ERNESTO DE SOUSA, A MÃO DIREITA NÃO SABE O QUE A ESQUERDA ANDA A FAZER…
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Ernesto de Sousa, Fotolitos intervencionados, n.d.. Imagens: Fotografias da rodagem do filme Dom Roberto, 1961. Película de acetato (fotolito), Formatos variáveis. Coleção Isabel Alves (Cortesia Paula Pinto)
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Uma palavra sobre a fotografia… simultaneamente ponto de chegada e ponto de partida. A fotografia cruzou todo o percurso multidisciplinar de Ernesto de Sousa (1921-1988), funcionando simultaneamente enquanto documento e pensamento, sem definição de fronteiras entre o registo das experiências de outros e os objetos artísticos que compuseram a sua bio-bibliografia. Os materiais fotográficos inéditos desta exposição demonstram o seu continuado interesse pela arte popular e a escultura portuguesa de expressão popular durante os anos sessenta. Sem prejuízo da especificidade desses mesmos objetos, evidenciamos o uso da fotografia enquanto ferramenta e expressão do seu pensamento, através de três assemblagens de meios e objetos: a realização de um filme, a curadoria de uma exposição e a edição de um livro. Esta análise confronta o olhar do autor com o objecto (referente) fotográfico e com os meios de produção e edição da imagem fotográfica, num exercício que revela a intimidade do trabalho de Ernesto de Sousa, tanto na aproximação às temáticas de estudo como nas condições materiais do seu trabalho, testemunhando a complexidade e experimentalismo do seu universo visual.
Encontram-se em exposição as fotografias rasuradas da rodagem do filme Dom Roberto (1962), as fotografias da exposição Barristas e Imaginários: quatro artistas portugueses do Norte organizada na galeria da livraria Divulgação (Lisboa, 1964), fotografias publicadas no álbum Para o Estudo da Escultura Portuguesa (Lisboa: ECMA, 1965) e material ainda inédito do levantamento sobre a “Escultura Portuguesa de expressão popular, histórica e atual”, que Ernesto de Sousa compilou durante os anos que foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian (1966-68). Dada a importância das artes gráficas na obra de Ernesto de Sousa, a Oficina Arara foi convidada a produzir uma série de cartazes que cruzassem o levantamento de linguagem popular realizado para o filme Dom Roberto e o arquivo fotográfico sobre arte de expressão popular, aqui parcialmente presente. Armando Santiago enviou as partituras do filme Dom Roberto, contribuindo, juntamente com as vozes de atores como Glicínia Quartin (Maria Azula) e Raul Solnado (João Barbelas), para o corpo sonoro desta exposição.”
Paula Pinto, curadora da exposição.
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Esta exposição é uma de homenagem a Ernesto de Sousa. “Evidencia o uso da fotografia enquanto ferramenta e expressão do pensamento de Ernesto de Sousa durante os anos sessenta, focando-se sobretudo no seu levantamento da arte de expressão popular. Estão centenas de fotografias inéditas em exposição, numa viagem ao universo íntimo e político de Ernesto de Sousa.”
A exposição está patente no castelo de Vila Nova de Cerveira, entre 15 de julho e 16 de setembro de 2017, integrada na XIX Bienal de Cerveira, este ano subordinada ao tema “DA POP ARTE ÀS TRANS-VANGUARDAS, Apropriações da arte popular”.
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Paula Pinto, publicou o ensaio integral elaborado a propósito desta exposição in ArteCapital, 2017.09.05, aqui.
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