quem regista e de quem lê a imagem. (…)”
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Luísa Neves / Monólogos ilustrados suspensos no tempo
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Luísa Neves, série “Monólogos ilustrados suspensos no tempo”
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António Bracons, Aspeto da exposição
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Técnica utilizada: Impressão Jacto tinta sobre papel fineart
O arquivo de coleções particulares reúne várias gerações num espaço físico de memórias.
Ele representa o modo como definimos a nossa história física, social, etc. As relações e etapas da vida são arquivadas, mas um arquivo nunca está completo, tem sempre fraturas, criadas intencionalmente ou não, seja pela mão dos homens seja pelo tempo.
Restos de histórias omitem, ocultam, deturpam e criam ausências danificando assim o arquivo. (…) Até que ponto estes monólogos ilustrados e suspensos no tempo podem compor o arquivo uma vez perdido, o seu contexto e a sua identificação. Resta-nos o silêncio, frases por completar, histórias subvertidas sem poder identificar. O arquivo nunca é perfeito.”
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Ana Antunes e Neiva Vieira / Instantâneas Transparências
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Ana Antunes e Neiva Vieira, série “Instantâneas Transparências”
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António Bracons, Aspeto da exposição
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Técnica utilizada: Levantamento de emulsão Polaroid
Nesta coleção de todas as nossas vivências e não vivências, como é que ”tudo” é tão volátil? Arrumamos e desarrumamos, acomodamos; damos como perdido o que nos é permanente e fabricamos…
(…)
O arquivo é viajar na memória, ver instantâneas transparências, dúvidas, lacunas, fantasias, coisas disformes, coisas concretas, paisagens vividas, paisagens construídas.”
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Acompanha esta exposição como “folha de sala”, um catálogo de 12 páginas mais capa, agrafado, 21,3 x 14,8 cm, com os textos dos autores e reprodução de uma peça de cada projeto, bem como com os textos abaixo. Foram também editados 4 postais, um com uma fotografia de cada projeto.
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Sobre esta exposição, escreve Luís Aniceto, do IPF:
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A presente exposição resulta de uma parceria entre o Instituto Português de Fotografia e o Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico, procurando sinergias de criação através do compromisso institucional entre as duas entidades. É entre este tipo de colaborações que acreditamos fazer pontes entre a formação de novos fotógrafos e o espaço público expositivo, mas também dar continuidade ao debate sobre a imagem fotográfica e as suas múltiplas propostas.
Se em termos gerais “Arquivo” assenta na ideia de um depósito de documentos, prefigurando a metáfora de abrigo para uma memória coletiva, inventariada, esquematizada e tornada pública de um ponto de vista historicista, é certo que também nos acostumámos a interrogar o lugar da História linear num espaço-tempo atual, tão complexo e muitas vezes confuso, assim como cada vez mais nos debatemos sobre as questões da verdade fotográfica e da sua capacidade em responder a um mundo cada vez mais fragmentado. O recente interesse sobre a matéria de arquivos, também em parte através da dinamização dos acervos em plataformas de acesso público, têm vindo a revelar a pertinência em interrogar não só as questões acima colocadas, mas inclusivamente a própria entidade fotográfica enquanto mediadora de memória e conhecimento em constante interação com o tempo presente.
Foi a partir destas premissas, que os projetos aqui apresentados por finalistas do Curso Profissional de Fotografia, refletem sobre diferentes modos discursivos da prática fotográfica, propondo formas de leitura sobre a preponderância do arquivo e da memória nas suas variadas implicações interpretativas, sejam elas do foro pessoal e transmissível, sejam do âmbito do esquecimento e da ausência. (…)”
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Para o Arquivo Fotográfico de Lisboa | Fotográfico, a importância da parceria com as escolas de fotografia é importante, como escreve Paula Figueiredo Cunca:
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Desde 2011, o Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico tem vindo a convidar escolas vocacionadas para o ensino da fotografia que partem da premissa ARQUIVO para desenvolver um projeto anual com os alunos finalistas, ao qual intitulámos Ponto de Vista.
A proposta de trabalho tem sido desenvolvida com imagens do acervo da Instituição, como no caso da ETIC, em 2011, com a exposição Dar-lhe a Volta, bem como com imagens impressas nos processos fotográficos do século XIX, integradas no plano de estudos do curso da Faculdade de Belas Artes, da Universidade de Lisboa, apresentadas na exposição Impressões II, em 2012. Em 2014, com a presença da Escola Artística António Arroio tivemos a exposição Diferença e Semelhança, com propostas sobre o conceito de Arquivo e agora com o Instituto Português de Fotografia voltámos a apresentar um conjunto de projetos finais em torno do conceito.
O trabalho com o Instituto Português de Fotografia foi iniciado em 2015 com a professora Luísa Baeta e desenvolvido com o professor Luís Aniceto, concluído em 2017 e representado por um conjunto de quatro projetos finais.
Desta parceria surgiram propostas de experimentação com o suporte fotossensível que abordam os limites da interpretação, questionando os suportes fotográficos como o caso do trabalho de Ana Antunes e Neiva Vieira que subvertem o material para questionar a leveza da imagem, parecendo um espectro ou de Skarlath Batista, num encontro de imagens a preto e branco, no qual surgem surpreendentes abordagens, quase em conflito visual.
Luísa Neves apropria-se de imagens para reinventar um discurso próprio que questiona a coleção privada e reposiciona o espetador da fotografia e Helena Amaral apresenta um arquivo geológico sedimentado num novo discurso visual.
Perante o conjunto exposto, o Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico pretende cativar novos públicos e quem se importa e contribui para o discurso visual fotográfico num processo dialogante com a instituição.”
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