RICARDO PEREIRA, P 3LIX A37, 2016

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Ricardo Pereira apresenta em “P 3LIX A37” uma diferente interpretação – ou utilização – da fotografia. Partindo da película, exposta e revelada e da sua manipulação, obtém imagens que se poderiam situar entre a fotografia, o desenho e a pintura. Mas é a fotografia que predomina, quer pela essência da conceção, quer pelo próprio processo criativo e produtivo, fotográfico: negativo manipulado, digitalizado, tratado digitalmente e impressão, permitindo naturalmente, tiragens múltiplas.

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Ricardo Pereira explica o projeto:

“P 3LIX A37” é um cruzamento entre fotografia e pintura. A ideia foi concebida a partir de negativos que depois de revelados foram pintados de forma livre e espontânea. O que aqui vemos são fragmentos de vários pedaços de filme de 35mm que a seguir a serem pintados e raspados, foram digitalizados em diversos tamanhos e editados a nível do tom, criando assim várias imagens abstratas coloridas.

Este é um tipo de uma fotografia feita sem uma camara fotográfica convencional, foi a maneira de conseguir uma maior plasticidade em todo o meu trabalho, possibilitando-me experimentar inúmeras maneiras de trabalhar com um simples pedaço de plástico e desafiando-me a criar algo a partir do nada.

Nestas imagens em concreto, trabalhei numa construção feita a partir de uma desconstrução do material original, levando-o até aos seus limites físico atingindo várias texturas. Anteriormente estes pedaços estariam esquecidos, talvez num balde de desperdícios, hoje, são frames de paisagens acidentais construídas ao acaso da experimentação, mas mesmo assim, ainda tenho o controlo de decidir até onde ir, de modo a ficar satisfeito com o resultado obtido.

Cada imagem funciona como uma cena individual repleta de pormenores próprios e as suas dimensões, variam entre dois e quatro frames por imagem.
Os pormenores criados pelas pontas afiadas de um canivete ao rasparem no plástico, são únicos, assim como cada salpico de tinta aqui utilizado para criar texturas e formas inesperadas. Podemos encontrar algumas semelhanças com obras de pintores conhecidos, bem como referências pessoais, estas vão variar conforme cada espetador.

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Ricardo Pereira, “P 3LIX A37”, 2016

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Ricardo Pereira (1992) licenciou-se em Fotografia e Cultura Visual no IADE Creative University, actualmente divide o seu tempo entre Lisboa e Leiria e assina o seu trabalho artístico como ALPHATHEKING.

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Sobre o seu processo de trabalho, diz:

Quando imagino uma obra, sou levado a entrar numa viagem por um caminho livre, que me permite conceber e idealizar todos os elementos que a constituem, não me sentindo obrigado a recrear algo que possa vir a ser usado para outra função. O meu trabalho artístico divide-se entre dois meios, a fotografia e a pintura que se completam entre si dando origem a uma criação mais plástica na qual busco pela problematização e reflexão sobre vários temas e situações relacionadas com o ser humano e comigo próprio.

Por vezes, para criar os cenários, idealizo os objectos que ajudem a criar um ambiente muito mais orgânico e distante do real, criado com elementos que vou recolhendo e com outros que vou construindo.

O que considero sempre mais importante é o sentimento e a perceção que temos quando olhamos para a obra em si. Aqui não é só importante o que vemos nas obras, mas também as histórias que possam estar por detrás das mesmas.”

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O projeto “P 3LIX A37” de Ricardo Pereira integra a exposição Fotografia X’16, dos finalistas da Licenciatura em Fotografia e Cultura Visual, 2015-2016 do IADE Universidade Europeia, patente no Carpe Diem Arte e Pesquisa, na Rua de O Século, 79, em Lisboa, de 14 de janeiro a 25 de fevereiro de 2017.

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António Bracons, Aspeto da exposição, 2017.

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Pode conhecer melhor o trabalho de Ricardo Pereira aqui.

Pode ver a exposição no geral aqui e aqui.

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