JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO, ARQUIVO E DEMOCRACIA, 2017

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José Maçãs de Carvalho

Arquivo e Democracia. Archive and Democracy

Fotografia: José Maçãs de Carvalho / Texto: Ana Rito

Lisboa: MAAT / Fevereiro . 2017

Português e inglês / 15,1 x 23,4 cm / 16 págs.

Agrafado / 350 ex.

ISBN: 9789728909277

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Um homem no cais, olha o mar que rodeia Hong Kong.

Num cais – ou num ferry – uma mulher acena.

Num ferry, uma mulher faz a viagem, olha pelo vidro o horizonte da cidade de arranha-céus.

O ferry vai para Hong Kong.

As fotografias.

As paredes são cinzentas, escuras, neutras.

Os vídeos apresentam mulheres jovens. Dançam, riem, conversam, divertem-se. Com cor. Estão frete a grandes áreas comerciais, lojas caras, vêm os seus reflexos nas montras dessas lojas.

São filipinas.

É domingo em Hong Kong.

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O projeto Arquivo e Democracia é um ensaio visual sobre as mulheres de origem filipina que trabalham em Hong Kong, em serviços domésticos, e ocupam as ruas de Central aos domingos.

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A exposição, que faz coincidir o corpo fotográfico e o corpo videográfico de José Maçãs de Carvalho, desenvolve-se em torno deste acontecimento protagonizado por uma comunidade de empregadas domésticas que se reúnem nas ruas do centro de Hong Kong, habitando-as como se de uma casa ou um quarto se tratassem, fazendo coincidir o espaço público com o espaço privado. As mulheres filipinas e vivem em casa dos seus empregadores. Trabalham 6 dias por semana. Ao domingo, por ser dia de folga e porque não lhes permitem que permaneçam em casa, passam o dia na cidade, ocupando ruas e praças importantes do Central District, uma zona de comércio de luxo.

As imagens revelam um confronto, mesmo que ingénuo, entre a escala desmedida e espetacular da arquitetura e a monumentalidade das milhares de mulheres filipinas que trabalham na cidade e que nela descansam, ao domingo.

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Num diálogo permanente entre a imagem fixa e em movimento, o artista, como um flâneur que transita das arcadas parisienses do século XIX para a contemporaneidade, coreografa uma multiplicidade de arquivos e dispõe em cena “aquele que passa”, segundo Ana Rito, a curadora da exposição.

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Entre 1994 e 1998 José Maçãs de Carvalho viveu em Macau, desde 1999 que regressa anualmente, em 2009 começa a filmar com regularidade e em 2010 inicia a sua investigação em matéria de arquivo. Como refere a Andreia Sofia Silva (HojeMacau, 15.03.2017):

Aqui, em Hong Kong, o “Arquivo” vem pelo excesso, excesso de pessoas na rua ao domingo, excesso no gesto, acumulação também. ‘Democracia’ porque a forma como ocupam as ruas configura uma espécie de democracia plena, total. …

Não me interessa aquele acontecimento como facto social, não adopto um ponto de vista sociológico. Interessa-me a aparência das coisas no plano visual, portanto não são as empregadas filipinas que me interessam, mas a forma como aquelas mulheres ocupam a zona mais rica de Hong Kong e como interagem com a arquitectura”

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José Maçãs de Carvalho, Arquivo e Democracia, MAAT, 2017

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Arquivo e Democracia, de José Maçãs de Carvalho, encontra-se em exposição no MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, da Fundação EDP, na Sala do Cinzeiro 8, de 7 de fevereiro a 24 de abril de 2017.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2017

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