ANTÓNIO BRACONS, PALÁCIO NACIONAL DE MAFRA, BASÍLICA, 2010, 2013
300 anos da cerimónia de colocação da Primeira Pedra (17 de novembro de 1717)
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António Bracons, Palácio Nacional de Mafra, Basílica, 2010, 2013
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O Convento / Palácio Nacional de Mafra impressiona pela sua dimensão e magnificência. A sua fachada principal tem uma dimensão impressionante, descobrindo-se no largo que lhe fica defronte, é aquela que é a mais impressionante, nomeadamente por acolher a entrada da Basílica, situada num plano mais elevado, com acesso por uma ampla escadaria e ladeada por duas torres imponentes, que acolhem os magníficos carrilhões.
O Palácio Nacional de Mafra é um dos maiores e mais magníficos da Europa, e é o mais importante monumento do barroco português, foi declarado em 7 de julho de 2019, Património da Humanidade pela UNESCO.
Foi mandado construir pelo “rei D. João V em cumprimento de um voto para obter sucessão do seu casamento com D. Maria Ana de Áustria ou a cura de uma doença de que sofria”. Mas “Mais do que um importante acto de representação e de encenação, foi a expressão da vontade de um Monarca em afirmar o poder de um Reino assente na riqueza do seu império colonial, nomeadamente do ouro do Brasil.
Este Monumento, na periferia da Europa, ganha outra compreensão ao adquirir uma centralidade marcada pelo facto de o Atlântico deixar de separar mas ligar dois continentes. Da Europa chegam encomendas e do novo mundo vêm as matérias-primas e o ouro. Este monumento espelha já a globalização mercantil e essa é a sua escala.”
O conjunto engloba a Basílica, o Convento e o Paço Real, integrando na envolvente a Tapada Real. O edifício ocupa uma área de 37.790 m2, “compreendendo 1200 divisões, mais de 4700 portas e janelas, 156 escadarias e 29 pátios e saguões. Tal magnificência só foi possível devido ao ouro do Brasil, que permitiu ao Monarca por em prática uma política mecenática e de reforço da autoridade régia.”
Este é o “monumento português que melhor reflecte o que podemos chamar de Obra de Arte Total: arquitectura, escultura, pintura, música, livros, têxteis… enfim, um património tipologicamente diversificado, coerentemente pensado e criteriosamente encomendado (…) e que aqui configura uma realidade única”, sendo todo em pedra da região de Sintra, Pêro Pinheiro e Mafra, predominando o lioz.
“A Arquitectura modela funcionalidades ligadas por quilómetros de corredores (…). A Engenharia perpassa por todo o monumento, desde o zimbório aos subterrâneos. Para Mafra, escolheram-se os melhores e escolheu-se do melhor: Ludovice e Custódio Vieira na arquitectura, Trevisani e André Gonçalves na pintura, Wolkmar Machado e Domingos Sequeira na pintura mural, Monaldi e Machado de Castro na escultura, Witlockx e Levache nos carrilhões”, para referir apenas alguns.
O Rei encomendou “obras de escultura e pintura de grandes mestres italianos e portugueses, bem como, em França e Itália, todos os paramentos e alfaias religiosas.”
A Basílica, destacando a sua importância, ocupa a parte central do edifício, sendo ladeada pelas torres sineiras, que acolhem dois carrilhões monumentais do século XVIII, com 92 sinos, fabricados na Flandres, “que constituem o maior conjunto histórico do mundo”.
A Basílica “foi feita segundo o desenho de João Frederico Ludovici ourives de origem alemã que, após a sua longa permanência em Itália, a concebeu ao estilo barroco italiano. / Tem a forma de cruz latina com o comprimento total 58,5 m e 43 m de largura máxima no cruzeiro. / O zimbório, com 65 m de altura e 13 m de diâmetro, foi a primeira cúpula construída em Portugal.”
A Basílica é dedicada a S. António, na capela-mor acolhe uma tela de Francesco Trevisani que representa A Virgem, o Menino e o Santo.
A estatuária, impressionante pela expressão, é de origem italiana, sendo “a mais significativa colecção de escultura barroca existente fora de Itália” e os retábulos de mármore foram produzidos na importante Escola de Escultura de Mafra, criada no reinado de D. José I, sob a direção do mestre italiano Alessandro Giusti. Apresento o evangelista S. Mateus, o apóstolo S. Pedro, a rainha Santa Isabel e S. Francisco Xavier.
Destaque especial para o conjunto único de seis órgãos de tubos, encomendados por D. João VI aos organeiros Machado Cerveira e Peres Fontanes, que substituem os primitivos que estavam degradados e que foram há poucos anos recuperados.
A sagração da Basílica teve lugar em 22 de outubro de 1730, quase 13 anos após o início da obra, sendo uma cerimonia de grande honra e magnificência.
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As citações são do texto constante no site do Palácio Nacional de Mafra.
Atualizado em 07.07.2019.
Pode conhecer melhor o Palácio Nacional de Mafra aqui e, mais ainda, fazer uma visita. Sobre a sagração da Basílica, pode ver aqui.
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