EDUARDO SOUSA RIBEIRO, NÓ, 2016
.
.
.
Eduardo Sousa Ribeiro
Nó
Fotografia e texto: Eduardo Sousa Ribeiro / Editor: Pedro Leão Neto (scopio Editions)
Porto: scopio Editions / Novembro. 2016
Português e inglês / 14,4 x 19,1 cm / 56 págs não numeradas
Brochura / 50 ex.
ISBN: 9789899942936
.
.

.
.
Este projecto começa em 2005 no Feijó, com um conjunto de fotografias a p/b, que mostra pessoas a cultivar a terra num contexto aparentemente rural.
Mais tarde, em 2009, durante um período de quatro meses, continuei a desenvolver o projecto. Desta vez numa área circunscrita ao nó da Amadora, que é atravessado pelo IC-19, uma das auto-estradas com mais movimento da Europa, e rodeado por uma zona industrial e uma zona habitacional.
Nó é a criação de uma narrativa centrada no nó da Amadora, onde no seu interior se inscreve uma ruralidade e um quotidiano (familiar) improvável. (Atrever-me-ia a dizer) um espaço com a sua própria identidade.
O acesso a este espaço/território como que semelhante a uma ilha faz-se atravessando a pé o nó da Amadora. Onde um grupo de cabo-verdianos tornou aquele “não-lugar” (Marc Augé) num lugar de subsistência, de convívio, de estórias que se contam entre (des)ilusões e memórias de um país ausente.
.
Os cabo-verdianos mais velhos, agora reformados, vieram para Portugal entre 1961 e 1973. Altura em que o governo português promoveu a vinda de cabo-verdianos, para colmatar a falta de mão de obra que se fazia na construção civil e nas obras públicas.
Nos anos 80 a maior parte destes imigrantes instala-se nos subúrbios de Lisboa.Vivendo com dificuldades económicas, estas pessoas cultivam pedaços de terra ao longo da estrada, e com sorte, isto é, se chover, conseguem levar mais algum sustento para a sua família.
Desconfiados de início, a conversa surge acompanhada de um copo de vinho, e o convite para uma cachupa fica marcado para ser ali mesmo, no nó da Amadora.”
Eduardo Sousa Ribeiro
.
.
Junto ao nó da Amadora, como em tantos outros lugares, as pequenas hortas, espaço de recolha de algum sustento e do gosto de cuidar da terra. Olhares e gestos de cabo-verdianos que ali têm um espaço ‘pessoal’: um palmo de terra, olhares, gestos e afetos, simplicidade que Sousa Ribeiro regista.
.
.
Eduardo Sousa Ribeiro, Nó, 2016
.
.
.
Nó de Eduardo Sousa Ribeiro é o vencedor da primeira edição do SCOPIO International Photobook Contest que teve como tema “Atravessando Fronteiras, Deslocando Limites: Arquitectura”, promovido pela editora scopio Editions.
Este concurso
teve como objectivo promover e gerar a discussão acerca do formato Photobook, dando particular atenção aos antigos, raros e in uentes livros de fotogra a do século 20 em diante. Esta edição tem como parceiros e colaboradores o Photobook Club Porto, Photobook Club Coimbra, Photobook Club Lisboa e o Photobook Club e conta com o apoio da Mercearia de Arte Alves & Silvestre.
Este concurso incidiu na criação de narrativas visuais tendo como base a configuração dos espaços físicos e conceptuais da cidade – entre o urbano e a arquitectura – e em como as pessoas, no seu quotidiano, apropriam-se, acomodam-se e desafiam o espaço da cidade. O júri premiou os seguintes projectos: “Nó” (Eduardo Sousa Ribeiro, vencedor), “Apropriações (Pedro Gonçalves, menção) e “Périphérie(s) Oubliée(s)” (Cristophe Gourdier, menção).”
Refere a Scopio, para quem a
AUTHORS COLLECTION é o suporte de divulgação para projectos fotográficos pensados especificamente para serem desenvolvidos através de um livro de autor de artista e ligados à Fotografia Documental e Artística relacionada com Arquitectura, Cidade e Território e o suporte de divulgação para diversos projectos artísticos, com especial enfoque para trabalhos de criação, investigação e expressão plásticas no campo da Arte Contemporânea e relacionados com as temáticas de Arquitectura, Cidade e Território.
O nosso objectivo é o de divulgar trabalhos de qualidade e novos autores, revelando as potencialidades do livro de autor como um meio único capaz de comunicar diferentes perspectivas e de combinar diversas expressões de arte para transmitir de forma poética e documental as múltiplas questões relacionadas com a arquitectura e os espaços onde as pessoas vivem e trabalham.
Queremos publicar projectos de fotografia que integrem o universo documental e artístico de forma a criarem sinergias entre eles e permitir uma leitura e compreensão inovadora do território e da forma como as pessoas no nosso mundo contemporâneo se apropriam dos espaços onde vivem e trabalham.”
.
.
.
Pode conhecer mais sobre o trabalho de Eduardo Sousa Ribeiro aqui, sobre este livro aqui, sobre a scopio Editions aqui, e sobre a scopio aqui.
.
.
.
Pingback: AGENDA . ABRIL – JUNHO 2017 | FASCÍNIO DA FOTOGRAFIA
Pingback: AGENDA . JULHO – SETEMBRO 2017 | FASCÍNIO DA FOTOGRAFIA